Esta é uma versão atualizada da apresentação: Devoção a Maria. Ancoragem e perespectivas.
quarta-feira, 23 de agosto de 2017
sexta-feira, 18 de agosto de 2017
Assumida e transformada: Assunção de Maria
O que significa a Assunção de Maria? Esta festa celebra que, ao
terminar sua vida aqui na terra, ela foi totalmente assumida por Deus, de corpo
e alma. Não uma simples “viagem ao céu” ou a reanimação de um morto, como Lázaro
(Jo 11,43-44) e o filho da viúva de Naim (Lc 7,13-15). O corpo de Maria foi
transformado por Deus, embora não saibamos os detalhes. Ela já experimenta o
que está prometido para cada um de nós: sermos semelhantes a Jesus ressuscitado
(1 Jo 3,2). Paulo assegurou: se morremos com ele, com ele ressuscitaremos (Rom
6,8). Maria está junto de Jesus, glorificada por inteiro. Deus assumiu e elevou
sua história, o sim renovado, suas ações, a sua pessoa inteira.
O dogma da assunção estimula a fé, especialmente quando o
mal parece destruir as conquistas do Bem. Deus assumiu e transformou tudo de
bom que Maria construiu aqui na terra, inclusive o seu corpo. Olhando para
Maria glorificada, a gente se anima a lutar pelo bem e pela justiça. Mesmo que
a incompreensão e o fracasso pareçam mais fortes, cremos na vitória definitiva
do Cristo ressuscitado. Ele inaugura o “Novo Céu e a Nova Terra”, onde Maria já
está. Lá, Jesus ficará definitivamente juntinho de nós (Fil 1,23). Não haverá
nem morte, nem sofrimento. O Senhor fará novas todas as coisas (Ap 21,1-7).
A assunção de Maria foi o término feliz de seu peregrinar
nesse mundo. Cada vez que ela dava novos passos para seguir a Jesus, para
realizar a vontade de Deus, o Senhor ia assumindo e transformando sua pessoa.
Até que chegou o momento final. Acontece algo parecido com cada cristão. Na
vida de fé, cada novo passo novo corresponde a um dom da parte de Deus. Ele nos
acolhe, toma-nos pela mão, assume-nos e nos transforma. Conforme o Concílio
Vaticano II, Maria assunta ao Céu é a imagem e o começo da comunidade dos seus
seguidores, a ser consumada no futuro. Ela brilha aqui na terra como sinal de
esperança segura e de conforto para o povo de Deus peregrino, até que chegue o
dia do Senhor (Lumen Gentium 68).
Texto: Afonso Murad - Folheto ODomingo
domingo, 13 de agosto de 2017
Maria e os evangelizadores
O Papa Francisco, na
Exortação Apostólica “A Alegria do Evangelho” propõe cinco atitudes para os
evangelizadores, como pessoas e comunidades em missão (EG 24).
(1) Ir na frente: a comunidade missionária experimenta que o
Senhor tomou a iniciativa, precedeu-a no amor (1 Jo 4, 10). Por isso, ela vai à
frente, vai ao encontro, procura os afastados e chega às encruzilhadas dos
caminhos para convidar os que estão à margem.
(2) Envolver-se: com obras e gestos, os evangelizadores entram
na vida diária dos outros, encurtam as distâncias, abaixam-se e assumem a vida
humana, tocando a carne sofredora de Cristo no povo. Contraem assim o “cheiro
de ovelha”, e estas escutam a sua voz.
(3) Acompanhar: a comunidade acompanha a humanidade em todos
os seus processos, por mais duros e demorados que sejam. Conhece e suporta as
longas esperas. A evangelização exige muita paciência, e evita deter-se nas
limitações.
(4) Frutificar: o missionário mantém-se atenta aos frutos,
porque o Senhor a quer fecunda. Cuida do trigo e não perde a paz por causa do
joio. Encontra o modo para que a Palavra se encarne na situação concreta e dê
frutos de vida nova, apesar de imperfeitos.
5) Festejar:
os evangelizadores, cheios de alegria, sabem festejar. Celebram os passos
dados, cada vitória. E se alimentam da liturgia.
Estas atitudes estão
antecipadas em Maria, a mãe de Jesus. Ao olhar para ela, vemos que Maria é o modelo dos discípulos-missionários/as.
- Maria sai na frente, indo
depressa ao encontro de Isabel (Lc 1,39). Em Caná, toma a iniciativa, quando
percebe que falta o principal da festa (Jo 2,1-12).
- Maria se envolve
inteiramente na missão de educar Jesus. Quando este se torna adulto e parte em
missão, ela acompanha discretamente seu filho. Diante da cruz, Maria assume a
missão de mãe de toda a comunidade dos seguidores de Jesus (Jo 19,26).
- Porque Maria tem fé, escuta
a Palavra, medita no coração e a frutifica. Bendito
é o fruto de seu ventre, diz Isabel! (Lc 1,42). Quantas coisas boas Maria
plantou e colheu durante sua existência.
- Por fim, ela sabe festejar.
Seu cântico de louvor começa com uma explosão de alegria: “Minha alma
engrandece o Senhor. E se alegra meu espírito em Deus, meu Salvador” (Lc 1,46).
Que Maria nos inspire para
evangelizar com generosidade, ousadia, persistência e alegria. Que o Senhor
Jesus desperte nosso coração, mobilize nossos pés e nos leve por caminhos
novos, a serviço da humanidade. Maria, nossa mãe e companheira, vai com a
gente!
Afonso Murad - Publicado no folheto ODomingo.
Desenho: Anderson.
sexta-feira, 11 de agosto de 2017
domingo, 6 de agosto de 2017
Perseverar no momento mais difícil
Uma
característica decisiva do seguidor(a) de Jesus é o compromisso de vida que se
prolonga no tempo, enfrentando as crises. Nas palavras do mestre: “permanecer
em mim e eu nele” (Jo 6,56; 15,4) ou “permanecer no meu amor” (Jo 15,9). Jesus
deseja estabelecer uma sintonia profunda, comunhão de mente e de coração com a
sua comunidade. Tal é o sentido da imagem da videira e dos ramos (15,1-11). “Se vocês permanecerem na minha palavra,
serão verdadeiramente meus discípulos. Vocês conhecerão a verdade, e a verdade
fará de vocês pessoas livres” (cf. Jo 8,31s). Trata-se de uma atitude constantemente
renovada: “Quem pretende permanecer nele,
deve também percorrer o caminho que Jesus andou” (1 Jo 2,6).
Maria
está junto à cruz de Jesus no dia de sua morte. Ela apareceu no início de
missão de Jesus, em Caná (Jo 2,1-11), levando seus discípulos a acreditarem
nele. Agora, volta de novo à cena. Dessa vez, no final de sua vida pública, mas
não há nenhum sinal extraordinário. Ao contrário, o momento da cruz desafia a
fé de qualquer um. Maria faz parte do pequeno grupo que perseverou, que não
fugiu no momento da perseguição e da crucifixão de Jesus. É a corajosa companheira
de Jesus, que permanece no seu amor.
Imaginamos que ela se manteve de pé, o que significa persistência e constância
na adesão.
Junto
com Maria há outras mulheres: sua irmã, Maria de Cléofas, e Madalena. Sobrou
somente um homem, o “discípulo amado”. Estas
pessoas seguem os passos de Jesus até o final, como seus discípulos,
companheiros e amigos (Jo 15,15).
Maria
permaneceu ao lado de Jesus na cruz porque andou no mesmo caminho dele, durante
toda a vida. No início, como mãe e educadora, ela dava a direção e orientava. Quando
Jesus se tornou adulto e partiu para a missão, Maria não ficou em casa curtindo
a saudade, nem interferiu na sua atuação. Ela participou da nova família de
Jesus, daqueles que escutavam sua palavra e a colocavam em prática (Lc 2,22).
Portanto, a presença junto da cruz é a culminância de um vínculo estabelecido
durante toda a vida.
Manter-se
junto à cruz é gesto silencioso e profundo. Quando a dor é muito grande e a
situação não tem explicação, não adianta falar. Basta a presença. Maria, as
mulheres e o discípulo amado são os únicos que perseveram nesta situação tão difícil. Permanecem com Jesus e em
Jesus, em público. Participam dos riscos e do escândalo de sua morte de cruz.
Maria,
ensina-nos a andar no caminho de Jesus.
Mantém-nos junto a Ele, perseverantes nas crises e dificuldades! Amém!
Texto: Afonso Murad - Folheto O Domingo
Imagem: representação africana da cena da cruz
sábado, 29 de julho de 2017
Sete Alegrias
A vida da gente é tecida com alegrias e tristezas. O que as
qualifica não é a quantidade de momentos, e sim a sua intensidade e
profundidade, segundo um projeto de vida. A devoção popular encontrou 7
alegrias na vida de Maria, que são inspiradoras para nós.
(1) O contentamento
na anunciação (Lc 1,26): A primeira palavra dirigida a Maria é exatamente
esta: “alegre-se”. Aliás, todo o relato da infância em Lucas está encharcado
por este sentimento duradouro. Quando o messias vem, o povo se alegra. Maria
prova uma imensa alegria ao receber o convite de Deus. Sente-se agraciada e
envolvida por algo encantador.
(2) A alegria do
encontro com Isabel (Lc 1,39-45): Maria sai às pressas para visitar sua
parenta. Isabel é tomada de euforia. Proclama que Maria é especial: “feliz
porque acreditou” e “bendita entre as mulheres”. Que cena linda: o encontro de
duas mulheres, o cuidado cotidiano de uma com a outra, os sonhos e as esperanças
em torno ao filho que vai nascer. Maria experimenta a alegria de ser
missionária, de partilhar tempo e energia com quem necessita de proteção e
ajuda. Pois há mais alegria em dar do que em receber!
(3) O cântico de
Maria (Lc 1,46-55): este hino de louvor foi chamado de “Magnificat”,
primeira palavra da sua tradução latina, que significa “engrandecer”, ou “cantar
as maravilhas”. Maria está cheia do Espírito Santo e proclama as grandezas de
Deus na sua história pessoal e na história de seu povo. É um cântico de alegria
e de consciência profética, pois anuncia que Deus quer realizar a justiça na
sociedade. Maria nos ensina a exercitar a ação de graças, a reconhecer os
sinais de Deus na existência pessoal e nas práticas coletivas.
(4) O nascimento de
Jesus (Lc 2,1-19): o nascimento de Jesus foi motivo de alegria para todo o
povo, a começar dos mais pobres, representados pelos pastores. No céu e na
terra! Todas as pessoas do Bem sentem-se amados por Deus, no momento em que seu
Filho assume a natureza humana. Maria participa desta alegria de maneira única,
como protagonista. Ela é a mãe do filho de Deus encarnado. Gerou, gestou e deu
à luz à Jesus.
(5) Alegria na missão
de Jesus: Maria ficou muito feliz, ao ver seu filho anunciar o Reino de
Deus, curar os doentes, acolher os pobres e marginalizados, formar discípulos e
discípulas. Eles experimentam um imenso prazer, quando percebem que Jesus é o
vinho novo (Jo 2,10-11)! Jesus realiza as grandes esperanças de seu povo.
Quanta alegria Maria viveu, ao acompanhar a missão de Cristo, como mãe e
aprendiz.
(6) Euforia da
ressurreição: Depois de viver a trágica
experiência da sua morte, Maria e os seguidores de Jesus provaram uma alegria
sem par. Jesus está vivo! Ele nos dá a paz. Ele venceu a morte! (Jo 20,20-21). A
ressurreição fez a comunidade compreender que o Homem de Nazaré é o Filho de
Deus! Com este novo olhar, entenderam tantas coisas que Jesus fez e disse.
Maria participa da ressurreição de Jesus de forma original: refaz lembranças,
ilumina fatos, nutre sua fé, faz-se presente como mãe da comunidade.
(7) A alegria de
Pentecostes: O mesmo Espírito de Deus, que fecundou Maria e acompanhou
Jesus, agora fecunda a comunidade cristã. Cria a comunhão na diversidade, reúne
o novo Povo de Deus para além das fronteiras do judaísmo (At 2). Maria, que
junto com outras mulheres e os familiares de Jesus, orou com os apóstolos (At
1,14), acompanha a comunidade de forma discreta. É o tempo que se estende até
hoje! A alegria de Maria e dos outros seguidores de Jesus se transforma na
nossa alegria.
Ao percorrer as sete alegrias de Maria, cada cristão se
reconhece nelas. Nossa vida de fé está marcada por muitos sinais de Deus que
nos consolam, fortalecem e estimulam. Com Maria, cantamos, sorrindo: “O Senhor
fez em nós maravilhas, Santo é o seu nome” (Lc 1,49).
domingo, 23 de julho de 2017
Maria e a alegria da festa
Numa festa animada, as pessoas se encontram e a alegria se
multiplica. No tempo de Jesus, a festa de casamento tinha grande valor. As
famílias se uniam e renovavam suas esperanças na continuidade da vida. Recordava-se a aliança de Deus com seu povo
(Is 62,5; Os 2,21-22). O vinho evocava o fascínio do amor humano (Ct 4,10) e o
novo tempo do messias.
O evangelista escolhe as Bodas na cidadezinha de Caná para
contar sobre o primeiro sinal de Jesus (Jo 2,1-12). Maria chega antes. Jesus e
seus discípulos vieram também. Então, o vinho está terminando, a festa pode
acabar! Maria faz um pedido discreto. Jesus responde: “O que nós temos a ver com isso, mulher? A minha hora ainda não chegou (Jo
2,4). O título “mulher” não é um desrespeito à sua mãe. Os profetas recorriam à
imagem da mulher para representar a comunidade que responde ao convite amoroso
de Deus. Jesus chama deste jeito à samaritana (Jo 4,21), anunciadora do messias
para os não-judeus (Jo 4,28.41s). E à Madalena (Jo 20,15), primeira testemunha
da ressurreição (Jo 20,17s). Assim, a mãe de Jesus é mulher e figura do povo de
Deus fiel.
Parece que Jesus não quer se envolver com o problema. Maria
não discute com ele. Rapidinho, encontra uma solução. Volta-se para os serventes:
“Façam tudo o que ele disser a vocês”
(Jo 2,5). Essas palavras têm grande força simbólica. Segundo João, Maria não só
realiza a vontade de Deus na sua vida, como também orienta os outros a fazerem
o que Jesus lhes pede. Torna-se assim a mestra e guia dos cristãos. Ela
continua dizendo-nos hoje: “vale a pena
buscar a vontade de Jesus, ouvir suas palavras e tomar atitudes concretas”.
O documento da Puebla afirma que Maria é “pedagoga da fé”. Ela aponta para
Jesus, leva-nos a ele, como fez com os que serviam na festa.
Os cristãos descobrem neste texto outras atitudes dela.
Maria está atenta às necessidades humanas. Capta com grande sensibilidade um
apelo que vem da realidade. Além disso, intercede junto a Jesus, para o bem de
todos. Essa postura, que começa em Caná, continua hoje, pois ela é nossa
intercessora, na comunhão dos Santos.
Jesus é o vinho novo e o esposo da festa da nova aliança de
Deus com a humanidade. Começou o tempo da graça! Quem está com Jesus está com
as vasilhas até a borda (2,7), transbordando de alegria. O Sinal de Caná abre
caminho para a aventura da fé, pois a partir daí “seus discípulos creram nele”
(2,11). A festa se conclui com o gesto de união, que reúne Maria, os
discípulos, Jesus e seus familiares (2,12).
Que Maria de Caná desperte abra nosso coração para fazer o
que Jesus disser; e saborear a alegria
do vinho novo, da festa da aliança e da fraternidade.
Afonso Murad - Publicado no Folheto O Domingo - Desenho: Max Gonçalves
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