quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
O rosário de Maria (2): a contemplação
Trechos da Carta
Apostólica de João Paulo II
9. «Transfigurou-Se diante deles: o seu rosto resplandeceu como o sol » (Mt 17, 2). A cena evangélica da transfiguração de Cristo, na qual os três apóstolos Pedro, Tiago e João aparecem como que extasiados pela beleza do Redentor, pode ser tomada como ícone da contemplação cristã. Fixar os olhos no rosto de Cristo, reconhecer o seu mistério no caminho ordinário e doloroso da sua humanidade, até perceber o brilho divino definitivamente manifestado no Ressuscitado glorificado à direita do Pai, é a tarefa de cada discípulo de Cristo; é por conseguinte também a nossa tarefa. Contemplando este rosto, dispomo-nos a acolher o mistério da vida trinitária, para experimentar sempre de novo o amor do Pai e gozar da alegria do Espírito Santo. Realiza-se assim também para nós a palavra de S. Paulo: « Refletindo a glória do Senhor, como um espelho, somos transformados de glória em glória, nessa mesma imagem, sempre mais resplandecente, pela ação do Espírito do Senhor » (2Cor 3, 18).
9. «Transfigurou-Se diante deles: o seu rosto resplandeceu como o sol » (Mt 17, 2). A cena evangélica da transfiguração de Cristo, na qual os três apóstolos Pedro, Tiago e João aparecem como que extasiados pela beleza do Redentor, pode ser tomada como ícone da contemplação cristã. Fixar os olhos no rosto de Cristo, reconhecer o seu mistério no caminho ordinário e doloroso da sua humanidade, até perceber o brilho divino definitivamente manifestado no Ressuscitado glorificado à direita do Pai, é a tarefa de cada discípulo de Cristo; é por conseguinte também a nossa tarefa. Contemplando este rosto, dispomo-nos a acolher o mistério da vida trinitária, para experimentar sempre de novo o amor do Pai e gozar da alegria do Espírito Santo. Realiza-se assim também para nós a palavra de S. Paulo: « Refletindo a glória do Senhor, como um espelho, somos transformados de glória em glória, nessa mesma imagem, sempre mais resplandecente, pela ação do Espírito do Senhor » (2Cor 3, 18).
Maria, modelo de
contemplação
10. A contemplação de Cristo tem em Maria o seu modelo insuperável. O rosto do Filho pertence-lhe sob um título especial. Foi no seu ventre que Se plasmou, recebendo d'Ela também uma semelhança humana que evoca uma intimidade espiritual certamente ainda maior. À contemplação do rosto de Cristo, ninguém se dedicou com a mesma assiduidade de Maria. Os olhos do seu coração concentram-se de algum modo sobre Ele já na Anunciação, quando O concebe por obra do Espírito Santo; nos meses seguintes, começa a sentir sua presença e a pressagiar os contornos. Quando finalmente o dá à luz em Belém, também os seus olhos de carne podem fixar-se com ternura no rosto do Filho, que envolveu em panos e recostou numa manjedoura (cf. Lc 2, 7).
Desde então o seu olhar,
cheio sempre de reverente estupor, não se separará mais d'Ele. Algumas vezes
será um olhar interrogativo, como no episódio da perda no templo: «
Filho, porque nos fizeste isto? » (Lc 2, 48); em todo o caso será um
olhar penetrante, capaz de ler no íntimo de Jesus, a ponto de perceber os
seus sentimentos escondidos e adivinhar suas decisões, como em Caná (cf. Jo
2, 5); outras vezes, será um olhar doloroso, sobretudo aos pés da cruz,
onde haverá ainda, de certa forma, o olhar da parturiente, pois Maria não se
limitará a compartilhar a paixão e a morte do Unigénito, mas acolherá o novo
filho a Ela entregue na pessoa do discípulo predileto (cf. Jo 19,
26-27); na manhã da Páscoa, será um olhar radioso pela alegria da
ressurreição e, enfim, um olhar ardoroso pela efusão do Espírito no dia
de Pentecostes (cf. Act 1,14).10. A contemplação de Cristo tem em Maria o seu modelo insuperável. O rosto do Filho pertence-lhe sob um título especial. Foi no seu ventre que Se plasmou, recebendo d'Ela também uma semelhança humana que evoca uma intimidade espiritual certamente ainda maior. À contemplação do rosto de Cristo, ninguém se dedicou com a mesma assiduidade de Maria. Os olhos do seu coração concentram-se de algum modo sobre Ele já na Anunciação, quando O concebe por obra do Espírito Santo; nos meses seguintes, começa a sentir sua presença e a pressagiar os contornos. Quando finalmente o dá à luz em Belém, também os seus olhos de carne podem fixar-se com ternura no rosto do Filho, que envolveu em panos e recostou numa manjedoura (cf. Lc 2, 7).
As recordações de Maria
11. Maria vive com os olhos fixos em Cristo e guarda cada palavra sua: « Conservava todas estas coisas, ponderando-as no seu coração » (Lc 2, 19; cf. 2, 51). As recordações de Jesus, estampadas na sua alma, acompanharam-na em cada circunstância, levando-a a percorrer novamente com o pensamento os vários momentos da sua vida junto com o Filho. Foram estas recordações que constituíram, de certo modo, o “rosário” que Ela mesma recitou constantemente nos dias da sua vida terrena.
E mesmo agora, entre os
cânticos de alegria da Jerusalém celestial, os motivos da sua gratidão e do seu
louvor permanecem imutáveis. São eles que inspiram o seu carinho materno pela
Igreja peregrina, na qual Ela continua a desenvolver a composição da sua
“narração” de evangelizadora. Maria propõe continuamente aos crentes os
“mistérios” do seu Filho, desejando que sejam contemplados, para que possam
irradiar toda a sua força salvífica. Quando recita o Rosário, a comunidade
cristã sintoniza-se com a lembrança e com o olhar de Maria.
11. Maria vive com os olhos fixos em Cristo e guarda cada palavra sua: « Conservava todas estas coisas, ponderando-as no seu coração » (Lc 2, 19; cf. 2, 51). As recordações de Jesus, estampadas na sua alma, acompanharam-na em cada circunstância, levando-a a percorrer novamente com o pensamento os vários momentos da sua vida junto com o Filho. Foram estas recordações que constituíram, de certo modo, o “rosário” que Ela mesma recitou constantemente nos dias da sua vida terrena.
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
O Rosário de Maria (1)
Trechos da Carta
Apostólica de João Paulo II
1. O Rosário da Virgem Maria (Rosarium Virginis Mariae),
que ao sopro do Espírito de Deus se foi formando gradualmente no segundo
Milénio, é oração amada por numerosos Santos e estimulada pelo Magistério. Na
sua simplicidade e profundidade, permanece, mesmo no terceiro Milénio recém
iniciado, uma oração de grande significado e destinada a produzir frutos de
santidade. Ela enquadra-se perfeitamente no caminho espiritual de um
cristianismo que, passados dois mil anos, nada perdeu do seu frescor original,
e sente-se impulsionado pelo Espírito de Deus a « fazer-se ao largo » (duc
in altum!) para reafirmar, melhor « gritar » Cristo ao mundo como Senhor e
Salvador, como « caminho, verdade e vida » (Jo 14, 6), como « o fim da
história humana, o ponto para onde tendem os desejos da história e da
civilização ».
O Rosário, de fato, ainda que caracterizado pela sua
fisionomia mariana, no seu âmago é oração cristológica. Na sobriedade dos seus
elementos, concentra a profundidade de toda a mensagem evangélica,da
qual é quase um compêndio. Nele ecoa a oração de Maria, o seu perene Magnificat
pela obra da Encarnação redentora iniciada no seu ventre virginal. Com ele, o
povo cristão frequenta a escola de Maria, para deixar-se introduzir na
contemplação da beleza do rosto de Cristo e na experiência da profundidade do
seu amor. Mediante o Rosário, o crente alcança a graça em abundância, como se a
recebesse das mesmas mãos da Mãe do Redentor.
5. O motivo mais importante para propor com insistência a prática
do Rosário reside no fato de este constituir um meio validíssimo para favorecer
entre os crentes aquele compromisso de contemplação do mistério cristão que
propus, na Carta apostólica Novo
millennio ineunte, como verdadeira e própria pedagogia da
santidade: «Há necessidade dum cristianismo que se destaque principalmente pela
arte da oração». Enquanto que na cultura contemporânea, mesmo entre
tantas contradições, emerge uma nova exigência de espiritualidade, solicitada
inclusive pela influência de outras religiões, é extremamente urgente que as
nossas comunidades cristãs se tornem « autênticas escolas de oração ».
O Rosário situa-se na melhor e mais garantida tradição da
contemplação cristã. Desenvolvido no Ocidente, é oração tipicamente meditativa
e corresponde, de certo modo, à « oração do coração » ou « oração de Jesus »
germinada no húmus do Oriente cristão.
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
O rosário, bela oração mariana
Não se sabe quando os cristãos começaram a rezar a Ave-Maria
como oração vocal. Na Idade Média, uns monges analfabetos, que não podiam ler
os Salmos, recitavam de memória algumas frases. Lembrando os 150 salmos, eles
rezavam, três vezes ao dia, blocos de 50 Ave-Marias, compostas somente pela
saudação do anjo (Lc 1,28) e as palavras de Isabel (Lc 1,42). Outros faziam a
mesma coisa com o Pai-Nosso. A segunda parte da oração (Santa maria, mãe de
Deus, rogai por nós...) foi incorporada ao rosário provavelmente a partir do
ano 1480.
O monge Henrique
Kalkar, por volta do ano 1300, fez a divisão das Ave-Marias em 15 dezenas, com
o Pai-Nosso iniciando cada uma. Mais tarde, outro monge propôs a meditação dos
mistérios. Cem anos depois, o dominicano Alano de la Rocha propôs a meditação
dos mistérios gozosos, dolorosos e gloriosos. Com eles se contemplam,
respectivamente, a encarnação do Filho de Deus, sua paixão e morte, a
ressurreição e glorificação de Jesus e de Maria. E assim o rosário se espalhou
por toda parte. Muitas confrarias e Institutos religiosos promoveram sua
devoção. Como é uma oração fácil, o povo aprendeu logo. O Papa João Paulo II
acrescentou os mistérios da luz, que
contemplam a missão de Jesus. Assim, o rosário passou de 150 para 200 Ave
Marias, divididas agora em quatro sequências de “mistérios”: gozosos,
luminosos, dolorosos e gloriosos.
A devoção do rosário é conhecida no Brasil como “terço”,
pois as pessoas rezam cada vez 1/3 das 150 Ave-Marias. No correr de vários séculos,
pessoas e grupos modificaram e organizaram a oração das Ave-Marias, até chegar
ao que temos hoje. E da mesma forma como ele foi modificado com o tempo, pode
também mudar hoje.
Embora tenha uma estrutura fixa para nos ajudar, o rosário é
uma oração vocal livre. Você pode rezá-lo sozinho ou em grupo, em qualquer hora
do dia ou da noite, de muitas formas. Faça-o como lhe guia o coração. Não se
aconselha recitá-lo de forma mecânica, repetindo às pressas as Ave-Marias. É
melhor rezá-lo de forma tranqüila, contemplando os mistérios, para experimentar
seus frutos espirituais. Sugere-se que a recitação do rosário seja enriquecida
com trechos Palavra de Deus, hinos e canções. Portanto, o rosário é uma devoção
saudável, que ajuda os fiéis a entrar em sintonia com Deus, venerando a mãe de
Jesus e contemplando os mistérios da vida de Jesus.
Veja mais em: Afonso Murad, Maria toda de Deus e tão humana. Compêndio de mariologia. Paulinas - Santuário, 2012, cap.11.
terça-feira, 18 de setembro de 2012
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Aparição marianas recentes
Dom Rafael Maria da Silva, beneditino
Os bispos africanos de Ruanda se viram no dever de estudarem com todos os elementos necessários para poder dar uma resposta sábia e coerente ao povo local e mundial sobre os fenômenos ali acontecidos. Estas aparições foram aprovadas pelo episcopado ruandês em 2001.
Com Decreto de 8 de Dezembro de 2010 o bispo de Green Bay, Mons. David Ricken aprovou três aparições da Virgem Maria ocorridas em 1859 a Adele Brise, uma jovem imigrante belga, solicitando-a ao trabalho na conversão dos pecadores.
Para a América Latina no século XX duas aparições marianas foram aprovadas pelos bispos locais: Finca Betânia (Venezuela) aprovada em 28 de Novembro de 1987 e a San Nicolas (Argentina) a aprovação parcial em 28 de Outubro de 1988 com a construção do santuário, publicação das mensagens e liberdade do culto.
(Fragmento de um texto do autor).
Recentemente a Igreja se viu no dever de tomar uma posição sobre o caso das
supostas mariofanias em Medjugorje que desde 1981 vem ocorrendo a seis videntes
na Bósnia-Herzegovina. Foi formada uma Comissão de teólogos para aprofundarem
tal fenômeno a 18 de Dezembro de 2009. A necessidade de formar uma Comissão
Teológica entra nos parâmetros de documentos emanados pela Santa Sé a este
respeito. Muitos são os frutos decorrentes de Medjugorie, mas também muitas
polêmicas surgiram, levando a séria confusão e, porque não dizer, escândalos
envolvendo eclesiásticos locais e internacional, assim como surgiram posições
contra e a favor da suposta aparição.
Três recentes mariofanias foram aprovadas pela Igreja. Isto quer dizer que
se pode encontrar nestes fenômenos a ação do Espírito de Deus a favor de sua
Igreja, porque condizentes com a Palavra de Deus, a Tradição da Igreja e a voz
do Magistério. As aparições reconhecidas são: Laus nos Alpes francês, Kibeho em
Ruanda na África e em Champion nos USA.
As aparições da Virgem em Laus a venerável Benedita Recurel ocorreram em
1644 e duraram cerca de 54 anos até a morte da vidente em 1718. Caso
excepcional (!) e quem sabe iluminante para os que criticam as supostas
aparições de Medjugorje que acontecem a cerca de trinta anos. Em Laus, as
aparições foram uma formação cristã pessoal para vidente e comunitária para os
fiéis. A vidente demonstrou ao longo dos cinquenta anos de experiencia com a
Virgem Mãe de Deus um crescimento na fé, na esperança e na caridade, fruto de
uma ação contínua do Espírito Santo. Estas aparições foram estudadas por duas
vezes e na última é que foi reconhecida oficialmente pelo episcopado local em
24 de Maio de 2008.
Em Kibeho, as aparições ocorreram a seis jovens videntes africanos em 1981
e terminaram em 1996. Destes seis jovens, o episcopado ruandês achou por bem
reconhecer somente três deles por considerarem autênticos no comportamento de
fidelidade à Igreja e das mensagens. Os outros três estão ainda a ser
aprofundados. Os elementos proféticos, característica de quase todas as
mariofanias estão presentes nas aparições de Kibeho. Aqui a Virgem Maria
anuncia o caminho da conversão e da oração para evitar o genocídio que
infelizmente ocorreu em 1994 onde cerca de 3. 070.000 pessoas morreram por
causa de rivalidades tribais. Ainda, a Virgem Maria, se designando como «Mãe do
Verbo», revigora uma antiga devoção local, o «Rosário das Sete Dores de Maria»…
Se pode dizer que as aparições da Virgem em Kibeho possuem elementos de
inculturação local ao qual a diferencia das aparições europeias, isto é modo de
se expressar, seus gestos e a modalidade dos êxtases. Um detalhe curioso é a
cor com que a Virgem, Mãe do Verbo aparece em Kibeho, não é de cor negra como a
cor própria dos africanos, mas uma cor «negra» diferente, segundo os videntes,
um negro transfigurado na ressurreição do Senhor.Os bispos africanos de Ruanda se viram no dever de estudarem com todos os elementos necessários para poder dar uma resposta sábia e coerente ao povo local e mundial sobre os fenômenos ali acontecidos. Estas aparições foram aprovadas pelo episcopado ruandês em 2001.
Com Decreto de 8 de Dezembro de 2010 o bispo de Green Bay, Mons. David Ricken aprovou três aparições da Virgem Maria ocorridas em 1859 a Adele Brise, uma jovem imigrante belga, solicitando-a ao trabalho na conversão dos pecadores.
Para a América Latina no século XX duas aparições marianas foram aprovadas pelos bispos locais: Finca Betânia (Venezuela) aprovada em 28 de Novembro de 1987 e a San Nicolas (Argentina) a aprovação parcial em 28 de Outubro de 1988 com a construção do santuário, publicação das mensagens e liberdade do culto.
(Fragmento de um texto do autor).
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
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