quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Aparições de Maria (2)

Continuamos a responder as principais perguntas sobre as Aparições de Maria. Se você quer conhecer mais, leia: "Visões e Aparições. Deus continua falando?", A. Murad, Ed. Vozes.

1. Como distinguir se uma aparição é autêntica?
Não podemos afirmar com total certeza, mas alguns critérios nos ajudam:
* Equilíbrio mental do vidente: se a pessoa tem boa saúde psíquica. Indivíduos mentalmente desequilibradas podem ter visões de Nossa Senhora, que são apenas criação de sua imaginação e do seu desejo. Normalmente, os videntes que querem ser reconhecidos pela Igreja, são submetidos a uma junta de profissionais, psiquiatras e psicólogos, para avaliar sua saúde mental.
* Honestidade do vidente e de seu grupo: O vidente e seu grupo devem buscar, com simplicidade, a fidelidade à vontade de Deus, e não seus interesses próprios. Por vezes, a busca de fama, poder ou dinheiro, ou a pressão de parentes e amigos acaba produzindo aparições induzidas nos videntes. Em resposta a estes estímulos, eles passam a criar e repetir mensagens, para atrair o grande público.
* Qualidade da mensagem: a mensagem do vidente deve estar de acordo com o evangelho e a caminhada da Igreja no seu país e no mundo. Deve ser Boa-Notícia, atualização do Evangelho para nós. Se, ao contrário, o vidente só lembra do castigo e da ira de Deus, está esquecendo a mensagem de misericórdia do evangelho (Lc 15). Se o vidente veicula mensagens eivadas de julgamentos e preconceitos contra pessoas e grupos, é sinal que não vem de Deus, mas do engano, do orgulho e da vaidade.
* Frutos das aparições: se o movimento de uma aparição leva muitos cristãos a viver melhor a fé, a esperança e a caridade, é um bom sinal. Também as curas e milagres podem nos dizer que Deus está agindo ali de maneira especial.
Esses quatro critérios podem ajudar você a analisar se um movimento de suposta aparição é bom e digno de crédito.

2. Qual a diferença entre “visão” e “aparição”?
Aparição significa que Maria glorificada se manifestou a um ou mais videntes e lhes deixou uma mensagem, para ser transmitida aos outros. Visão é um tipo de experiência mística extraordinária, na qual uma pessoa afirma ter visto a mãe de Jesus. Normalmente a visão vem acompanhada de uma mensagem. Mas também há místicos que não vêem, mas ouvem vozes de Jesus, de Maria, ou de algum santo. Isso pode acontecer também com qualquer um, alguma vez na vida, em momentos de intensa experiência espiritual. Quando falamos em aparição, estamos qualificando o fenômeno do ponto de vista do Sagrado que provavelmente aí se manifesta. Se dizemos visão, estamos sendo mais cautelosos, pois só dizemos que uma pessoa experimentou algo extraordinário. De qualquer forma, um pretenso vidente necessita de acompanhamento espiritual e humano qualificados, para discernir o que está acontecendo nele e ajudá-lo na caminhada de fé.

3. Os católicos necessitam acreditar nas aparições?
Não. As aparições não fazem parte do credo e dos dogmas católicos. Temos a liberdade de aceitar ou ignorar essa experiência religiosa. As aparições têm seu valor espiritual, mas não são absolutas. Até os pedidos dos videntes - que eles consideram vindos de Maria - como rezar o rosário ou fazer penitência, são apenas conselhos para ajudar a nossa vida cristã. Ninguém é obrigado a segui-los. Se alguém sente que isso a aproxima de Deus e o ajuda a realizar Sua vontade, pode se servir deles. Mas ninguém tem direito de julgar os que não acreditam nas aparições e ignoram os pedidos dos videntes. Por outro lado, os que não crêem em aparições devem respeitar os que pensam diferente deles. O católico pode confiar na experiência e na mensagem de alguns videntes, mas será uma confiança humana, mesmo que haja muitos sinais maravilhosos.

4. Como a Igreja reconhece a autenticidade de uma aparição?
Trata-se de um processo longo e demorado. Abre-se um processo canônico, que começa na diocese onde acontece o fenômeno. Isso exige que o bispo esteja aberto para analisar o fenômeno e creia que pode haver algo “a mais” acontecendo com o vidente. Uma comissão de peritos analisa a situação psíquica do vidente. O mesmo acontece com o teor das suas mensagens. Analisa-se também a qualidade dos sinais extraordinários realizados, especialmente curas e conversões. Passada esta fase, toda a documentação é enviada a Roma, que pode nomear outras comissões para convalidar o processo diocesano. O reconhecimento oficial é muito moderado na sua linguagem. Declara-se que a mensagem do vidente “é digna de fé humana” ou seja, pode ser divulgada e acolhida pelos fiéis, mas não constitui algo original ou obrigatório para a experiência cristã. Aceita-se que no local seja erguido um santuário de louvor a Maria, com o nome que o vidente lhe conferiu. Em momento nenhum, o documento oficial da Igreja declara que Maria apareceu naquele lugar. Por isso, as aparições estão no campo devocional, e náo do dogma.

2 comentários:

Irmã Ana disse...

Obrigada. Eu tinha muitas dúvidas sobre os critérios para as aparições.

Catequese/Igaratinga disse...

Eu só acredito na aparição de Nossa Senhora de Fátima para as três crianças.