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domingo, 7 de maio de 2017

Alegre-se! Deus está com você!

O relato da Anunciação (Lc 1,26-38) nos diz muito sobre Maria, exemplo de vida para nós, cristãos de hoje.
Gabriel, o mensageiro de Deus, saúda: Alegre-se! (v.28). Convida Maria a participar da alegria do novo tempo, que começa com a vinda de Jesus. Lucas destaca a alegria como sinal próprio de Jesus e de seus seguidores (Lc 10,17.21; 19,37; 24,52). Maria é a primeira convidada a se alegrar. Quando Deus se aproxima de nós, contagia-nos com sua alegria. É surpresa e gratuidade, encanto e novidade recriadora.
Maria recebe um nome especial, que nenhuma outra pessoa tem na Bíblia: agraciada, favorecida, aquela que tem o favor do Senhor, ou que “encontrou graça diante de Deus” (v.30). E com uma intensidade tão grande! São Jerônimo, quando traduziu a bíblia para o latim, usou a expressão “cheia de graça”. Deus prepara Maria para um grande desafio, iluminando-a especialmente com sua Luz divina.

A seguir, diz: o Senhor está com você. Na bíblia, quando alguém recebe uma missão importante e difícil, tem a promessa que não estará sozinha; Deus lhe dará forças para realizá-la. Por exemplo, no chamado a Moisés (Ex 3,11s e 4,12), a Gedeão (Jz 6,12) e a Jeremias (Jer 1,19). Pede-se que a pessoa não tenha medo, confie em Deus e se comprometa, como acontece com Maria.

Alegre-se, agraciada, o Senhor está com você. Essa frase revela quem é Maria aos olhos de Deus: mulher tocada pela graça divina, que a faz encantadora, agraciada e graciosa. Ser humano iluminado pelo Deus da Vida. Colaboradora de Deus, como mãe e educadora de Jesus. Pessoa forte para lidar com os medos e enfrentar os desafios.

Também essa expressão toca cada discípulo(a) missionário(a) de Jesus. Deus convida para alegria duradoura, que só ele nos dá. Concede-nos tantas bênçãos e graças no correr da existência. Como somos agraciados! Encanta-nos com seu amor misericordioso. Quer contar conosco para promover o bem no mundo. E para isso, nos alerta: as dificuldades virão. Mas eu estou com vocês. 
Que Maria nos dê a generosidade de responder, com alegria e coragem: sim, conte comigo, Senhor!

(Afonso Murad - Publicado no Folheto Litúrgico O DOMINGO, em 7/5/17)

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Deus vem ao encontro de Maria (anunciação)

A anunciação a Maria (Lc 1,26-38) se assemelha a outras cenas bíblicas de anúncio de concepção e nascimento, como a Abraão (Gn 17,19-21) e à mãe de Sansão (Jz 13,1-6). No evangelho de Lucas, está construído em paralelo com o anúncio a Zacarias (Lc 1,5-20). Todos eles mostram que o Senhor toma a iniciativa e que deste encontro resulta algo muito bom para a pessoa e o povo de Deus.

A bíblia, palavra divina em linguagem humana, utiliza gêneros literários. Reflexão de fé, utiliza elementos poéticos e simbólicos. Por isso, não se pode tomar isoladamente cada palavra ou frase, com se fosse simples descrição histórica. O que nos comunica o gênero literário anúncio? Deus toma a iniciativa. Ele vem sempre na frente, preparando o futuro. Através de um mensageiro divino, denominado “anjo”, anuncia que virá uma criança importante, para contribuir no processo de salvação. Às vezes, há obstáculos a serem superados. A pessoa questiona “como acontecerá isso?” e Deus lhe oferece um sinal.

Mas o anúncio a Maria é o único na bíblia que termina com uma resposta. Também é um relato de missão. Prepara o nascimento de Jesus e também diz da vocação especial de Maria e de sua resposta generosa. Deus toma a iniciativa. Maria se sente agraciada por Deus, dialoga com ele e, ao final, responde com inteireza. Compromete-se em ser a mãe do salvador. E a vida dela mostrará muitos outros compromissos.

Maria nos revela o jeito cristão de ser. Tudo começa de Deus, que vem ao nosso encontro, independente do lugar onde estamos (Lc 1,28). A gente se encanta com sua luz e bondade. Percebe também as dificuldades e obstáculos. E como Maria, podemos dizer: “eis aqui o servidor(a) do Senhor. Que se faça em mim segundo a sua vontade” (Lc 1,38).

Afonso Murad - Publicado no Folheto "O Domingo", para o ano Mariano

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Dizer "SIM" de forma consciente


Você já deve ter lido e ouvido muitas vezes a narração da Anunciação do anjo Gabriel à Maria, que está em Lucas 1,26-38. As catequistas e outros evangelizadores comentam sobre o “sim” de Maria, e falam que ela respondeu prontamente ao apelo de Deus. Isso é verdade. Mas a jovem de Nazaré não deu seu consentimento a Deus de qualquer jeito, sem pensar. O evangelista, servindo-se do gênero literário de vocação e de missão na bíblia, mostra que houve um diálogo demorado. Quanto tempo durou, e como se deu em detalhes, não se sabe. Deus tomou a iniciativa, veio ao encontro de Maria. Fez uma pro-posta para ela. E Maria, refletiu, questionou e por fim, deu uma res-posta. Acontece também assim quando duas pessoas se enamoram. Começa com o encantamento. Depois, os olhos os olhos, a aproximação, até que um toma a iniciativa de propor o relacionamento amoroso. Na fé, é Deus que sempre toma a iniciativa, nos seduz e nos convida.

Coloque-se no lugar de Maria. Quando menos espera, você recebe uma comunicação, uma proposta de Deus, que não imaginava antes. Qual seria sua primeira reação? Uma pessoa normal sentiria um choque, uma sensação de estremecimento e insegurança, como se de repente o chão tremesse. “Será verdade, ou estou imaginando coisas?” Assim também se passou com Maria. Ela “perturbou-se” ao ouvir a saudação de Gabriel (Lc 1,29). Mas não ficou imobilizada. Logo começou a pensar o significado da saudação: “alegre-se, agraciada, o Senhor está com você!” (Lc 1,28).
Então Deus, através de seu enviado, lhe diz para não ter medo, pois ela encontrou graça diante do Senhor, e será a mãe do messias. Como aconteceu com Maria, algo parecido se passa com cada cristão. Ao mesmo tempo em que ele se assusta diante das exigências da missão confiada, tem uma certeza de que é agraciado, de que Deus ao seu lado, e então não precisa ter medo.

Embora seja uma mulher muito jovem, Maria sabe como acontecem as realidades humanas. Não é boba, nem ingênua. Pureza não quer dizer “ignorância”. Para ter um filho, seria necessário estar engajada num relacionamento conjugal. E ela ainda era noiva de José. Então pergunta: “Como se fará isso, se eu não tenho relações sexuais com ninguém?” (Lc 1,34). Mais do que simples pergunta, revela-se aqui um traço da personalidade de Maria: ser uma pessoa questionadora. Ela não aceita sem pensar. Quer saber em que chão vai pisar, para assumir seu compromisso de forma livre e consciente. Então, Gabriel lhe explicar sobre a concepção virginal, sob ação do Espírito Santo.

Por fim, Maria responde com firmeza: “Eis aqui a servidora do Senhor”. Quando adulto, Jesus se apresentará “como aquele que serve”. Sua mãe já vive esta atitude do mestre. Ela não quer ser rainha, nem se deixa levar pelo orgulho e pela vaidade. Simplesmente, quer servir a Deus. Por isso, completa a sua resposta, dizendo: “Eu quero que se faça em mim segundo a sua vontade” (Lc 1,38). Aqui, novamente, o evangelista Lucas vê no gesto de Maria aquilo que vai orientar toda a vida de Jesus: buscar fazer a vontade do Pai, que algumas vezes não era tão clara, nem fácil. Exigia discernimento, com tempo de silêncio e oração. Especialmente, antes de tomar grandes decisões. Assim, o autor da Carta aos Hebreus relembra que Jesus realizou o que o Salmo 40 prenunciava: “O Senhor não quis sacrifícios de sangue. Ele me abriu os ouvidos e eu disse: Eis que venho para fazer sua vontade” (Heb 10,7).

Quando você ler novamente o texto da Anunciação, lembre-se que o “sim” de Maria não foi automático, feito de qualquer jeito e sem pensar. Ao contrário. Aconteceu em um diálogo com Deus. Maria escuta seu chamado, deixa-se surpreender pelo Senhor, se perturba, vence o medo, questiona e então responde com inteireza. Que Maria, a jovem de Nazaré, nos ensine a dar um sim consciente a Deus. Amém!

(Publicado na Revista de Aparecida)

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Viver as surpresas de Deus

Carlos e Luzia estavam conheceram-se no Grupo de Jovens. Naquele tempo, eram somente bons amigos. Carlos tocava violão, Luzia cantava muito bem. Depois, tornaram-se adultos e continuaram a atuar na Pastoral de Juventude, como assessores. Cada um fez seu caminho pessoal e profissional. Ela viveu uns namoros incertos. Ele gostava de “ficar com as meninas”, sem compromissos. Colecionava a lista das namoradas. Um dia, os dois se encontraram num passeio, sem esperar ou planejar, e se olharam de maneira diferente. Ele começou a tocar umas músicas, e ela cantou junto. Que surpresa! Um dueto lindo! Sintonia afinada. Daí começou um amor, que se consolidou no tempo. Para Luzia, o coração disparou. Carlos conta que naquele momento sentiu algo diferente, que nunca tinha experimentado. “Percebi que Deus veio ao meu encontro. Foi uma reviravolta. Renunciei a muitas coisas, refiz meus planos e hoje estou feliz”, diz ele. Do encontro inesperado e do encanto da música nasceu o amor intenso.

Maria, a mãe de Jesus também viveu momentos inesperados. Se a gente acompanha a vida dela, vê como Maria foi surpreendida por Deus. Soube acolher as surpresas e percebeu os sinais de Deus na vida. Tudo começou um dia em Nazaré da Galiléia. Uma cidade do interior, desconhecida para muitos. Talvez a jovem Maria nutrisse o desejo de ser mãe e ter muitos filhos. Ela conhecia o carpinteiro José. As famílias dos dois tinha já arranjado o casamento, como se fazia naquele tempo. Tudo parecia caminhar para o previsível. Então, vem um chamado de Deus, para ser a mãe do messias. No começo, Maria fica perturbada (Lc 1,29) e pergunta pelo sentido daquilo que ouve do enviado de Deus. Tudo parecia estranho e novo. Como iria acontecer isso? E os planos com José? (Lc 1,34). Maria acolheu a surpresa de Deus. Confiou e arriscou-se. Renunciou a muitos planos. Deus chegou para ela de maneira inesperada. E depois de questionar, pensar, escutar, ela assumiu inteiramente sua nova vocação.

Você pensa que foi somente esta a surpresa? Houve muitas outras. Imagine que ao encontrar a sua parenta Isabel, aconteceu algo imprevisto. Entre as duas há tamanha sintonia, que Isabel percebe que algo diferente está acontecendo em Maria. O Espírito Santo lhe revela, no coração, que ela tem uma fé enorme, é bendita entre as mulheres, e o fruto de seu ventre será o salvador! (Lc 1,41-45). Maria novamente acolhe esta surpresa de Deus. Encanta-se com aquele momento tão especial. Longe de se orgulhar ou se considerar mais importante do que os outros, louva a Deus com humildade: “Estou muito alegre e canto ao Senhor, que fez em mim maravilhas” (Lc 1,46-49).

Que Maria nos ensine a receber, com alegria e gratidão, as surpresas de Deus. Que ela abra os nossos olhos e nosso coração para reconhecer os momentos de Graça! Amém.

(Publicado na Revista de Aparecida, setembro de 2014)

segunda-feira, 24 de março de 2014

Anunciação na visão de pintores clássicos

Para você ver, meditar, contemplar e partilhar em comunidade as diferentes atitudes de Maria na Anunciação, retratadas por pinturas clássicas.


segunda-feira, 21 de março de 2011

quinta-feira, 25 de março de 2010

Anunciação

Hoje, dia 25 de Março, celebramos a festa da Anunciação.
“O anjo entrou onde ela estava, e disse: Alegre-se, agraciada por Deus, o Senhor está contigo”. Ouvindo isso, Maria ficou perturbada e perguntava sobre o sentido daquela saudação (Lc 1,28s). E Maria disse: “Eis aqui a servidora do Senhor. Faça-se em mim segundo a sua palavra” (Lc 1,38).
A anunciação fala do encontro de cada ser humano com Deus. Em Maria acontece algo que é reservado, em intensidade diferente, para cada ser humano, quando entra em diálogo salvífico com Deus. À luz desse encontro único e original de Deus com Maria, celebramos os múltiplos encontros do Senhor com seus seguidores.
- Como Maria, recebemos a visita de Deus, que vem ao nosso encontro, na casa, na cidade, no lugar onde estamos;
- Ele nos convida a nos alegrarmos, pois com sua presença ficamos felizes e daí brota alegria no coração e nos lábios;
- Em Deus cada um se sente agraciado(a); e este encanto nos enche de graça;
- Como Maria, recebemos uma missão exigente. Por isso, o próprio Deus assegura que vai estar conosco, como esteve com Moisés, com os profetas e com os discípulos de Jesus.
- Ao receber as surpresas de Deus, quem não se perturba? Por vezes, a mensagem é tão original, que é preciso pensar muito sobre o seu sentido, até descobrir todo seu alcance.
- Por fim, ressoa no mais íntimo de cada ser humano que busca a Deus e quer colaborar na grande corrente do Bem, o gesto de Maria: ser servidora, deixar a palavra viva moldar sua existência. E assim, engajar-se num grande projeto que a extensão da humanidade e do mundo.
Hoje, com Maria, renovamos nosso SIM a Deus.

Texto: Ir. Afonso Murad
Imagem: Anunciação, Lorenzo di Credi.

domingo, 30 de novembro de 2008

Maria acolhe a proposta de Deus


Você já deve ter lido o relato da anunciação (Lc 1,26-38). Ele se assemelha a outras cenas de anúncio de nascimento na Bíblia, como a Abraão (Gen 17,19-21), à mãe de Sansão (Jz 13,1-6), e à Zacarias (Lc 1,5-20). É um gênero literário com os mesmos elementos. Deus toma a iniciativa. Anuncia que virá uma criança importante, para contribuir no processo de libertação e salvação do seu povo. Às vezes, há obstáculos a serem superados. A pessoa questiona e Deus lhe oferece um sinal. O anúncio a Maria, em Lucas, tem algo original. Não só prepara o nascimento de Jesus, mas também mostra a vocação de Maria e sua resposta generosa.
O enviado de Deus começa com uma saudação simples: “Alegra-te, Maria” (Lc 1,28). Convida-a a participar da alegria do novo tempo, que começa com a vinda de Jesus (Lc 1,14.44.58 e 2,10). Lucas destaca a alegria como um sinal próprio de Jesus e de seus seguidores (Lc 10,17.21; 19,37; 24,52). Maria também é convidada a se alegrar.
Ela recebe um nome especial, que nenhuma outra pessoa tem na Bíblia: “agraciada” (Lc 1,28). A seguir, diz-se que “o Senhor está contigo”. Na Sagrada Escritura, quando a pessoa tem uma missão importante e difícil, recebe de Deus a promessa que não estará sozinha, pois Ele vai lhe dar força para realizá-la. Veja por exemplo, na vocação de Isaac (Gn 26,3.24), de Jacó (Gn 28,15), de Moisés (Ex 3,11s e 4,12), de Gedeão (Jz 6,12) e de Jeremias (Jer 1,19). Ao dizer: “o Senhor está contigo”, pede-se que a pessoa não tenha medo, confie em Deus e se comprometa. Assim também acontece com Maria.
As expressões iniciais colocadas nos lábios do enviado de Deus, estão cheias de sentido e nos falam de Maria e de sua missão:
Alegra-te: Maria, venha participar da alegria do tempo do Messias, que está chegando!
Cheia de Graça: Você é alguém muito especial, agraciada por Deus, contemplada por Ele.
O Senhor está contigo: Você terá uma missão exigente, mas o Senhor estará do seu lado, dando-lhe força para realizar o que Ele lhe pede.
Diante da proposta de Deus, Maria responde prontamente. O seu “sim” ecoa forte e sem ressalvas. Maria une a liberdade com a vontade: “Eis aqui a servidora do Senhor. Eu quero que se faça em mim segundo a tua palavra” (cf. Lc 1,37). Essa entrega do coração a Deus tem um nome muito simples: fé. Significa arriscar-se e jogar-se nas mãos do Senhor com confiança. Na visita a Isabel, essa lhe diz: “Feliz aquela que acreditou. Tudo o que o Senhor te disse, acontecerá” (Lc 1,45).
Maria não somente ouviu, mas escutou a palavra, acolheu-a no coração. Abriu seu espaço interior, deixou Deus entrar. Saiu de si e investiu sua vida num grande projeto. Lucas nos apresenta Maria como a primeira discípula cristã. Com a anunciação, ela inicia um longo caminho de peregrinação na fé, acolhendo o apelo de Deus. Aceita a proposta do Senhor com o coração aberto, num grande gesto de generosidade e de fé.
Como Maria, nós também recebemos um apelo divino. Temos na lembrança ao menos uma ocasião na vida, na qual Deus nos tocou de forma especial: um retiro, um encontro, conhecer uma pessoa, uma vitória almejada, a superação do sofrimento... Situações na qual sentimos que Deus nos comunicou algo novo, original, forte, que mudou para melhor nosso caminho de vida.
A anunciação a Maria nos lembra que somos também agraciados por Deus, que Ele está conosco, que nos chama a uma missão, e que sua presença produz alegria em nós.
A vocação de Maria é como um espelho para a vocação cristã. Olhando para ela, a gente se vê melhor, enquanto discípulo e seguidor de Jesus.