sábado, 16 de setembro de 2017

Maria modelo dos evangelizadores(as)

O Papa Francisco, na Exortação Apostólica “A Alegria do Evangelho” propõe cinco atitudes para os evangelizadores, como pessoas e comunidades em missão (EG 24).

(1) Ir na frente: a comunidade missionária experimenta que o Senhor tomou a iniciativa, precedeu-a no amor (1 Jo 4, 10). Por isso, ela vai à frente, vai ao encontro, procura os afastados e chega às encruzilhadas dos caminhos para convidar os que estão à margem.
(2) Envolver-se: com obras e gestos, os evangelizadores entram na vida diária dos outros, encurtam as distâncias, abaixam-se e assumem a vida humana, tocando a carne sofredora de Cristo no povo. Contraem assim o “cheiro de ovelha”, e estas escutam a sua voz.
(3) Acompanhar: a comunidade acompanha a humanidade em todos os seus processos, por mais duros e demorados que sejam. Conhece e suporta as longas esperas. A evangelização exige muita paciência, e evita deter-se nas limitações.
(4) Frutificar: o missionário mantém-se atenta aos frutos, porque o Senhor a quer fecunda. Cuida do trigo e não perde a paz por causa do joio. Encontra o modo para que a Palavra se encarne na situação concreta e dê frutos de vida nova, apesar de imperfeitos.
5) Festejar: os evangelizadores, cheios de alegria, sabem festejar. Celebram os passos dados, cada vitória. E se alimentam da liturgia.

Estas atitudes estão antecipadas em Maria, a mãe de Jesus. Ao olhar para ela, vemos que  Maria é o modelo dos discípulos-missionários/as.
- Maria sai na frente, indo depressa ao encontro de Isabel (Lc 1,39). Em Caná, toma a iniciativa, quando percebe que falta o principal da festa (Jo 2,1-12).
- Maria se envolve inteiramente na missão de educar Jesus. Quando este se torna adulto e parte em missão, ela acompanha discretamente seu filho. Diante da cruz, Maria assume a missão de mãe de toda a comunidade dos seguidores de Jesus (Jo 19,26).
- Porque Maria tem fé, escuta a Palavra, medita no coração e a frutifica. Bendito é o fruto de seu ventre, diz Isabel! (Lc 1,42). Quantas coisas boas Maria plantou e colheu durante sua existência.
- Por fim, ela sabe festejar. Seu cântico de louvor começa com uma explosão de alegria: “Minha alma engrandece o Senhor. E se alegra meu espírito em Deus, meu Salvador” (Lc 1,46).


Que Maria nos inspire para evangelizar com generosidade, ousadia, persistência e alegria. Que o Senhor Jesus desperte nosso coração, mobilize nossos pés e nos leve por caminhos novos, a serviço da humanidade. Maria, nossa mãe e companheira, vai com a gente!

Afonso Murad - Publicado no O DOMINGO

domingo, 10 de setembro de 2017

Marias das Dores

Seu nome é “Maria das Dores”. Amigos e parentes a chamam carinhosamente de “Dozinha”. Ela se casou com aquele que acreditava ser o homem de sua vida. O marido era infiel e dependente de bebida. Depois de alguns anos, deixou-a sozinha, com três crianças para criar. “E a vida foi uma luta só”, conta Dozinha. Sem desanimar, ela aprendeu a ser pai e mãe ao mesmo tempo. E o tempo passou. Os filhos crescerem. Ela tinha uma especial afeição por Rodrigo, o filho mais novo, que era carinhoso com ela.

Numa trágica sexta-feira, Rodrigo chegou em casa tarde. Comeu rapidamente, deu-lhe um beijo e disse que ia sair com os amigos. Seu coração de mãe sentiu um aperto. Veio uma dor forte, intensa, como nunca tinha acontecido. Dozinha começou a rezar umas Ave-Marias. Escutou então uns estampidos de tiros. Logo chegou a vizinha e lhe disse: “Seu filho foi baleado”. Dozinha correu, rezando e chorando. Encontrou o filho ensanguentado. Segurou-o nos braços, já sem vida.

A morte do filho provocou uma profunda crise de fé em Dozinha. Primeiro, ela se sentiu anestesiada. Depois, veio a grande sensação de perda, sem volta. Ela começou a clamar, a brigar com Deus. Sua longa vida de cristã, com muitas certezas, parecia ter se dissolvido. Então, lembrou-se da mãe de Jesus. Imaginou a sua dor na hora da cruz, o abandono que ela viveu. E pensou: “Nossa Senhora me entende”. Assim, Dozinha passou a rezar para que Maria lhe desse a força para “sair do túmulo” e viver novamente.

“A vida de Maria não acabou na sexta-feira da paixão. A minha também não vai terminar desse jeito”. Ao olhar para Maria, Dozinha vê a mulher forte, que não cedeu diante da dor e do sofrimento. Enfrentou-os com a cabeça erguida. Maria se tornou a mãe que lhe dá colo, a amiga entre as amigas. “As coisas ainda não estão resolvidas, mas fiz as pazes com Deus”.

A devoção popular desenvolveu o título de “Nossa Senhora das Dores”. Ele não pode ser uma forma de justificar as injustiças. Ou de manter a resignação diante da dor. Ao contrário. Maria se mostra como a mulher forte, que enfrenta com energia as adversidades, junto com José e com Jesus. Os evangelhos nos falam destas dificuldades, como a matança das crianças inocentes, a fuga para o Egito, a vida em terra estrangeira, a perda do menino no templo. E, para terminar, a dor na hora da cruz.

A partir de Jesus, nos sentimos solidários com todos os homens e mulheres que padecem. Afirmamos que Jesus é nossa esperança, o vencedor. Maria testemunha esta vitória de Cristo e nos acompanha como mãe amorosa. Como faz com Dozinha e tantas outras pessoas. Mãe das Dores, rogai por nós!
Texto: Afonso Murad - Publicado no Folheto ODomingo
Imagem: Sieger Koder

domingo, 3 de setembro de 2017

2ª Parte da Ladainha Mariana

Continuamos a rezar a ladainha de Nossa Senhora, a partir do perfil apresentado pelos evangelistas e à luz da Trindade. Complete com outras invocações...

Nos caminhos da Palestina
Primeira discípula do Senhor, rogai por nós.
Aquela que acolheu a Palavra de Deus, rogai por nós.
Aquela que guardou a palavra no coração, rogai por nós.
Aquela que frutificou a Palavra, rogai por nós.
Nossa irmã na fé, rogai por nós.
Pedagoga da fé em Caná, rogai por nós.
Atenta às necessidades humanas, rogai por nós.
Nossa intercessora, rogai por nós.
Mãe dos caminhantes, rogai por nós

Em Jerusalém: cruz e ressurreição
Maria de Jerusalém, rogai por nós.
Firme junto à cruz, rogai por nós.
Símbolo do sofrimento assumido, rogai por nós.
Ícone da fé, rogai por nós.
Perseverante em oração no cenáculo, rogai por nós.
Testemunha da ressurreição de Jesus, rogai por nós.
Batizada no Espírito em Pentecostes, rogai por nós.

Na Terra e no Céu
Maria, tão humana e cheia de Deus, rogai por nós.
Glorificada junto do Senhor, rogai por nós.
Filha predileta do Pai, rogai por nós.
Mãe, educadora e discípula do Filho, rogai por nós.
Templo do Espírito Santo, rogai por nós.
Modelo dos cristãos, rogai por nós.
Símbolo da ternura de Deus, rogai por nós.
Mãe das mães, rogai por nós.
Aquela que está mais perto de Deus e de nós, rogai por nós.

Colo de Deus em feição humana, rogai por nós.

Afonso Murad

domingo, 27 de agosto de 2017

Ladainha Mariana a partir da Bíblia

As ladainhas de Nossa Senhora apresentam alguns títulos e qualidades que o povo cristão atribui a Maria. Oferecemos aqui uma ladainha atual, que destaca suas qualidades bíblicas. Assim, a devoção mariana se torna mais profunda, pois está enraizada na Palavra de Deus e na fé em Jesus. Reze sozinho(a) ou em comunidade. E medite as palavras.

Em Nazaré
Maria de Nazaré, rogai por nós.
Menina que encantou os olhos de Deus, rogai por nós.
Amada de José, rogai por nós.
Jovem questionadora, rogai por nós.
Servidora do Senhor, rogai por nós.
Mulher do Sim sempre renovado.
Aquela que medita o sentido dos fatos, rogai por nós.
Educadora de Jesus, rogai por nós.
Aquela que vê Deus nos véus do cotidiano, rogai por nós.

Na casa de Isabel - Magnificat
Maria missionária, rogai por nós.
Símbolo da solidariedade, rogai por nós.
Feliz porque acreditou nas promessas de Deus, rogai por nós.
Amiga de Isabel, rogai por nós.
Cantora das obras de Deus, rogai por nós.
Símbolo de inteireza, rogai por nós.
Profetiza da justiça, rogai por nós.
Esperança de libertação integral, rogai por nós.

Em Belém
Maria de Belém, rogai por nós.
Companheira de José, rogai por nós.
Jovem Mãe de Jesus, rogai por nós.
Amiga dos pastores, rogai por nós.
Primeira testemunha da encarnação, rogai por nós.
Símbolo da alegria, rogai por nós.

No templo de Jerusalém
Maria de Jerusalém, rogai por nós.
Mulher oferente, rogai por nós.
Aquela que crê, sem tudo compreender, rogai por nós.
Peregrina na fé, rogai por nós.
Mãe dos peregrinos, rogai por nós.

Ir. Afonso Murad
Publicado no livro "Maria, toda de Deus e tão humana" e no folheto ODomingo
Desenho: Frater Anderson msc

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Aparecida: Mãe dos Católicos do Brasil

2ª Versão da Apresentação: "Aparecida. Significados pastorais para a Igreja do Brasil"

O culto à mãe de Deus na piedade popular

Esta é uma versão atualizada da apresentação: Devoção a Maria. Ancoragem e perespectivas.



sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Assumida e transformada: Assunção de Maria

O que significa a Assunção de Maria? Esta festa celebra que, ao terminar sua vida aqui na terra, ela foi totalmente assumida por Deus, de corpo e alma. Não uma simples “viagem ao céu” ou a reanimação de um morto, como Lázaro (Jo 11,43-44) e o filho da viúva de Naim (Lc 7,13-15). O corpo de Maria foi transformado por Deus, embora não saibamos os detalhes. Ela já experimenta o que está prometido para cada um de nós: sermos semelhantes a Jesus ressuscitado (1 Jo 3,2). Paulo assegurou: se morremos com ele, com ele ressuscitaremos (Rom 6,8). Maria está junto de Jesus, glorificada por inteiro. Deus assumiu e elevou sua história, o sim renovado, suas ações, a sua pessoa inteira.

O dogma da assunção estimula a fé, especialmente quando o mal parece destruir as conquistas do Bem. Deus assumiu e transformou tudo de bom que Maria construiu aqui na terra, inclusive o seu corpo. Olhando para Maria glorificada, a gente se anima a lutar pelo bem e pela justiça. Mesmo que a incompreensão e o fracasso pareçam mais fortes, cremos na vitória definitiva do Cristo ressuscitado. Ele inaugura o “Novo Céu e a Nova Terra”, onde Maria já está. Lá, Jesus ficará definitivamente juntinho de nós (Fil 1,23). Não haverá nem morte, nem sofrimento. O Senhor fará novas todas as coisas (Ap 21,1-7).

A assunção de Maria foi o término feliz de seu peregrinar nesse mundo. Cada vez que ela dava novos passos para seguir a Jesus, para realizar a vontade de Deus, o Senhor ia assumindo e transformando sua pessoa. Até que chegou o momento final. Acontece algo parecido com cada cristão. Na vida de fé, cada novo passo novo corresponde a um dom da parte de Deus. Ele nos acolhe, toma-nos pela mão, assume-nos e nos transforma. Conforme o Concílio Vaticano II, Maria assunta ao Céu é a imagem e o começo da comunidade dos seus seguidores, a ser consumada no futuro. Ela brilha aqui na terra como sinal de esperança segura e de conforto para o povo de Deus peregrino, até que chegue o dia do Senhor (Lumen Gentium 68).

Texto: Afonso Murad - Folheto ODomingo