domingo, 23 de julho de 2017

Maria e a alegria da festa

Numa festa animada, as pessoas se encontram e a alegria se multiplica. No tempo de Jesus, a festa de casamento tinha grande valor. As famílias se uniam e renovavam suas esperanças na continuidade da vida.  Recordava-se a aliança de Deus com seu povo (Is 62,5; Os 2,21-22). O vinho evocava o fascínio do amor humano (Ct 4,10) e o novo tempo do messias.
O evangelista escolhe as Bodas na cidadezinha de Caná para contar sobre o primeiro sinal de Jesus (Jo 2,1-12). Maria chega antes. Jesus e seus discípulos vieram também. Então, o vinho está terminando, a festa pode acabar! Maria faz um pedido discreto. Jesus responde: “O que nós temos a ver com isso, mulher? A minha hora ainda não chegou (Jo 2,4). O título “mulher” não é um desrespeito à sua mãe. Os profetas recorriam à imagem da mulher para representar a comunidade que responde ao convite amoroso de Deus. Jesus chama deste jeito à samaritana (Jo 4,21), anunciadora do messias para os não-judeus (Jo 4,28.41s). E à Madalena (Jo 20,15), primeira testemunha da ressurreição (Jo 20,17s). Assim, a mãe de Jesus é mulher e figura do povo de Deus fiel.

Parece que Jesus não quer se envolver com o problema. Maria não discute com ele. Rapidinho, encontra uma solução. Volta-se para os serventes: “Façam tudo o que ele disser a vocês” (Jo 2,5). Essas palavras têm grande força simbólica. Segundo João, Maria não só realiza a vontade de Deus na sua vida, como também orienta os outros a fazerem o que Jesus lhes pede. Torna-se assim a mestra e guia dos cristãos. Ela continua dizendo-nos hoje: “vale a pena buscar a vontade de Jesus, ouvir suas palavras e tomar atitudes concretas”. O documento da Puebla afirma que Maria é “pedagoga da fé”. Ela aponta para Jesus, leva-nos a ele, como fez com os que serviam na festa.
Os cristãos descobrem neste texto outras atitudes dela. Maria está atenta às necessidades humanas. Capta com grande sensibilidade um apelo que vem da realidade. Além disso, intercede junto a Jesus, para o bem de todos. Essa postura, que começa em Caná, continua hoje, pois ela é nossa intercessora, na comunhão dos Santos.

Jesus é o vinho novo e o esposo da festa da nova aliança de Deus com a humanidade. Começou o tempo da graça! Quem está com Jesus está com as vasilhas até a borda (2,7), transbordando de alegria. O Sinal de Caná abre caminho para a aventura da fé, pois a partir daí “seus discípulos creram nele” (2,11). A festa se conclui com o gesto de união, que reúne Maria, os discípulos, Jesus e seus familiares (2,12).

Que Maria de Caná desperte abra nosso coração para fazer o que Jesus disser;  e saborear a alegria do vinho novo, da festa da aliança e da fraternidade.
Afonso Murad - Publicado no Folheto O Domingo - Desenho: Max Gonçalves

domingo, 16 de julho de 2017

Quem são minha mãe e meus irmãos?

Certa vez, Jesus estava com seus discípulos e a multidão, quando alguém lhe disse: “Sua mãe e seus irmãos estão ali fora e querem vê-lo”. Jesus respondeu: “Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a colocam em prática” (Lc 8,19-21). Será que ele tratou mal à sua mãe? Teria esquecido a sua dedicação?

Um fato de hoje ajuda a entender a atitude de Jesus. Luis Carlos é voluntário da Pastoral dos enfermos. Nos hospitais, visita especialmente os que estão nas enfermarias e não recebem atenção dos outros. Veste um jaleco branco com o crachá de identificação. Um dia, se aproximou de uma mulher que estava sozinha. Quando ela o viu, reagiu: “Você não é da minha religião. Não quero saber de sua conversa! Vai embora”. Então Luis saiu, retirou o jaleco e o crachá. Voltou e lhe disse: “Joana, você aceita a visita de um amigo?” Meio sem graça, ela consentiu. E assim, Luis vinha visitá-la toda a semana. Até que um dia soube que Joana havia ganhado alta. Meses depois, quando estava no ônibus, alguém lhe bate no ombro. Luis se vira e vê Joana de pé. Ela olha nos seus olhos e diz emocionada: “Muito obrigado! Você foi para mim um irmão. Quando eu senti muita solidão e nenhum parente veio me visitar, você foi mais do que alguém da família!”

Jesus gostava muito de sua família. Ele recebeu boa educação de Maria e José, e não faria uma desfeita para sua mãe. No entanto, quando Jesus começou a sua missão, ele convocou homens e mulheres para fazer parte de uma nova família, não mais ligada por laços de parentesco. Nessa nova família o que importa era “ouvir a palavra e colocá-la em prática”, ser discípulo de Jesus, como a terra boa que acolhe e frutifica a semente do Evangelho (Lc 8,15). Alguns parentes não aceitaram a proposta de Jesus e o rejeitaram (Mc 6,1-6). 

Para Maria, a realidade foi outra. Ela não foi somente a mãe biológica, mas também aderiu ao grupo dos seus seguidores/as de Jesus. Acompanhava seu filho e os discípulos pelos povoados da Galileia. Na hora da cruz, Maria está ao lado de Jesus, com outras mulheres e o discípulo amado (Jo 19,25). Ela também participa da preparação de pentecostes (At 1,14 e 2,1). Maria fez parte tanto da família biológica de Jesus, quanto da nova família dos discípulos-missionários. Assim se entende a resposta de Jesus à mulher que, na multidão, elogia sua mãe biológica: “Felizes o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram”. Jesus diz: “Antes, felizes os que ouvem a palavra de Deus e a praticam” (Lc 11,27s). Tal expressão não é uma crítica, mas sim um elogio a Maria. Ela, mais do que ninguém, acolheu a palavra de Deus inteira e intensamente. Vivenciou-a de tal forma que se tornou, para todas a gerações, um modelo de fé, de amor solidário e de esperança.

Afonso Murad - Publicado no Folheto O Domingo - Ano Mariano
Imagem: Sieger Koder - Partilha do pão

sábado, 8 de julho de 2017

A vida em Nazaré: descobrir Deus no cotidiano


Constantemente somos bombardeados com o ideal do ser humano como “uma celebridade”, que deve aparecer o máximo possível. Nos perfil das redes sociais, as pessoas se mostram jovens e bonitas. Compartilham fotos e vídeos somente de momentos alegres. Por todo lado se estimula uma super-exposição. Nas igrejas cristãs se espalha a visão de que a fé exige milagres e manifestações extraordinárias. A meta é o sucesso na vida profissional, na saúde e na família. Acumular e mostrar muitos bens de consumo! Ora, se este é o modelo do ser humano feliz, então não se entende os longos anos silenciosos de Jesus em Nazaré, com Maria e José.

A chamada “vida oculta” da família de Nazaré nos diz que os frutos mais saborosos da vida necessitam de tempo para serem semeados, cultivados e amadurecidos. E há certos tesouros da vida pessoal que não devem se tornar públicos, pois perderiam seu encanto.
No livro O cotidiano de Maria de Nazaré, Clodovis Boff diz que na experiência de Maria, o lugar normal do encontro com o Divino é justamente o cotidiano. Assim, algumas pinturas representam a Anunciação quando ela se encontra fiando a lã ou tirando água da fonte. Ninguém podia imaginar o que se passava no reverso divino dessa vida igual à de todo mundo. Sua existência, seu rosto e até seu nome não tinham nada de especial no mundo em que vivia: eram comuns a tantas filhas de Israel.

Maria vivia esse cotidiano de forma extraordinária. Personificava cada evento, perguntando-se no fundo do coração o que Deus queria lhe dizer. A misteriosa alquimia para transfigurar sua vida era a meditação amorosa e confiante. Mulher reflexiva que era, repassava os acontecimentos de cada dia, num coração impregnado de fé e de amor (Lc 2,19.51). Ela experimentou sua existência com grande intensidade: a máxima alegria em eventos como a visitação e a ressurreição de Jesus, e a máxima dor em fatos como a perda no templo e a morte de Jesus na cruz.

O Papa Francisco nos diz: “a espiritualidade cristã propõe um crescimento na sobriedade e capacidade de se alegrar com pouco. É um regresso à simplicidade que nos permite parar a saborear as pequenas coisas, agradecer as possibilidades que a vida oferece sem nos apegarmos ao que temos nem entristecermos por aquilo que não possuímos. Isto exige evitar a dinâmica do domínio e da mera acumulação de prazeres” (Laudato Si 222). As pessoas que saboreiam mais e vivem melhor cada momento são aquelas que deixam de petiscar aqui e ali, sempre à procura do que não têm, e experimentam o que significa dar apreço a cada pessoa e a cada coisa, aprendem a familiarizar com as coisas mais simples e sabem alegrar-se com elas (nº 223).

Que Maria de Nazaré nos ensine a desenvolver a vida simples e centrada no essencial. Amém!

Texto: Afonso Murad - Publicado no Folheto "O DOMINGO"
Imagem: A Família de Nazaré - Murillo

sábado, 1 de julho de 2017

A mensagem atual de Aparecida

O Papa Francisco, em carta aos bispos da América Latina, diz que Aparecida é uma escola para aprender a seguir Jesus. E ele destaca três características.

(1) Os pescadores: são pessoas para encaram o dia a dia, enfrentando a incerteza do rio. Vivem com a insegurança de não saber qual seria o “ganho” do dia. Eles conhecem tanto a generosidade do rio, quanto a agressividade das águas nas enchentes. Acostumados a enfrentar os desafios da vida com teimosia, não deixam de lançar as redes. Esta imagem nos aproxima do centro da vida de tantos irmãos nossos. Pessoas que, desde cedo até a noite, saem para ganhar a vida, sem saber qual será o resultado. O que mais dói é ver que enfrentam a dureza gerada por um dos pecados mais graves do nosso Continente: a corrupção. Essa corrupção que arrasa com vidas, mergulhando-as na mais extrema pobreza. Corrupção que destrói populações inteiras, submetendo-as à precariedade. Como um câncer, vai corroendo a vida cotidiana de nosso povo. E aí estão tantos irmãos nossos que, de maneira admirável, saem para lutar contra este flagelo.

(2) A Mãe. Maria conhece bem a vida de seus filhos.  Está atenta e acompanha a vida deles. Maria “vai onde não é esperada. No relato de Aparecida, nós a encontramos no meio do rio, cercada de lama. Aí, espera seus filhos, está no meio de suas lutas e buscas. Não tem medo de mergulhar com eles nas situações difíceis da história e, se necessário, sujar-se para renovar a esperança”. Maria aparece onde os pescadores lançam as redes, ali onde as pessoas tentam ganhar a vida. Como mãe, está junto delas.

(3) O encontro. As redes se encheram de uma presença que deu aos pescadores a certeza que eles não estavam sós em sua labuta. Era o encontro desses homens com Maria. Depois de limpar e restaurar a imagem, levaram-na a uma casa onde ela permaneceu um bom tempo. Nesse lar os pescadores da região iam ao encontro de Aparecida. “E essa presença se fez comunidade, Igreja. As redes não se encheram de peixes, se transformaram em comunidade”.
Em Aparecida, encontramos um povo forte e persistente. Consciente que suas redes, sua vida, está cheia da presença Maria, que o anima a não perder a esperança. Uma presença que se esconde no cotidiano, nesses silenciosos espaços nos quais o Espírito Santo continua sustentando nosso Continente. Tudo isto nos apresenta sua mensagem, que devemos acolher.


Para terminar, Francisco nos diz: “viemos como filhos e como discípulos para escutar e aprender o que hoje, 300 anos depois, este acontecimento continua nos dizendo. Aparecida não nos traz receitas, mas chaves, critérios, pequenas grandes certezas para iluminar”. E sobretudo, acender o desejo de voltar ao essencial da nossa fé. Amém!

Afonso Murad - Publicado na "Revista de Aparecida"

sábado, 24 de junho de 2017

Aprender dos Encontros e desencontros

Vinicius de Morais dizia que “a vida é a arte do encontro, embora haja muitos desencontros pela vida”. Na existência humana é assim: por mais que se cultive a sintonia, o entendimento, a reciprocidade, há momentos em que as diferenças aparecem e surgem os conflitos. Também essas ocasiões são oportunidades de crescimento.

Lucas narra uma cena com Jesus adolescente, aos 12 anos (Lc 2,41-50). Quando alcançava essa idade, o homem era assumido como membro do povo de Israel. Deixava de ser uma criança. Maria e José  estão voltando da peregrinação ao templo de Jerusalém. Depois de um dia de caminhada, percebem que o menino não está no meio do grupo, nem entre os parentes e conhecidos. Voltam então ao templo, e três dias depois encontram Jesus. Ele ouvia, questionava e discutia com os “doutores”, nome dado aos que interpretavam as Sagradas Escrituras judaicas. A consciência messiânica irrompe neste adolescente inquieto, com impressionante vigor. Depois, serão muito anos de silêncio, em Nazaré, até que Jesus inicie sua missão (Mc 1,15).

Seus pais, ao verem tal cena, se surpreendem e ficam emocionados. Maria desempenha o papel que cabe a pais e educadores. Isso implica por limites, advertir, corrigir: “Meu filho, por que você fez isso conosco? Estávamos angustiados, à sua procura!”(v.48). Jesus responde de forma surpreendente, dizendo que ele deve estar na casa do Pai. E eles não entendem o que Jesus lhes diz. Precisavam ainda caminhar na fé, para compreender muitas coisas que Jesus dirá e fará, quando anunciar o Evangelho.

Então, eles voltam para casa. E, como acontecia naquele tempo (hoje não é bem assim), Jesus obedecia aos seus pais. E nesta vida simples, junto com seu povo, Jesus ia crescendo “em sabedoria, em estatura e graça, diante de Deus e dos homens” (Lc 2,52). Quanto à Maria e à José, eles também evoluíam, aprendendo e ensinando, em uma convivência amorosa e calorosa. E possivelmente aconteceram outras crises. Simeão havia profetizado: “Uma espada atravessará sua alma” (Lc 2,15). A dor na hora da cruz foi a mais evidente, mas outras também aconteceram.
Lucas repete a mesma expressão que usou na cena do nascimento: “Maria guardava estes fatos, meditando-os no seu coração” (Lc 2,19.51). Isso significa que Maria aprende com os fatos, estabelece a ligação entre eles, cresce na compreensão. A fé é sempre aposta em Deus, acreditar nas suas promessas, caminhar na esperança, em meio a luzes e sombras.


Que Maria nos ensine a bem educar as novas gerações, a aprender com os acontecimentos, a crescer no amor e na fé, nos encontros e desencontros da vida.

Afonso Murad - Publicado no Folheto O Domingo.
Imagem: Perda no templo - Versão Africana de jesusmafa.com 

sábado, 17 de junho de 2017

Ofertar para multiplicar: apresentação no Templo

Lucas 2,21-23 narra a ida de José, Maria e o bebê Jesus a Jerusalém. Por volta de 40 dias depois do nascimento do filho mais velho (primogênito), a mãe e o pai deviam ir ao templo de Jerusalém oferecer o filho a Deus. Levavam também a oferta para o sacrifício religioso, que normalmente era um cordeirinho. Mas, como Maria e José eram pobres, ofereceram somente dois pombinhos (v.24). No Templo, a família de Nazaré encontra o velho Simeão (v.25-35) e a profetiza Ana (v.36-38). Ambos representam o antigo povo de Israel, que acolhe com alegria e esperança o messias. Simeão profetiza que Jesus será causa de contradição, revelará o que está escondido no coração das pessoas e a própria Maria sofrerá na carne um grande conflito, devido às exigências de Jesus (v.34-35).

O gesto não visava somente cumprir um preceito legal. Quando Maria vem com Jesus e José ao templo, ela oferta a si própria a Deus. Carregando o bebê no colo, Maria se apresenta diante do Senhor com generosidade. Ela renova o compromisso que tinha feito com Deus, na anunciação. Pois as opções mais profundas na vida, mesmo se feitas uma vez para sempre, precisam ser renovadas e reafirmadas. Era como se Maria dissesse a Deus: Eu aceitei Teu chamado, e Teu filho se faz carne na minha carne. Obrigada! Agora, eu e José assumimos o compromisso de amá-lo e educá-lo. De Ti recebemos a graça desta criança. A ti oferecemos esta criança, como uma dádiva”.

L. Palú e R. Pelaquin, expressaram de forma poética a postura de Maria e José:
Nossa Senhora vai, por entre o povo/ À luz do sol, à luz das profecias.
Leva nas mãos o seu menino lindo/ No coração, certezas e agonias (alegrias).
E cada vez que eu abro as mãos, feliz/ Para ofertar com gosto o coração.
Eu me enriqueço, o mundo se enriquece/ Renovo o gesto da apresentação.
Leva seu filho ao Templo/ E o sacerdote ofereceu Jesus ao Pai da Luz
Maria ergueu suas mãos em prece/ que nunca mais ficaram sem Jesus.

Quando oferecemos a Deus nossos dons, trabalhos, conquistas e esperanças, recriamos o gesto da apresentação de Maria. Enriquecemos a nós mesmos, à sociedade e ao mundo. As mãos de Maria, que simbolizam a disposição livre de se engajar na causa de Deus, sempre estão com Jesus. Ela não o retém. Entrega-o a Deus e a nós.

Que Maria educadora nos ensine a surpreendente lógica do evangelho: quando partilhamos o que somos e temos, Deus multiplica as sementes e os frutos.

Afonso Murad - Folheto O Domingo - Ano Mariano (18/06/17)

domingo, 11 de junho de 2017

Maria e a Trindade

Nosso Deus se revela como o Pai criador, o Filho encarnado e o Espírito que dá vida e nos santifica. 

Quando proclamamos “Maria, mãe de Deus”, conforme o dogma, afirmamos que ela é a mãe do Filho de Deus encarnado. A pessoa inteira de Jesus Cristo, humano e divino. Ela não se torna uma deusa, nem é adicionada da Trindade. Como Deus-Comunidade se entrega a nós através de Jesus e do seu Espírito,  a maternidade de Maria toca cada pessoa divina.

Em relação a Deus-Pai, Maria é uma filha predileta, escolhida por Ele. Alguém agraciada com ternura pelo Criador, que a moldou com especial carinho. Ao mesmo tempo, Maria realiza, de forma humana, a eterna geração que o Pai realiza com o Filho, no seio da Trindade. Como toda mãe, ela é figura humana do amor criador de Deus.
Em relação ao Filho de Deus encarnado, Maria é mãe, educadora, discípula e companheira. Seu relacionamento com Jesus foi além dos laços de família. Esteve junto de Jesus durante a vida terrena, e agora, glorificada, continua pertinho do Filho ressuscitado, o Nosso Senhor.
Em relação ao Espírito Santo, Maria é a pessoa contemplada, ungida, transparente. Tornou-se um templo vivo de Deus. Os frutos do Espírito possibilitaram que ela se transformasse, por Graça de Deus, na mãe do messias e mãe da comunidade. Maria  participa de Pentecostes (At 1,13s e 2,1). O Espírito, derramado sobre a comunidade cristã, se torna o fogo que nos aquece e ilumina no seguimento a Jesus.

Quando se diz, que Maria é “mãe do criador”, não se fala aí de Deus Pai, mas do Filho de Deus que participa da criação (Jo 1,2s). A maternidade não diz respeito a Deus-Pai, nem ao Espírito Santo. Assim é a relação profunda de Maria com a Trindade: filha amada de Deus Pai, Mãe do Filho de Deus encarnado, ungida pelo Espírito.

Maria nos leva sempre a Jesus. Assim, vivemos nossa vocação de discípulos/as missionários/as do Senhor. E provamos a beleza da Trindade: Deus antes de nós (o Pai materno), Deus conosco (Jesus) e Deus em nós (Espírito Santo).

Afonso Murad - Material do Ano Mariano, publicado no folheto O Domingo
Imagem: Eva Campbell