quarta-feira, 17 de março de 2021

José de Nazaré: um pai com ternura

 

Papa Francisco aponta sete características da paternidade de José de Nazaré, chamado de “São José” pelos cristãos das Igrejas católica e ortodoxa. Resumo da Carta Apostólica “Com coração de Pai”.

17  de Março

Com coração de pai: assim José amou a Jesus, designado nos quatro Evangelhos como «o filho de José». Os dois evangelistas que puseram em relevo a sua figura, Mateus e Lucas, narram pouco, mas o suficiente para fazer compreender o género de pai que era e a missão que Deus lhe confiou.

(1) Um amado Pai

 A grandeza de São José consiste no fato de ter sido o esposo de Maria e o pai de Jesus. Por seu papel na história da salvação, São José é um pai amado pelo povo cristão. A ele foram dedicadas numerosas igrejas por todo o mundo; muitos institutos religiosos, confrarias e grupos eclesiais se inspiram na sua espiritualidade e adotam o seu nome.

A confiança do povo em São José está contida na expressão «vão a José», que faz referência ao período de carestia no Egito, quando o povo pedia pão ao Faraó e ele respondia: «Ide ter com José; fazei o que ele vos disser» (Gn 41, 55). Tratava-se de José, filho de Jacob, que acabara vendido, vítima da inveja dos seus irmãos (Gn 37, 11-28); e posteriormente tornou-se vice-rei do Egito (Gn 41, 41-44).

Enquanto descendente de David (Mt 1, 16.20) e como esposo de Maria de Nazaré, São José constitui a dobradiça que une o Antigo e o Novo Testamento.

2. Pai na ternura

Dia após dia, José via Jesus crescer «em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens» (Lc 2, 52). Como o Senhor fez com Israel, assim ele ensinou Jesus a andar, segurando-O pela mão: era para Ele como o pai que levanta o filho contra o seu rosto, inclinava-se para Ele a fim de Lhe dar de comer (Os 11, 3-4).

Jesus viu a ternura de Deus em José: «Como um pai se compadece dos filhos, assim o Senhor Se compadece dos que O temem» (Sal 103, 13). Com certeza, José terá ouvido ressoar na sinagoga, durante a oração dos Salmos, que o Deus de Israel é um Deus de ternura, que é bom para com todos e «a sua ternura repassa todas as suas obras» (Sal 145, 9).

A história da salvação realiza-se, «na esperança para além do que se podia esperar» (Rm 4, 18), através das nossas fraquezas. Muitas vezes pensamos que Deus conta apenas com a nossa parte boa e vitoriosa, quando, na verdade, a maior parte dos seus desígnios se cumpre através e apesar da nossa fraqueza. Se esta é a perspectiva da economia da salvação, devemos aprender a aceitar, com profunda ternura, a nossa fraqueza.

A ternura é a melhor forma para tocar o que há de frágil em nós. Muitas vezes o dedo em riste e o juízo que fazemos a respeito dos outros são sinal da incapacidade de acolher dentro de nós mesmos a nossa própria fraqueza, a nossa fragilidade. Só a ternura nos salvará da obra do Acusador (Ap 12, 10). Deus não nos condena, mas acolhe-nos, abraça-nos, ampara-nos, perdoa-nos. Apresenta-se sempre como o Pai misericordioso da parábola (Lc 15, 11-32): vem ao nosso encontro, devolve-nos a dignidade, levanta-nos, ordena uma festa para nós, dando como motivo que «este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi encontrado» (Lc 15, 24).

A vontade de Deus, a sua história e o seu projeto passam também através da angústia de José. Assim ele nos ensina que ter fé em Deus inclui também acreditar que Ele pode intervir inclusive através dos nossos medos, das nossas fragilidades, da nossa fraqueza. No meio das tempestades da vida, não devemos ter medo de deixar a Deus o timão da nossa barca. Por vezes queremos controlar tudo, mas o olhar d’Ele vê sempre mais longe.

3. Pai na obediência

De forma parecida a quanto fez com Maria, manifestando-Lhe o seu plano de salvação, Deus revelou a José os seus desígnios por meio de sonhos, que na Bíblia, como em todos os povos antigos, eram considerados um dos meios pelos quais o Senhor manifesta a sua vontade.

Por sua vez, o evangelista Lucas refere que José enfrentou a longa e incómoda viagem de Nazaré a Belém, devido à lei do imperador César Augusto relativa ao recenseamento, que impunha a cada um registar-se na própria cidade de origem. E foi precisamente nesta circunstância que nasceu Jesus (cf. 2, 1-7), sendo inscrito no registo do Império, como todos os outros meninos.

Em todas as circunstâncias da sua vida, José soube pronunciar o seu «fiat» (faça-se!), como Maria na Anunciação e Jesus no Getsémani. Na sua função de pai de família, José ensinou Jesus a ser obediente aos pais (Lc 2, 51), segundo o mandamento de Deus (Ex 20, 12).

Ao longo da vida oculta em Nazaré, na escola de José (e de Maria), Jesus aprendeu a fazer a vontade do Pai. Tal vontade torna-se o seu alimento diário (cf. Jo 4, 34). Mesmo no momento mais difícil da sua vida, vivido no Getsémani, preferiu que se cumprisse a vontade do Pai, e não a sua, fazendo-Se «obediente até à morte de cruz» (Flp 2, 8). Por isso, o autor da Carta aos Hebreus conclui que Jesus «aprendeu a obediência por aquilo que sofreu» (5, 8).

Então, «José foi chamado por Deus para servir diretamente a Pessoa e a missão de Jesus, mediante o exercício da sua paternidade: desse modo, precisamente, ele coopera no grande mistério da Redenção, quando chega a plenitude dos tempos, e é verdadeiramente ministro da salvação».


3 comentários:

Estevão disse...

Muito bom. Obrigado

Unknown disse...

Que bênção! Gratidão pela partilha deste momento de oração e reflexão!

Unknown disse...

Rogai por nós São José.