sábado, 17 de junho de 2017

Ofertar para multiplicar: apresentação no Templo

Lucas 2,21-23 narra a ida de José, Maria e o bebê Jesus a Jerusalém. Por volta de 40 dias depois do nascimento do filho mais velho (primogênito), a mãe e o pai deviam ir ao templo de Jerusalém oferecer o filho a Deus. Levavam também a oferta para o sacrifício religioso, que normalmente era um cordeirinho. Mas, como Maria e José eram pobres, ofereceram somente dois pombinhos (v.24). No Templo, a família de Nazaré encontra o velho Simeão (v.25-35) e a profetiza Ana (v.36-38). Ambos representam o antigo povo de Israel, que acolhe com alegria e esperança o messias. Simeão profetiza que Jesus será causa de contradição, revelará o que está escondido no coração das pessoas e a própria Maria sofrerá na carne um grande conflito, devido às exigências de Jesus (v.34-35).

O gesto não visava somente cumprir um preceito legal. Quando Maria vem com Jesus e José ao templo, ela oferta a si própria a Deus. Carregando o bebê no colo, Maria se apresenta diante do Senhor com generosidade. Ela renova o compromisso que tinha feito com Deus, na anunciação. Pois as opções mais profundas na vida, mesmo se feitas uma vez para sempre, precisam ser renovadas e reafirmadas. Era como se Maria dissesse a Deus: Eu aceitei Teu chamado, e Teu filho se faz carne na minha carne. Obrigada! Agora, eu e José assumimos o compromisso de amá-lo e educá-lo. De Ti recebemos a graça desta criança. A ti oferecemos esta criança, como uma dádiva”.

L. Palú e R. Pelaquin, expressaram de forma poética a postura de Maria e José:
Nossa Senhora vai, por entre o povo/ À luz do sol, à luz das profecias.
Leva nas mãos o seu menino lindo/ No coração, certezas e agonias (alegrias).
E cada vez que eu abro as mãos, feliz/ Para ofertar com gosto o coração.
Eu me enriqueço, o mundo se enriquece/ Renovo o gesto da apresentação.
Leva seu filho ao Templo/ E o sacerdote ofereceu Jesus ao Pai da Luz
Maria ergueu suas mãos em prece/ que nunca mais ficaram sem Jesus.

Quando oferecemos a Deus nossos dons, trabalhos, conquistas e esperanças, recriamos o gesto da apresentação de Maria. Enriquecemos a nós mesmos, à sociedade e ao mundo. As mãos de Maria, que simbolizam a disposição livre de se engajar na causa de Deus, sempre estão com Jesus. Ela não o retém. Entrega-o a Deus e a nós.

Que Maria educadora nos ensine a surpreendente lógica do evangelho: quando partilhamos o que somos e temos, Deus multiplica as sementes e os frutos.

Afonso Murad - Folheto O Domingo - Ano Mariano (18/06/17)

domingo, 11 de junho de 2017

Maria e a Trindade

Nosso Deus se revela como o Pai criador, o Filho encarnado e o Espírito que dá vida e nos santifica. 

Quando proclamamos “Maria, mãe de Deus”, conforme o dogma, afirmamos que ela é a mãe do Filho de Deus encarnado. A pessoa inteira de Jesus Cristo, humano e divino. Ela não se torna uma deusa, nem é adicionada da Trindade. Como Deus-Comunidade se entrega a nós através de Jesus e do seu Espírito,  a maternidade de Maria toca cada pessoa divina.

Em relação a Deus-Pai, Maria é uma filha predileta, escolhida por Ele. Alguém agraciada com ternura pelo Criador, que a moldou com especial carinho. Ao mesmo tempo, Maria realiza, de forma humana, a eterna geração que o Pai realiza com o Filho, no seio da Trindade. Como toda mãe, ela é figura humana do amor criador de Deus.
Em relação ao Filho de Deus encarnado, Maria é mãe, educadora, discípula e companheira. Seu relacionamento com Jesus foi além dos laços de família. Esteve junto de Jesus durante a vida terrena, e agora, glorificada, continua pertinho do Filho ressuscitado, o Nosso Senhor.
Em relação ao Espírito Santo, Maria é a pessoa contemplada, ungida, transparente. Tornou-se um templo vivo de Deus. Os frutos do Espírito possibilitaram que ela se transformasse, por Graça de Deus, na mãe do messias e mãe da comunidade. Maria  participa de Pentecostes (At 1,13s e 2,1). O Espírito, derramado sobre a comunidade cristã, se torna o fogo que nos aquece e ilumina no seguimento a Jesus.

Quando se diz, que Maria é “mãe do criador”, não se fala aí de Deus Pai, mas do Filho de Deus que participa da criação (Jo 1,2s). A maternidade não diz respeito a Deus-Pai, nem ao Espírito Santo. Assim é a relação profunda de Maria com a Trindade: filha amada de Deus Pai, Mãe do Filho de Deus encarnado, ungida pelo Espírito.

Maria nos leva sempre a Jesus. Assim, vivemos nossa vocação de discípulos/as missionários/as do Senhor. E provamos a beleza da Trindade: Deus antes de nós (o Pai materno), Deus conosco (Jesus) e Deus em nós (Espírito Santo).

Afonso Murad - Material do Ano Mariano, publicado no folheto O Domingo
Imagem: Eva Campbell

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Maria e o Espírito Santo

Maria é especialmente contemplada pelo Espírito Santo. Torna-se mãe do Salvador devido à ação criadora dele. “O Espírito Santo descerá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso, aquele que vai nascer será chamado santo, Filho de Deus” (Lc 1,35).
Há uma relação clara da ação do Espírito na Anunciação com dois momentos-chave na missão de Jesus. No batismo: o céu se abriu e o Espírito Santo desceu sobre ele, E do céu veio uma voz: “Tu és o meu filho amado; em ti está o meu agrado” (Lc 3,21s). E na transfiguração: Estava ainda falando, quando desceu uma nuvem que os cobriu com sua sombra. E da nuvem saiu uma voz que dizia: “Este é o meu Filho, o Eleito. Escutai-o!” (Lc 9,34s).
Na transfiguração uma nuvem desce sobre os discípulos e lhes cobre com sua sombra (Lc 9,34). Isso significa: envolver, proteger, revestir com a glória divina. Este fato nos lembra a nuvem que cobre a “Tenda do Encontro”,  ao acompanhar o Povo de Deus na sua peregrinação no deserto, rumo à terra prometida (Ex 40,35.37). Mais tarde, a tradição cristã relê este versículo e considera Maria como a nova tenda do encontro, na qual Deus se aproxima da humanidade por meio da encarnação de seu Filho.
O Espírito age em Maria não somente na encarnação do Filho de Deus, mas também lhe dando a energia para acolher o mistério divino, fazer-se serva e peregrinar como discípula do Senhor e mãe da comunidade.
O Espírito atua em Jesus, dá-lhe a força e poder de pregar e libertar (Lc 4,14.18). No tempo da Igreja, o Espírito é o poder de Deus,  concedido pelo ressuscitado aos que creem (At 1,8; 6,8; 10,38). Atualiza a presença de Jesus no mundo. Pelo Espírito, os seus seguidores operam maravilhas como Jesus: curar, perdoar, dar vida aos mortos, mover paralisados, expulsar as forças do mal, enfrentar os poderosos sem medo (At 3,6-10; 4,8-10). Na força do Espírito Santo, os cristãos enfrentam o sofrimento, a perseguição e a morte (At 12,1-5). A comunidade vive desafios novos, como a entrada dos pagãos no grupo dos seguidores de Jesus. É necessário arriscar e discernir a vontade de Deus à luz do Espírito, como acontece no Concílio de Jerusalém (At 15).
Maria participa da ação criadora do Espírito, individualmente, no seu próprio corpo. E toma parte da ação coletiva do Espírito em Pentecostes. Personagem central na encarnação, participa discretamente no mistério da difusão do Espírito a todos os povos.
Redescobrimos hoje a força do Espírito Santo na vida dos cristãos. Maria aparece como a figura do ser humano que se deixa moldar pelo Espírito. Nela o Espírito habita, faz morada, toca a corporeidade, a subjetividade, os desejos e as ações.
João Paulo II mostra essa ligação da ação do Espírito Santo em Maria, na anunciação e em pentecostes: “a caminhada de fé de Maria, que vemos a orar no Cenáculo, é mais longa do que a dos outros que aí se encontravam reunidos: Maria "precede-os", vai adiante deles. O momento do Pentecostes em Jerusalém foi preparado pelo momento da Anunciação em Nazaré. No Cenáculo, o itinerário de Maria encontra-se com a caminhada da fé da Igreja” (RM 26).
E Francisco nos diz que o Espírito Santo e Maria estão juntinhos, na nossa missão evangelizadora: Juntamente com o Espírito Santo, sempre está Maria no meio do povo. Ela reunia os discípulos para o invocarem (At 1, 14), e assim tornou possível a explosão missionária que se deu no Pentecostes. Ela é a Mãe da Igreja evangelizadora e, sem Ela, não podemos compreender o espírito da nova evangelização (EG 284).
Maria, templo do Espírito, é também profetiza da justiça e da misericórdia de Deus na história. Ela simboliza a humanidade transformada pelo Espírito. Este mesmo Espírito anima os que se empenham pela cidadania planetária, na qual se rompe a lógica da exclusão e se colocam juntos os humanos, a água, o solo, o ar, as plantas, os animais, e os ecossistemas. O Espírito, que dá a vida, renova por dentro a homens e mulheres, e os chama para cuidar da vida em toda a sua extensão, especialmente onde ela está mais ameaçada. Entre os mais pobres e excluídos. Em defesa da Terra e dos seus biomas.
O Espírito Santo faz com pessoas de diferentes línguas e culturas se entendam.  Ele nos impulsiona a cultivar a unidade, no meio das diferenças. Estar no Espírito significa superar os preconceitos, a intolerância, em favor do diálogo, do respeito e da colaboração recíproca. A começar da nossa comunidade, e passando pelas diferentes igrejas que formam a Igreja de Jesus. Por isso, a semana que antecipa pentecostes é especialmente dedicada a cultivar o ecumenismo. Na companhia de Maria, invocamos, como no Salmo 104: “Envia teu Espírito Senhor, e renova a face da Terra”.
Oremos:
Bendita és tu, Maria, templo do Espírito,
morada do Filho de Deus encarnado,
discípula e mãe ungida pelo Senhor Jesus. Amém


(Afonso Murad)

domingo, 28 de maio de 2017

Orar como Maria: o Magnificat

O evangelista Lucas coloca nos lábios de Maria um belo cântico, que em latim se chama “Magnificat” (Lc 1,46-56). Traduzindo na linguagem de hoje, seria: “proclamo a grandeza (de Deus)”. Baseado no cântico de Ana (1 Sam 2,2-10), e escrito muitos anos depois da visita a Isabel, o Magnificat expressa várias características de Maria. E consiste numa verdadeira lição de oração para nós, hoje.
Maria inicia sua oração com um louvor intenso, que brota do mais íntimo, onde se integram as emoções e as convicções (v.46-47). Qual a razão desta incontida alegria? Deus olhou para sua condição social: jovem, mulher, da desconhecida Nazaré, na Galiléia (v.48). Maria reconhece com gratidão que Deus fez nela maravilhas (v. 49). E aí reside o segredo da humildade: não em autodesvalorização, mas sim em uma percepção real do que somos, agradecendo a Deus por tanta graça recebida. A pessoa humilde, como Maria, não ignora suas qualidades; e sim as coloca à disposição dos outros.

A oração de Maria começa na interioridade, na alma, no espírito, no coração, e dali se expande. Sai de si mesma, louvando a Deus pela misericórdia que se prolonga “de geração em geração”, na história de seu povo, no atual momento e no futuro (v.50). Ecoa nela a fé bíblica que o amor de Deus é “para sempre”, pois podemos prova-lo tanto na criação como nos fatos (Sl 136).
A seguir, baseada no cântico de Ana e antecipando as Bem-aventuranças e os alertas de Jesus (Lc 6,20-26),  Maria proclama que Deus faz uma grande mudança na realidade social. A boa nova de Jesus tem repercussão estrutural. Exige uma mudança na distribuição dos bens produzidos e do exercício do poder (v.51-53). Embora utilizando a imagem da inversão, não propõe simplesmente uma mudança de posição, e sim novas relações.

Por fim, Maria recorda que este tempo novo do Messias, que se inaugura com ela, é a realização da promessa a Abraão (v.54-55). Este homem, símbolo da fé do povo de Israel, confiou radicalmente em Deus, deixou sua segurança para trás e saiu em busca de nova terra.
Portanto, o cântico de Maria resume os diversos elementos da oração cristã: louvor, ação de graças, recordação, súplica, reconhecimento da ação de Deus no coração de cada pessoa e na sociedade.  Situada no presente, faz memória e abre-se de forma esperançada para o futuro. Maria, ensina teu povo a rezar!

Fonte: Afonso Murad, Folheto O Domingo, 28/05/17

domingo, 21 de maio de 2017

Maria e Isabel: Um encontro surpreendente!

Lucas relata que, logo depois da anunciação, Maria partiu para a região montanhosa, onde morava sua parenta Isabel, casada com Zacarias (Lc 1,39-40). Isabel estava grávida de João Batista, o que era maravilhoso, pois ambos tinham idade avançada e Isabel, incapaz de ter filhos (1,7). Para os judeu, era triste chegar ao fim da vida sem deixar descendência.

Naquele tempo, sem recursos médicos, tal gravidez de risco exigia cuidados especiais. Isabel estava no sexto mês de gravidez. E lá foi Maria, apressadamente. Sim, o amor tem pressa. Não espera, antecipa-se, cuida, zela. Mas, pensando bem, que contribuição poderia dar uma adolescente como Maria, sem experiência de gravidez e parto? Não haveria outras mulheres e parentes vizinhas, mais aptas para isso? E pelo jeito, Maria ficou lá três meses e voltou antes do menino nascer (1,56-58).
A solidariedade se move por razões além da mera eficácia. Maria vai ao encontro de Isabel, porque o “sim” a Deus levava a um “eis-me aqui” para a pessoa humana em necessidade. A raiz da solidariedade não reside em fazer coisas ou dar objetos que sobram, mas sim fazer-se próximo, como Jesus conta na parábola do bom samaritano (Lc 10,29-37). Não aconteceu uma visitinha rápida, mas um permanecer na casa de Isabel durante 90 dias. Maria é exemplo dos cristãos solidários e missionários.

O que Maria leva para Isabel? Em primeiro lugar, o contentamento que ela recebe de Deus (1,28). O feto de João Batista vibra de alegria (1,41.44) dentro de Isabel, logo que Maria saúda sua parenta. Ela, cheia do Espírito Santo, proclama: “Bendita é você entre as mulheres e bendito é o fruto do seu ventre” (1,42). Não precisou falar nada. Bastou o encontro, a troca de olhares, o gesto de acolhida. Além disso, as duas compartilharam durante estes meses as alegrias e esperanças de duas mulheres grávidas. Maria ensinou e aprendeu muito com Isabel. E as duas não estavam sozinhas, pois as famílias judaicas se reuniam como clãs, com muitos parentes em volta. Aconteceu uma “comunidade solidária” de mulheres. Por fim, este encontro prenuncia a relação futura de João Batista com Jesus e prepara cântico de louvor entoado por Maria (1,46-55).

A Mãe de Jesus nos ensina a beleza e o valor dos encontros e das visitas. Que ela suscite em nós o ardor missionário de quem se faz próximo, para ajudar, compartilhar e aprender, na grande escola da vida.


Afonso Murad - 3ª Reflexão do Ano Mariano - Folheto O DOMINGO, 21/5/17

domingo, 14 de maio de 2017

José o companheiro fiel de Maria

Várias pinturas representam São José trabalhando na carpintaria, enquanto Maria se ocupa de Jesus. Atualmente  há gravuras mostrando o pai adotivo de Jesus cuidando do menino. Tal imagem corresponde melhor à visão do evangelista Mateus acerca de José.

Mateus relata a anúncio do anjo a José, durante o sono (Mt 1,18-25). Os dois estão prometidos em casamento, e Maria aparece grávida por ação do Espírito Santo. O que se passou com ele: perplexidade, dúvida, decepção, perda da segurança? Superada a crise, José acredita na sua amada, e apesar de todas as evidências, confia nela. É um homem justo (v.19), não por cumprir a lei, que o permitia denunciá-la por adultério. Mas sim porque realiza a nova lei do amor, que Jesus propõe no Sermão da Montanha (Mt 5,1-48). A misericórdia, consiste em ir além do que o outro aparentemente merece. Sentir por dentro sua dor e suas necessidades. José viveu este amor por Maria. E também foi correspondido. Entre os dois havia uma grande sintonia.

Segundo Mateus, José é o companheiro de Maria e o protetor de Jesus. Acolhe-a amorosamente como sua esposa (Mt 1,24). Conduz a criança e sua mãe para fora do país, a fim de escapar das garras do poderoso Herodes (Mt 2,13-15). Eles enfrentam os perigos da noite e de uma terra estranha, vivendo como refugiados. Anos mais tarde, José traz de volta a família (Mt 2,19-23), para Nazaré da Galileia. Lá trabalha como carpinteiro e agricultor e ensina seu ofício para Jesus. Vida silenciosa, aparentemente sem nada de especial. Junto com Maria, educou Jesus. Pois “o menino crescia em sabedoria, idade e graça, diante de Deus e dos homens” (Lc 2,40).

Quantas coisas boas José e Maria compartilharam no correr dos anos que viveram, um ao lado do outro! Troca de olhares, afeto, cuidado, divisão de tarefas. Expectativas e preocupações do cotidiano de pessoas comuns. Alegria na mesa, contentamento com os primeiros frutos da colheita, oração em família. Ambos, educadores de Jesus, ajudaram a moldar o perfil humano do filho de Deus encarnado.
São José, companheiro fiel de Maria, rogai por nós!

Afonso Murad - 3ª Reflexão do Ano Mariano - Folheto O DOMINGO, 14/5/17

domingo, 7 de maio de 2017

Alegre-se! Deus está com você!

O relato da Anunciação (Lc 1,26-38) nos diz muito sobre Maria, exemplo de vida para nós, cristãos de hoje.
Gabriel, o mensageiro de Deus, saúda: Alegre-se! (v.28). Convida Maria a participar da alegria do novo tempo, que começa com a vinda de Jesus. Lucas destaca a alegria como sinal próprio de Jesus e de seus seguidores (Lc 10,17.21; 19,37; 24,52). Maria é a primeira convidada a se alegrar. Quando Deus se aproxima de nós, contagia-nos com sua alegria. É surpresa e gratuidade, encanto e novidade recriadora.
Maria recebe um nome especial, que nenhuma outra pessoa tem na Bíblia: agraciada, favorecida, aquela que tem o favor do Senhor, ou que “encontrou graça diante de Deus” (v.30). E com uma intensidade tão grande! São Jerônimo, quando traduziu a bíblia para o latim, usou a expressão “cheia de graça”. Deus prepara Maria para um grande desafio, iluminando-a especialmente com sua Luz divina.

A seguir, diz: o Senhor está com você. Na bíblia, quando alguém recebe uma missão importante e difícil, tem a promessa que não estará sozinha; Deus lhe dará forças para realizá-la. Por exemplo, no chamado a Moisés (Ex 3,11s e 4,12), a Gedeão (Jz 6,12) e a Jeremias (Jer 1,19). Pede-se que a pessoa não tenha medo, confie em Deus e se comprometa, como acontece com Maria.

Alegre-se, agraciada, o Senhor está com você. Essa frase revela quem é Maria aos olhos de Deus: mulher tocada pela graça divina, que a faz encantadora, agraciada e graciosa. Ser humano iluminado pelo Deus da Vida. Colaboradora de Deus, como mãe e educadora de Jesus. Pessoa forte para lidar com os medos e enfrentar os desafios.

Também essa expressão toca cada discípulo(a) missionário(a) de Jesus. Deus convida para alegria duradoura, que só ele nos dá. Concede-nos tantas bênçãos e graças no correr da existência. Como somos agraciados! Encanta-nos com seu amor misericordioso. Quer contar conosco para promover o bem no mundo. E para isso, nos alerta: as dificuldades virão. Mas eu estou com vocês. 
Que Maria nos dê a generosidade de responder, com alegria e coragem: sim, conte comigo, Senhor!

(Afonso Murad - Publicado no Folheto Litúrgico O DOMINGO, em 7/5/17)

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Deus vem ao encontro de Maria (anunciação)

A anunciação a Maria (Lc 1,26-38) se assemelha a outras cenas bíblicas de anúncio de concepção e nascimento, como a Abraão (Gn 17,19-21) e à mãe de Sansão (Jz 13,1-6). No evangelho de Lucas, está construído em paralelo com o anúncio a Zacarias (Lc 1,5-20). Todos eles mostram que o Senhor toma a iniciativa e que deste encontro resulta algo muito bom para a pessoa e o povo de Deus.

A bíblia, palavra divina em linguagem humana, utiliza gêneros literários. Reflexão de fé, utiliza elementos poéticos e simbólicos. Por isso, não se pode tomar isoladamente cada palavra ou frase, com se fosse simples descrição histórica. O que nos comunica o gênero literário anúncio? Deus toma a iniciativa. Ele vem sempre na frente, preparando o futuro. Através de um mensageiro divino, denominado “anjo”, anuncia que virá uma criança importante, para contribuir no processo de salvação. Às vezes, há obstáculos a serem superados. A pessoa questiona “como acontecerá isso?” e Deus lhe oferece um sinal.

Mas o anúncio a Maria é o único na bíblia que termina com uma resposta. Também é um relato de missão. Prepara o nascimento de Jesus e também diz da vocação especial de Maria e de sua resposta generosa. Deus toma a iniciativa. Maria se sente agraciada por Deus, dialoga com ele e, ao final, responde com inteireza. Compromete-se em ser a mãe do salvador. E a vida dela mostrará muitos outros compromissos.

Maria nos revela o jeito cristão de ser. Tudo começa de Deus, que vem ao nosso encontro, independente do lugar onde estamos (Lc 1,28). A gente se encanta com sua luz e bondade. Percebe também as dificuldades e obstáculos. E como Maria, podemos dizer: “eis aqui o servidor(a) do Senhor. Que se faça em mim segundo a sua vontade” (Lc 1,38).

Afonso Murad - Publicado no Folheto "O Domingo", para o ano Mariano

terça-feira, 2 de maio de 2017

Maria: discípula, mãe e irmã (Segundo Agostinho)

Peço-vos que repareis no que diz o Senhor ao estender a mão para os seus discípulos: Estes são minha mãe e meus irmãos e Quem fizer a vontade de meu Pai, que Me enviou, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe. Porventura não fez a vontade do Pai a Virgem Maria, que acreditou pela fé e concebeu pela fé, que foi escolhida para que d’Ela nascesse a salvação entre os homens e que foi criada por Cristo antes de Cristo ter sido criado n’Ela? Maria cumpriu, e cumpriu perfeitamente, a vontade do Pai; e, por isso, Maria tem mais mérito por ter sido discípula de Cristo do que por ter sido mãe de Cristo; mais ditosa é Maria por ter sido discípula de Cristo do que por ter sido mãe de Cristo. Portanto, Maria era bem aventurada, porque, antes de dar à luz o Mestre, trouxe O no seio.

Vê se não é como digo. Passava o Senhor, acompanhado da multidão e fazendo milagres divinos. E uma mulher exclamou: Bem aventurado o ventre que Te trouxe. Ditoso o ventre que Te trouxe. E o Senhor, para que se não buscasse a felicidade na natureza material da carne, que respondeu? Mais felizes os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática. Por isso também Maria era feliz porque ouviu a palavra de Deus e a pôs em prática; guardou mais a verdade de Cristo na sua mente do que o corpo de Cristo no seu seio. Cristo é verdade; Cristo é carne. Cristo é verdade no espírito de Maria, Cristo é carne no seio de Maria; é mais o que está no espírito do que o que se traz no seio.

Maria é santa, Maria é bem aventurada. Mas é mais importante a Igreja do que a Virgem Maria. Por quê? Porque Maria é uma parte da Igreja, membro santo, membro excelente, membro supereminente, mas apesar disso membro do corpo total. Se é membro do corpo, é certamente mais o corpo do que o membro. A cabeça é o Senhor, e Cristo total é a cabeça e o corpo. Que mais direi? Temos no corpo da Igreja uma cabeça divina, temos a Deus por cabeça.

Reparai, portanto em vós mesmos, irmãos caríssimos. Também vós sois membros de Cristo, também vós sois corpo de Cristo. Vede como o sois, quando Ele diz: Eis minha mãe e meus irmãos. Como sereis mãe de Cristo? Todo aquele que ouve e pratica a vontade de meu Pai que está nos Céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe. Quando diz «irmãos» e «irmãs», fala evidentemente da mesma e única herança. É uma só, na verdade, a herança. Por isso, a misericórdia de Cristo, que sendo único não quis ficar só, fez de nós herdeiros do Pai e herdeiros consigo.

Fonte: Sermões de Santo Agostinho,  Sermo 25, 7-8: PL (Patrística Latina) 46, 937-938)

sábado, 22 de abril de 2017

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Maria junto a cruz

Firme de Pé, junto da Cruz
Estava Maria, a mãe de Jesus


domingo, 2 de abril de 2017

Curso MARIA NA BÍBLIA



Caros amigos e amigas:

Tenho um presente para vocês e suas comunidades: Curso de Educação a Distância sobre Maria na Bíblia. São 10 vídeo-aulas, gratuitas, com texto para acompanhar, realizado em parceria com a Século 21. Olhem! Se gostarem, usem e me ajudem a divulgar! 
Cliquem no link abaixo para se inscreverem no curso.


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