quinta-feira, 1 de abril de 2010

Maria das dores

A tradição católica enfatiza na semana santa as “Dores de Maria”. Recorda o sofrimento da mãe de Jesus ao ver o filho percorrer o triste caminho do calvário. Em algumas regiões do Brasil, faz-se na quarta-feira santa a “procissão do encontro”. Os homens vêem em procissão com a imagem de Jesus, e as mulheres, com a estátua de Maria. Com o nome sugere, os dois grupos se encontram ao final, para celebrar o trágico momento no qual Maria e Jesus convergem na trilha pública que o leva à morte.
Na sexta-feira da paixão multiplicam-se as vias sacras, os teatros da “paixão do Senhor”, na qual o drama encontra seu ápice na cena da cruz. Lá está Jesus, à beira da morte, acompanhado pelos dois ladrões (o bom e o maldoso), Maria e o discípulo amado. E, por fim, a terrível cena da “pietà”, na qual Maria sustenta nos braços o corpo morto de Jesus. Ao menos três dores do Maria no mesmo dia.
Maria, a mãe de Jesus, provavelmente viveu tal sofrimento, também partilhado pelos discípulos. A devoção popular, estimulada pelo clero e pelas correntes maximalistas, viu nestas cenas o fundamento de “Maria corredentora”. A idéia era muito simples. Dizia-se que Jesus nos salvou pela intensidade de seu sofrimento na cruz. Por isso, quanto mais sangue e mais sofrimento, maior seria a redenção. E Maria, como sofreu com Jesus na cruz, participou deste processo como ninguém, padecendo com seu coração de mãe.

Esta forma de refletir sobre as dores de Maria capta algo real: a solidariedade no sofrimento. Maria, a serva de Deus, está em profunda sintonia com Jesus, o Servidor da Humanidade, aquele no qual a comunidade cristã viu realizada a profecia do “Servo Sofredor”, anunciado por Isaías. Mas a reflexão deixa na sombra algo vital. A redenção trazida por Jesus não se realizou somente devido à morte na cruz. A salvação, oferecida em Jesus, é um longo processo. Começa na noite de natal, com a encarnação. Acontece em cada gesto de Jesus, quando anuncia o Reino de Deus, cura, inclui os pobres e pecadores, e fala do Pai. O gesto salvífico encontra seu ápice na cruz, expressão máxima do amor, a ponto de dar a vida. E só encontra sua plena compreensão à luz da ressurreição. Por isso, é mais correto afirmar que Jesus nos salva pelo seu nascimento, pela sua vida, pela sua morte e pela ressurreição.
Maria faz parte dessa história salvífica de forma especial. É a mãe de Jesus, personagem importante no mistério da encarnação. Em certo momento da vida, compreende o apelo de Jesus e se põe humildemente no caminho de seguidora. É aquela que realiza o perfil do discípulo: escuta a palavra, guarda no coração e a frutifica. E, no momento da cruz, é perseverante na fé. Por fim, participa com a comunidade de Jesus da alegria da sua ressurreição e do dom do Espírito.
É importante ver todo o trajeto da vida de Maria, junto a Jesus e seus discípulos. Não somente o momento da morte de cruz.
Precisamos compreender o lugar de Maria junto a Jesus e à sua comunidade, que hoje somos nós. Com ela, seguimos silenciosos o caminho de Jesus do calvário, até a cruz. Com ela também cantamos vibrantes a alegria da ressurreição. Aleluia!

3 comentários:

maria disse...

QUE MULHER ABRIRIA SEUS BRAÇOS PARA ACOLHER COMO FILHO ALGUÉM QUE MALTRATOU O FILHO DE SUAS ENTRANHAS??? JESUS DEU ESSA MISSÃO A MARIA E ELA A ACEITOU CONFIANDO AO CRIADOR A TAREFA DE JULGAR A HUMANIDADE E DESEJA QUE OUÇAMOS SUA VOZ A REPETIR: FAÇAM TUDO QUE MEU FILHO VOS DISSER, POIS ELE PROVIDENCIOU O PERDÃO AOS QUE SE ARREPENDEM, VENCENDO A MORTE, PROVANDO SEU AMOR. PARA OS QUE VOLTAM A CAMINHAR NA LUZ SÃO GARANTIDAS A FORÇA E A SABEDORIA. ELE DISPENSA AMOR QUE NÃO ACABA POR NADA, PORQUE É DIVINO E PODE TUDO!!!

Raúl Villalba, 5to Periodo ISTA disse...

Afirmar que la salvación nos vino a partir del nacimiento (Dios se hizo hombre) de la vida (modelo y anunciador del Reino del Padre) muerte de cruz (entrega total por amor) y resurrección(la aprobación final del padre) y no solamente mediante la trágica muerte de Cruz es muy pertinente para nuestra época porque con mucha frecuencia escuchamos que fuimos salvados gracias a la trágica muerte de Jesús y que él vino solamente para morir en la cruz en nuestro lugar(expiación vicaria)
Me parece que la devoción, un poco exagerada de Maria a los pies de la Cruz, no es solamente porque los padres inculcaron, sino tambien, las personas ven reflejadas sus dolores en la figura de Maria, la madre sufridora. Es cierto que hay que intentar salir del maximalismo, y dejar bien claro que el redentor es el Hijo, pero no podemos negar que la figura de Maria que acompaña al hijo muestra la humanidad de esta mujer y en ella varias madres contemplan tambien sus sufrimientos.
Comparto que existe exageración y que debe ser combatida, pero esta devoción popular no solo tiene un gran alcance por ser impulsado por el clero, sino tambien, en el sufrimiento de Maria se refleja el sufrimiento humano.

Frei: Ismail Lisboa Miranda disse...

Nossa senhora das Dores. O povo de Deus em geral, tem grande devoção a este titulo dando a Maria. Quando em especial na semana santa se lembra este momento na vida de Maria, quando ela passa por este momento de dor, por ver seu filho sendo flagelado e morto, com morte de cruz.
Só que, eu vejo um problema, muita gente fica preso a esta titulo, nossa senhora das Dores, e não percebe a grandeza da vida de Maria. Mulher pelegrina, mulher que esta a serviço da comunidade. Acaba sendo um titulo onde coremos o risco de ficarmos preso nele, e se isso acontecer vamos empobrecer toda vida de Maria. Por que não vamos perceber a contribuição de Maria Mulher, Mãe, no projeto salvifico de Deus, para com a humanidade.