terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Imaculada Conceição

A festa da Imaculada Conceição pode ser simbolicamente uma festa de toda a humanidade!
No Cântico que abre a Carta aos Efésios, Paulo proclama: “Antes da criação do mundo, Deus nos escolheu em Cristo para sermos diante dele santos e imaculados” (Ef 1). O sonho de Deus para toda a humanidade é este: criar laços de amor com as pessoas; crescer em sabedoria, idade e graça; louvar o criador; construir uma sociedade justa, solidária e sustentável, cuidar do belo jardim que é o nosso Planeta.
Mas, não somos assim. O ser humano, criado em Cristo na força do Espírito, à imagem e semelhança da Trindade, carrega na sua história pessoal e coletiva também a iniqüidade, a fragmentação, a fragilidade, a liberdade cativa que necessita ser libertada, para escolher o bem e não se desviar do caminho. Aí está o enigma da condição humana: tão bela e capaz dos piores horrores!
Quando a devoção à imaculada se espalhou pelo oriente e o ocidente, não havia preocupação em definir um dogma. A grande intuição residia na compreensão que nesta pessoa especial ecoava algo que dizia respeito a todos os homens e mulheres. Tanto que Tanto que a Igreja ortodoxa reconhece esta devoção, mas não aceita sequer discutir a questão dogmática. Os orientais crêem que, com a encarnação do Filho de Deus no mundo, tanto a humanidade quanto o cosmos caminham em direção à divinização. Jamais seremos deuses, mas participaremos da vida de Deus.
Simbolicamente, o dogma da Imaculada sustenta que esta graça criadora, redentora e santificadora, atuou em Maria de uma maneira extraordinária, potencializando seu ser, tornando-a capaz de responder ao apelo com inteireza e intensidade ímpar. Esta mulher agraciada não é menos humana que nós. Ao contrário. É a humanidade querida por Deus.
Maria de Nazaré não é rainha, nem mulher poderosa. Lucas e João apresentam-na como a servidora do Senhor, a serviço da grande causa de Jesus e do Reinado de Deus. Vive tantos papéis, como a de educadora e discípula de Jesus, mãe e seguidora. Deve fazer um longo caminho na fé. Acolhe o que não compreende, por isso deve meditar e guardar no coração, procurando o sentido dos fatos. Aponta para Jesus, e nada retém para si: “Façam tudo o que ele disser a vocês”. Persevera até o fim! Participa com a comunidade do sofrimento da cruz e da alegria da vinda do Espírito.
As pinturas da Imaculada, como a famosa de Murillo, apresentam-na como uma mulher bela, jovial, com as mãos em prece ou abertas. Acolhe a luz e a graça que se origina somente de Deus. Que bela imagem, que sonho alentador! Que a imaculada nos inspire a inteireza, a beleza que brota da ética, as mãos que se abrem para cuidar de si, dos outros, do mundo. Amém!
Texto de Afonso Murad

Um comentário:

Wenderson disse...

São Gaspar Bertoni meditava esse dogma convidando todos os que desejam tornar-se afeiçoados devotos de Maria e imitadores de sua pureza a assentar-se à sombra agradabilíssima desta Árvore do Paraíso, pois seus frutos serão imensamente doces a nosso paladar. Ela estende benevolamente os ramos de sua proteção sobre todos os seus servos, mesmo os que não têm mérito algum. Por isso, quem, no deserto árido deste mundo, sentir-se açoitado pelos ardores tórridos da concupiscência procure abrigo à sombra desta Árvore benéfica e aí encontrará refrigério, repouso e saúde para seu exangue e desnorteado coração. Maria, se torna aqui concretização do projeto salvifico de Deus, sua imaculada conceição é simplesmente sua fidelidade a esse projeto.