sábado, 1 de fevereiro de 2014

Apresentação de Jesus no Templo

No dia 2 de fevereiro se celebra, em vários lugares do Brasil, a Apresentação do menino Jesus no Templo. Em algumas localidades, transformou-se em uma festa mariana, chamada “Nossa Senhora das candeias”. Parece que o nome deriva de prática piedosa de oferecer velas (candeias) aos santos. O fato é narrado em Lucas 2,11-13. Tratava-se de uma obrigação da religião judaica na época. Por volta de 40 dias depois do nascimento do filho mais velho (primogênito), a mãe e o pai iam ao templo de Jerusalém oferecer o filho a Deus. E levavam também a oferta para o sacrifício religioso, que normalmente era um cordeiro novo. Mas, como Maria e José eram pobres, ofereceram somente dois pombinhos.
No evangelho de Lucas, a importância da cena está no fato de que, ao ir ao Templo, a família de Nazaré encontra a viúva Ana e o velho Simeão. Ambos representam o antigo povo de Israel, que acolhe com alegria e esperança o messias. Simeão profetiza que Jesus será causa de contradição, revelará o que está escondido no coração das pessoas e a própria Maria sofrerá na carne um grande conflito, devido às exigências de Jesus.
No correr dos séculos, quando os cristãos leram novamente este texto de Lucas, descobriram algo mais. O gesto de José e Maria não era somente para cumprir um preceito legal. Quando Maria leva Jesus ao templo, ela oferta a si própria a Deus. Carregando o bebê no colo, Maria se apresenta diante do Senhor com grande generosidade. Ela renova o compromisso que tinha feito com Deus, no momento da anunciação. Pois sabemos, por experiência, que as opções mais profundas na vida, mesmo se feitas uma vez para sempre, precisam ser renovadas e reafirmadas. Era como se Maria dissesse para Deus: Eu aceitei Teu chamado, e Teu filho se faz carne na minha carne. Obrigada! Agora, eu e José assumimos o compromisso de amá-lo e educá-lo. De Ti recebemos a graça desta criança. A ti oferecemos esta criança, como uma dádiva”.
Faz muitos anos eu aprendi uma música sobre a Apresentação, de L. Palú e R. Pelaquin. Ela traduziu de maneira orante e poética o sentido do gesto de Maria e José. Diz assim:
Nossa Senhora vai, por entre o povo/ À luz do sol, à luz das profecias.
Leva nas mãos o seu menino lindo/ No coração, certezas e agonias (alegrias).
E cada vez que eu abro as mãos, feliz/ Para ofertar com gosto o coração.
Eu me enriqueço, o mundo se enriquece/ Renovo os gestos da apresentação.
Leva seu filho ao Templo/ E o sacerdote ofereceu Jesus ao Pai da Luz
Maria ergueu suas mãos em prece/ que nunca mais ficaram sem Jesus.

A grande lição da festa da Apresentação, que serve para cada um de nós, é esta: quando a gente oferece a Deus nossos dons, trabalhos, conquistas e esperanças, recriamos o gesto da apresentação. Enriquecemos a nós mesmos, à sociedade e ao mundo. As mãos de Maria, que simbolizam sua disposição livre de se engajar na causa de Deus, sempre estão com Jesus. Ela não o retém. Entrega-o a Deus e a nós.
Que Maria educadora nos ensine a surpreendente lógica do evangelho: quando dividimos o que somos e temos, Deus multiplica os frutos do nosso trabalho.

Ir. Afonso Murad
(Este texto foi resumido e atualizado para a publicação no ano mariano)

Um comentário:

Cleiton SI disse...

Este texto do Ir. Afonso Murad apresenta os seguintes elementos para a nossa compreensão de Maria e da celebração da Apresentação do Senhor:
1 - A pobreza do casal de Nazaré, que mesmo desprovido de bens, eles têm algo para oferecer. Na nossa vida não é muito diferente, pois como diz a canção cantada nas nossas liturgias: “pois as mãos mais pobres são as que mais se abrem para tudo dar.”
2 - A oferta do Filho de Deus no Templo também é a oferta de sua Mãe. Maria se oferta a si mesma, renovando a promessa feita à Deus durante a visita do Anjo. Na nossa vida, somos sempre convidados a renovar o nosso ‘Sim’ de seguimento à Jesus e de adesão ao Reino de Deus.
3 - Nesta solenidade do Senhor, muitos religiosos aproveitam também para fazer ou renovar os seus votos à Deus, nos lembrando da nossa aliança feita ao Senhor na Vida Consagrada.
4 - Nesta oferta à Deus, nós devemos também ofertar toda a nossa vida, junto com os nossos dons e também os nossos limites para que Deus nos ajude a viver segundo à sua vontade.