Maria é especialmente
contemplada pelo Espírito Santo. Torna-se mãe do Salvador devido à ação criadora
dele. “O Espírito Santo descerá sobre ti,
e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso, aquele que vai
nascer será chamado santo, Filho de Deus” (Lc 1,35).
Há uma relação clara da ação
do Espírito na Anunciação com dois momentos-chave na missão de Jesus. No
batismo: o céu se abriu e o Espírito
Santo desceu sobre ele, E do céu veio uma voz: “Tu és o meu filho amado; em ti
está o meu agrado” (Lc 3,21s). E na transfiguração: Estava ainda falando, quando desceu uma nuvem que os cobriu com sua sombra.
E da nuvem saiu uma voz que dizia: “Este é o meu Filho, o Eleito. Escutai-o!”
(Lc 9,34s).
Na transfiguração uma nuvem
desce sobre os discípulos e lhes cobre com sua sombra (Lc 9,34). Isso
significa: envolver, proteger, revestir com a glória divina. Este fato nos
lembra a nuvem que cobre a “Tenda do Encontro”, ao acompanhar o Povo de Deus na sua
peregrinação no deserto, rumo à terra prometida (Ex 40,35.37). Mais tarde, a tradição
cristã relê este versículo e considera Maria como a nova tenda do encontro, na
qual Deus se aproxima da humanidade por meio da encarnação de seu Filho.
O Espírito age em Maria não
somente na encarnação do Filho de Deus, mas também lhe dando a energia para
acolher o mistério divino, fazer-se serva e peregrinar como discípula do Senhor
e mãe da comunidade.
O Espírito atua em Jesus, dá-lhe
a força e poder de pregar e libertar (Lc 4,14.18). No tempo da Igreja, o Espírito
é o poder de Deus, concedido pelo ressuscitado
aos que creem (At 1,8; 6,8; 10,38). Atualiza a presença de Jesus no mundo. Pelo
Espírito, os seus seguidores operam maravilhas como Jesus: curar, perdoar, dar
vida aos mortos, mover paralisados, expulsar as forças do mal, enfrentar os
poderosos sem medo (At 3,6-10; 4,8-10). Na força do Espírito Santo, os cristãos
enfrentam o sofrimento, a perseguição e a morte (At 12,1-5). A comunidade vive
desafios novos, como a entrada dos pagãos no grupo dos seguidores de Jesus. É
necessário arriscar e discernir a vontade de Deus à luz do Espírito, como
acontece no Concílio de Jerusalém (At 15).
Maria participa da ação
criadora do Espírito, individualmente, no seu próprio corpo. E toma parte da
ação coletiva do Espírito em Pentecostes. Personagem central na encarnação,
participa discretamente no mistério da difusão do Espírito a todos os povos.
Redescobrimos hoje a força do
Espírito Santo na vida dos cristãos. Maria aparece como a figura do ser humano
que se deixa moldar pelo Espírito. Nela o Espírito habita, faz morada, toca a
corporeidade, a subjetividade, os desejos e as ações.
João Paulo II mostra essa
ligação da ação do Espírito Santo em Maria, na anunciação e em pentecostes: “a caminhada de fé de Maria, que vemos a
orar no Cenáculo, é mais longa do que a dos outros que aí se encontravam
reunidos: Maria "precede-os", vai adiante deles. O momento do
Pentecostes em Jerusalém foi preparado pelo momento da Anunciação em Nazaré. No
Cenáculo, o itinerário de Maria encontra-se com a caminhada da fé da Igreja”
(RM 26).
E Francisco nos diz que o
Espírito Santo e Maria estão juntinhos, na nossa missão evangelizadora: Juntamente com o Espírito Santo, sempre está
Maria no meio do povo. Ela reunia os discípulos para o invocarem (At 1, 14), e
assim tornou possível a explosão missionária que se deu no Pentecostes. Ela é a
Mãe da Igreja evangelizadora e, sem Ela, não podemos compreender o espírito da
nova evangelização (EG 284).
Maria, templo do Espírito, é
também profetiza da justiça e da misericórdia de Deus na história. Ela
simboliza a humanidade transformada pelo Espírito. Este mesmo Espírito anima os
que se empenham pela cidadania planetária, na qual se rompe a lógica da
exclusão e se colocam juntos os humanos, a água, o solo, o ar, as plantas, os
animais, e os ecossistemas. O Espírito, que dá a vida, renova por dentro a
homens e mulheres, e os chama para cuidar da vida em toda a sua extensão,
especialmente onde ela está mais ameaçada. Entre os mais pobres e excluídos. Em
defesa da Terra e dos seus biomas.
O Espírito Santo faz com pessoas
de diferentes línguas e culturas se entendam.
Ele nos impulsiona a cultivar a unidade, no meio das diferenças. Estar no Espírito significa superar os
preconceitos, a intolerância, em favor do diálogo, do respeito e da colaboração
recíproca. A começar da nossa comunidade, e passando pelas diferentes igrejas
que formam a Igreja de Jesus. Por isso, a semana que antecipa pentecostes é
especialmente dedicada a cultivar o ecumenismo. Na companhia de Maria,
invocamos, como no Salmo 104: “Envia teu Espírito Senhor, e renova a face da
Terra”.
Oremos:
Bendita és
tu, Maria, templo do Espírito,
morada do
Filho de Deus encarnado,
discípula e
mãe ungida pelo Senhor Jesus. Amém
(Afonso Murad)






