domingo, 22 de maio de 2016
quinta-feira, 12 de maio de 2016
Os títulos de Maria
Sou romeiro e
no seu dia, na multidão mãe querida
Me ajoelho e
rezo, Nossa Senhora Aparecida
Nossa Senhora
da Glória, de Lurdes, de Nazaré (..)
Minha mãe,
nossa senhora, somos todos filhos seus
Todas as
nossas senhoras são a mesma mãe de Deus.
Nesta bela música, intitulada “Todas as Nossas Senhoras”,
Roberto Carlos expressa de forma simples e poética uma prática comum do Povo
católico. Costumamos invocar a Maria, pedir seu auxílio e proteção, com muitos
e diferentes nomes. A lista é interminável e tem origens diferentes. Alguns títulos
provém da devoção de institutos de consagrados. Por exemplo: NS do Rosário
(dominicanos/as), NS Auxiliadora (salesianos/as), NS do Perpétuo Socorro
(redentoristas), Mãe três vezes admirável (Shönestad).
Outros títulos de Maria
fazem alusão à experiência de videntes de aparições reconhecidas pela Igreja,
como NS de Fátima, NS de Lurdes, NS de Salete e NS de Guadalupe. Há ainda
títulos que relembram devoções que se transformaram em dogmas marianos, como Imaculada
Conceição e Assunção. Para este último título, há muitas outras invocações, que
se desenvolveram em diferentes regiões. NS. da Glória, NS da Boa Viagem (para o
céu!) e NS da Abadia traduzem a mesma crença: Maria já está glorificada, de
corpo e alma, junto de Jesus na comunhão dos Santos.
Há títulos marianos engraçados, como NS das Cabeças.
Trata-se de uma imagem do Brasil colonial, na qual Maria está cercada de
cabecinhas de anjos. Ou ainda, NS do Bom Sucesso, que era invocada para que as
mulheres não tivessem problemas no parto. E também se usam títulos marianos
provenientes de momentos da vida de Maria, como NS de Nazaré, NS da Piedade
(Maria com o filho morto no colo), NS das Dores (especialmente a dor da cruz).
E, para concluir sem terminar, também se invoca Maria com títulos simbólicos,
sobretudo aqueles das Ladainhas, como “Mãe do Bom Conselho”, “Sede da
Sabedoria”, “Consoladora dos aflitos”.
Como se vê,
a Mãe Jesus é evocada com muitos títulos. Mas isso não pode nos levar à
confusão, como se fossem várias santas diferentes. Ou que uma delas fosse mais
poderosa do que a outra. Os vários títulos mostram que Maria está pertinho da
gente, assumindo o rosto de muitas regiões e culturas, traduzindo o seu amor de
várias formas. No dizer de Roberto Carlos, “Somos
todos filhos seus! Todas as nossas senhoras são a mesma mãe de Deus”.
domingo, 24 de abril de 2016
Maria no Ano Litúrgico
Cada um de nós dirige sua oração diretamente a Deus ou recorre à intercessão dos Santos. As expressões devocionais, como as novenas, ladainhas, a oração do terço (rosário) são livres, de forma que podemos utilizá-las para manter nossa sintonia com Deus. Como Igreja, somos uma comunidade organizada, com ritos e normas. Assim, a oração litúrgica é mais definida do que a devoção, tanto na forma de realizar quanto na disposição do tempo. Há um ciclo anual, que começa com as quatro semanas do advento, passa pelo tempo do natal, segue durante boa parte do ano no “tempo comum”, concentra o apelo à mudança de vida durante os 40 dias da quaresma e celebra a alegria da ressurreição e os seus frutos em 7 semanas, culminando com Pentecostes.
As comunidades locais, na sua prática litúrgica, mantêm fórmulas e elementos comuns, que as caracterizam como católicas, mas também criam novas formas de expressão da fé, a começar de cantos e gestos. Você já participou da liturgia para crianças ou de missa com estilo afro-brasileiro? Elas expressam o jeito típico de rezar de um grupo, como parte da mesma Igreja. Promover a liturgia, simultaneamente católica e inculturada, ajuda a comunidade a celebrar com mais significado.
Na liturgia reformada depois do Concílio Vaticano II, Maria foi recolocada em íntima relação com o mistério de Cristo e da Igreja. No correr do ano litúrgico, há três tipos de celebrações marianas, por ordem de importância: as solenidades, as festas e as memórias. As solenidades, como o nome indica, constituem as celebrações mais importantes, com um sabor especial. Em todo o mundo elas são quatro: Maria, Mãe de Deus (1o de janeiro), Anunciação (25 de março), Assunção (15 de agosto) e Imaculada Conceição (8 de dezembro). Em cada diocese e país, há ao menos uma solenidade. Dentre as festa marianas, recordamos a da Visitação (31 de maio). Existem várias memórias marianas, como: nascimento de Maria (8 de setembro), NS. das Dores (15 de setembro), NS. de Fátima (11 de fevereiro), NS. do Carmo (16 de julho) e NS. Rosário (7 de outubro). Algumas delas são memórias facultativas, ou seja: opcionais. Uma celebração de memória pode ser, para determinada Igreja local ou regional, uma solenidade. Para a América Latina, a memória de Nossa Senhora de Guadalupe (12 de dezembro) se transformou em solenidade, pois ela foi proclamada padroeira de nosso continente. Para o Brasil, Nossa Senhora Aparecida, que era uma memória, foi elevada ao grau de solenidade.
Nas solenidades, festas e memórias de Maria, os padres e as equipes de liturgia devem ajudar a comunidade eclesial a conhecer mais e melhor a mãe de Jesus. Essas ocasiões servem também para relacionar Maria com Jesus e a comunidade cristã.
As comunidades locais, na sua prática litúrgica, mantêm fórmulas e elementos comuns, que as caracterizam como católicas, mas também criam novas formas de expressão da fé, a começar de cantos e gestos. Você já participou da liturgia para crianças ou de missa com estilo afro-brasileiro? Elas expressam o jeito típico de rezar de um grupo, como parte da mesma Igreja. Promover a liturgia, simultaneamente católica e inculturada, ajuda a comunidade a celebrar com mais significado.
Na liturgia reformada depois do Concílio Vaticano II, Maria foi recolocada em íntima relação com o mistério de Cristo e da Igreja. No correr do ano litúrgico, há três tipos de celebrações marianas, por ordem de importância: as solenidades, as festas e as memórias. As solenidades, como o nome indica, constituem as celebrações mais importantes, com um sabor especial. Em todo o mundo elas são quatro: Maria, Mãe de Deus (1o de janeiro), Anunciação (25 de março), Assunção (15 de agosto) e Imaculada Conceição (8 de dezembro). Em cada diocese e país, há ao menos uma solenidade. Dentre as festa marianas, recordamos a da Visitação (31 de maio). Existem várias memórias marianas, como: nascimento de Maria (8 de setembro), NS. das Dores (15 de setembro), NS. de Fátima (11 de fevereiro), NS. do Carmo (16 de julho) e NS. Rosário (7 de outubro). Algumas delas são memórias facultativas, ou seja: opcionais. Uma celebração de memória pode ser, para determinada Igreja local ou regional, uma solenidade. Para a América Latina, a memória de Nossa Senhora de Guadalupe (12 de dezembro) se transformou em solenidade, pois ela foi proclamada padroeira de nosso continente. Para o Brasil, Nossa Senhora Aparecida, que era uma memória, foi elevada ao grau de solenidade.
Nas solenidades, festas e memórias de Maria, os padres e as equipes de liturgia devem ajudar a comunidade eclesial a conhecer mais e melhor a mãe de Jesus. Essas ocasiões servem também para relacionar Maria com Jesus e a comunidade cristã.
sábado, 9 de abril de 2016
Maria e a misericórdia recriadora de Deus
Luis Carlos, advogado, atua numa organização cristã que trabalha na recuperação de presidiários. A proposta, reconhecida internacionalmente, traz resultados surpreendentes. O método privilegia o desenvolvimento das qualidades humanas, a convivência e a fé, vivida de forma ecumênica. Ele se envolveu tanto com o movimento, que renunciou a outras atividades para se dedicar exclusivamente a esta causa. Certa vez, seu irmão de família foi assaltado por um ex-presidiário. Além de roubar-lhe os objetos pessoais, o assaltante bateu muito no rapaz, a ponto de deixar marcas visíveis no seu corpo. Luis Carlos entrou em crise! Por que aconteceu isso justamente com ele, que consome dias e noites em defesa dos presidiários? Vale a pena continuar acreditando que a bondade pode vencer a maldade e a violência?
Lentamente e com muita oração, Luis Carlos transformou a indignação e o ódio, em perdão e reconciliação. E disse: “Agora vou continuar a trabalhar mais intensamente na recuperação de presidiários. Pois entendi que assim é o amor de Deus com a gente. Ele não nos ama porque somos bons, mas sim porque Ele mesmo é bom”.
Na Bíblia, se diz muitas vezes que Deus é misericordioso, que tem compaixão de nós. No Salmo 103,1-14 se diz que ele não nos trata na medida das nossas culpas e erros. Conhece nossa fragilidade. Seu amor não tem fim! Maria, a mãe de Jesus provou de maneira única esta misericórdia de Deus, seu amor apaixonado por nós, pois nos ama sem limites.
No seu canto, o Magnificat, Maria proclama que Deus se volta preferencialmente para os fracos, famintos e humilhados. Exerce assim sua misericórdia (Lc 1,51-54). Enquanto mãe de Jesus, Maria experimentou “na carne” como Deus é tão grande, a ponto de se fazer pequeno e frágil como uma criança. O máximo da misericórdia é se “rebaixar” para estar próximo. Deus nos entende por dentro, pois seu Filho se fez igual a nós em tudo, menos no pecado (Hb 4,15).
Acompanhada por João e outras mulheres, no caminho de Jesus até a cruz, Maria passou pela “noite escura da fé”. Como meu filho, que é tão bom e justo, vai morrer, condenado injustamente como um criminoso?
Na ressurreição de Jesus, ela então compreende que Jesus amou a todos até o fim (Jo 13,1). Gesto supremo de amor e de entrega, que a humanidade não merecia (Rm 5,8). Jesus nos salvou, por sua vida, morte, ressurreição e envio do Espírito Santo. Maria participou de perto deste processo, colaborando como mãe e discípula. Celebrou a misericórdia divina, saboreou-a, passou pela crise e a perplexidade, viveu as surpresas de Deus. Pode enfim, afirmar: em Jesus, a misericórdia de Deus vence o mal!
Hoje, na glória de Deus, junto com seu Filho, Maria Mãe de misericórdia nos acolhe em seus braços. É sinal da ternura recriadora de Deus. E ela nos pede para sermos misericordiosos com os outros, como fez Jesus (Lc 6,36).
Lentamente e com muita oração, Luis Carlos transformou a indignação e o ódio, em perdão e reconciliação. E disse: “Agora vou continuar a trabalhar mais intensamente na recuperação de presidiários. Pois entendi que assim é o amor de Deus com a gente. Ele não nos ama porque somos bons, mas sim porque Ele mesmo é bom”.
Na Bíblia, se diz muitas vezes que Deus é misericordioso, que tem compaixão de nós. No Salmo 103,1-14 se diz que ele não nos trata na medida das nossas culpas e erros. Conhece nossa fragilidade. Seu amor não tem fim! Maria, a mãe de Jesus provou de maneira única esta misericórdia de Deus, seu amor apaixonado por nós, pois nos ama sem limites.
No seu canto, o Magnificat, Maria proclama que Deus se volta preferencialmente para os fracos, famintos e humilhados. Exerce assim sua misericórdia (Lc 1,51-54). Enquanto mãe de Jesus, Maria experimentou “na carne” como Deus é tão grande, a ponto de se fazer pequeno e frágil como uma criança. O máximo da misericórdia é se “rebaixar” para estar próximo. Deus nos entende por dentro, pois seu Filho se fez igual a nós em tudo, menos no pecado (Hb 4,15).
Acompanhada por João e outras mulheres, no caminho de Jesus até a cruz, Maria passou pela “noite escura da fé”. Como meu filho, que é tão bom e justo, vai morrer, condenado injustamente como um criminoso?
Na ressurreição de Jesus, ela então compreende que Jesus amou a todos até o fim (Jo 13,1). Gesto supremo de amor e de entrega, que a humanidade não merecia (Rm 5,8). Jesus nos salvou, por sua vida, morte, ressurreição e envio do Espírito Santo. Maria participou de perto deste processo, colaborando como mãe e discípula. Celebrou a misericórdia divina, saboreou-a, passou pela crise e a perplexidade, viveu as surpresas de Deus. Pode enfim, afirmar: em Jesus, a misericórdia de Deus vence o mal!
Hoje, na glória de Deus, junto com seu Filho, Maria Mãe de misericórdia nos acolhe em seus braços. É sinal da ternura recriadora de Deus. E ela nos pede para sermos misericordiosos com os outros, como fez Jesus (Lc 6,36).
sexta-feira, 25 de março de 2016
Maria se compadece da Terra ferida
Seu Antônio, 80 anos, morava em Bento Rodrigues, perto de Mariana,
em Minas. Ele se lembra com saudade do quintal e da horta, onde cultivava
frutas e verduras. Em novembro de 2015 o povoado foi totalmente destruído, devido
ao rompimento da barragem de rejeitos de mineração da Samarco. Além da morte de
alguns parentes, os moradores perderam sua história, suas raízes. Hoje, eles lutam
para ter volta suas casas e reconstruir a comunidade. A mineradora não cumpriu
ainda as promessas de devolver o que o povo perdeu.
Dona Maria e seu Pedro moram na beira do Rio Doce, no
Espírito Santo. Ali cultivavam arroz, feijão, mandioca e outras coisas. Criavam
galinhas e leitões. Ele também vivia como pescador. A lama derramada em Mariana
desceu pelo rio, e por onde foi passando deixou um rastro de morte. Acabaram-se
os peixes e os camarões de água doce. Eles passaram um tempo sem pegar água do
rio. Consumiram os animais, que não tinham mais água para beber. Como Maria e
Pedro, centenas de milhares de pessoas no Vale do Rio Doce foram atingidas. Morreram
peixes e pássaros. E a lama, contaminada com metais perigosos (como arsênio,
manganês, chumbo), ainda causará enormes danos nas plantas, nos animais e nos
seres humanos. A terra está ferida de morte!
Agora, pessoas e organizações se uniram para exigir que a
Samarco trabalhe efetivamente para recuperar o rio. Será uma tarefa de vários
anos, que envolverá muita gente. Destruir é tão fácil. Reconstruir exige mais. O
tema da Campanha da Fraternidade de 2016 continuará atual: Casa comum, nossa responsabilidade. A luta pelo saneamento básico
(água, esgoto e resíduos) permanece.
Maria está conosco, na dor da Terra e na luta pela Vida.
Como diz o Papa Francisco: Maria, a mãe
que cuidou de Jesus, agora cuida com carinho e preocupação materna deste mundo
ferido. Assim como chorou com o coração trespassado a morte de Jesus, assim
também agora se compadece do sofrimento dos pobres crucificados e das criaturas
deste mundo exterminadas pelo poder humano (LS 241).
(Publicado na Revista de Aparecida, fev 2015)
segunda-feira, 7 de dezembro de 2015
Imaculada Conceição: o bom começo
Quando eu era criança, cantava: “Ó Maria, concebida sem pecado original/ Quero amar-vos toda a vida,
com ternura filial”. Mas eu não entendia bem o que era este tal pecado, que
não me parecia nada original. Afinal, se Adão e Eva fizeram uma coisa errada no
passado, o que temos a ver com isso? Depois compreendi que essa música fala de
algo atual, que marca a humanidade. Cada um de nós, e toda a comunidade humana,
experimentamos o mistério do mal. Quantas vezes a gente quer fazer o bem, ser
inteiro nas decisões, perdoar, exercitar a generosidade, lutar para melhorar o
mundo... Mas as nossas realizações ficam abaixo dos bons desejos. Vivemos uma
divisão interior, uma fragilidade, uma tendência ao mais fácil e imediato.
O dogma da Imaculada afirma que Maria, sendo humana como
nós, recebe de Deus uma graça especial, para ser forte diante das tentações do
mal, assumir com inteireza suas decisões e ser proativa. E assim ela fez, como
nos mostra o evangelho: ouviu a palavra, guardou no coração e frutificou. A
graça de Deus, quando atua no ser humano, é sempre uma estrada de duas mãos. De
um lado, o Senhor nos oferece sua presença irradiante, que purifica, perdoa,
fascina, integra e convoca para a missão. De outro lado, a gente responde, ao
viver na fé, na esperança e no amor solidário. Portanto, o dogma da Imaculada
não fala somente de um privilégio de Maria, mas sim da vitória da graça de Deus
nela. E isso tem enorme valor para toda a humanidade. Mostra que o mais
original no ser humano não é o pecado, a mediocridade, as sombras, mas sim o
dom de Deus, a criatividade, a luz.
Desde o início Deus nos chama para a comunhão com ele. Assim
já experimentaram os profetas: “Antes de saíres do ventre de tua mãe, eu te
conhecia, e te consagrei (Jr 1,5)”; “O senhor me chamou desde o ventre materno
(Is 49,1)”. Maria, mais do que ninguém, viveu esta inteireza da resposta a Deus:
“Um coração que era sim para a vida/ Um coração que era sim para o irmão. Um
coração que era sim para Deus, Reino de Deus renovando este chão!”.
Como é bom celebrar a festa da Imaculada no tempo do
Advento. Assim, recordamos que Maria foi preparada por Deus para a missão de
mãe, educadora e discípula de Jesus. E que ela também se preparou, cultivando o
amor e interpretando os Sinais divinos na história do seu povo. Com José, viveu
o tempo de espera da gravidez e a alegria do nascimento.
Que Maria imaculada nos prepare para o natal. Que a nossa
casa e o nosso coração sejam como o presépio que acolhe o Deus-menino. Belém é
aqui e agora. Junto com a multidão de homens e mulheres de toda a Terra nos
alegramos porque o Senhor visitou definitivamente este mundo, com uma luz que
não conhece o ocaso. Assumiu, com sua encarnação, a nossa bela e frágil
história humana. Santificou todos os seres. Por isso, cantamos: “Glória a Deus
nas alturas, e paz para a humanidade e cuidado com a Terra!” Amém!
sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
Maria em Santo Agostinho
Dom Vital, bispo de Marabá.
Dia 08 de dezembro celebramos a festa da Imaculada Conceição. O Vaticano II tomou muito de Santo Agostinho (354-430) a respeito de Maria Imaculada, bem como a concepção de Igreja, esposa de Cristo, chamada a viver a situação de Maria no mundo de hoje. A seguir vejamos alguns dados vindos dos discursos agostinianos sobre Maria, Mãe de Cristo, Mãe da Igreja.
1.Maria fez a vontade do Pai
Agostinho fala da grandeza de Maria como aquela que fez a Vontade do Pai. Em dois discursos(25,7-8; 72A, 7-8) falou o bispo de Hipona a respeito da importância de Maria na vida do Senhor e na Igreja. Interpretando o evangelista e apóstolo Mateus(cf. Mt 12, 49-50) na qual alguém fez notar a Jesus que sua mãe e seus irmãos estavam de fora perguntou Jesus quem seriam tais pessoas e apontando aos discípulos afirmou que sua mãe e seus irmãos são aqueles que fazem a vontade do seu Pai que está nos céus, sendo dessa forma irmão, irmã e mãe em Jesus Cristo. Para Agostinho a Virgem Maria fez a Vontade do Pai, na qual foi concebida, escolhida pelo Pai porque dela a salvação nascesse para nós entre os seres humanos e foi criada por Cristo antes que Cristo viesse criado nela. Maria fez a vontade do Pai ao dizer sim ao seu plano de salvação de modo que o seu Filho pudesse vir a este mundo para salvá-lo de seus pecados.
2. A sua santidade
Maria é percebida como santa porque cumpriu inteiramente a Vontade do Pai, de modo que conta mais a sua situação de discípula de Cristo que ser sua mãe. Maria viveu o discipulado no Senhor, manifestando uma sua vida de santidade. Ela é bem aventurada porque antes de dar o Mestre na carne, o levou no seio. Maria foi feliz porque antes de dar à luz ao Senhor, o trouxe na mente. E para dar uma maior demonstração, Agostinho tem presentes a atuação de Jesus Cristo que sendo acompanhado pelas multidões e realizando milagres divinos percebeu uma mulher ao exclamar-lhe: bem-aventurado foi o seio que trouxe Jesus ao mundo e também o seu ventre(cf. Lc 11,27). O Senhor Jesus diz a ela e para todos os seus discípulos, discípulas que muito mais felizes são os que ouvem a Palavra de Deus e a guardam em seu coração(cf. Lc 11,28).
3. Ouvir e guardar a Palavra
Para Santo Agostinho, Maria é feliz, bem-aventurada, porque não só ouviu a Palavra de Deus mas a guardou no seu interior. Ela viveu a verdade de Deus no coração mais que a carne no seio. Para ela, é Cristo a verdade no seu coração porque se tornou pessoa humana no seu seio. Maria foi uma mulher que guardava tudo em seu coração, meditando as maravilhas do Senhor realizadas através dela, sua serva.
4. O ser de Maria: Imaculada Conceição
A Virgem Maria precedeu a Igreja como sua figura. Na obra Primeira Catequese aos não Cristãos (XXII,40) afirmou Agostinho que Jesus nasceu de uma Virgem chamada Maria que viveu esta realidade não só na concepção, mas no parto e até a morte iluminando dessa forma a vida da Igreja.
Maria foi concebida sem o pecado original por graça de Deus. A Igreja deve seguir os passos de Maria ainda que neste mundo haja as deficiências, as limitações, os pecados junto com a graça do Senhor. No entanto é maior a graça que o pecado. Um dia viveremos livres do pecado de modo que também nós seremos por graça do Senhor, imaculados. Assim é Maria mãe de Cristo pelo fato de dar à luz os membros de Cristo, que somos todos nós. Maria é porção da Igreja, membro excelente, membro do corpo total. A cabeça é o Senhor, diz Agostinho. Por sermos membros de Cristo, a Igreja nos acolheu pelo batismo como seus membros de modo que fomos levados à luz da verdade, que é Jesus Cristo. Esta mãe santa, digna de honra, semelhante a Maria, dá a luz e é virgem, porque o dom vem de Deus.
5. Maria é a advogada de Eva
Os Padres da Igreja tiveram bem presentes a queda do primeiro Adão e a graça do segundo Adão, Jesus Cristo, doutrina bem desenvolvida no Apóstolo Paulo. Da mesma forma, dirão os Padres em relação à primeira e a segunda mulher. Agostinho seguiu os padres anteriores, sobretudo Justino, Tertuliano, Orígenes em relação à Eva e a Maria. Se por meio de uma mulher(Eva) a morte caíra sobre nós, por meio de outra mulher(Maria) a vida ressurgiu em nós. em modo que o diabo fosse vencido em relação à uma e outra natureza, masculina e feminina com a presença do Senhor Jesus, vencedor da morte e do pecado pela cruz e sua ressurreição.
Conclusão
Santo Agostinho expressou bem o mistério da Imaculada Conceição da Virgem Maria, Mãe de Deus, sem o pecado por graça do Senhor. Maria leva nossos pedidos ao seu Filho Jesus Cristo. Agostinho estimula às pessoas para que vivam como Maria, mulher meditativa, orante e disposta a servir as pessoas, sobretudo os pobres. Ela viveu a graça de Deus na simplicidade e no amor. Ela nos ensina a superar o mistério do mal e do pecado, em nossas vidas tanto na família, como na comunidade e na sociedade uma busca de conversão contínua ao Senhor Jesus, aos outros e conosco mesmos. Maria ajuda-nos a servir as pessoas na pessoa de Jesus Cristo fazendo sempre a vontade de Deus Uno e Trino.
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