Neste mês, as famílias e as comunidades se encontram em
torno das festas juninas. Em várias cidades organizam-se “barraquinhas” com
canjica ou mungunzá, pé-de-moleque, quentão, cocada e quentão. As crianças e os
jovens dançam quadrilha, com vestes coloridas e engraçadas. Em algumas regiões
ainda se oferecem quentão de vinho, pinhão cozido,
milho verde e pamonha. Isso sem falar das
devoções, dos cantos e da prática de “levantar o mastro”. Que festa boa! No mês
de junho lembramos-nos de Santo Antônio (dia 13), São João (dia 24) e São Pedro
(dia 30). Vamos falar hoje sobre um deles: São Pedro. Você já pensou que ele e
Maria, a mãe de Jesus, tem características semelhantes, e outras diferentes?
Pedro era pescador e se chamava Simão. Vivia em torno do
Lago de Genesaré, que era tão grande, a ponto de ser chamado de “Mar da
Galiléia”. Logo que começou sua missão, Jesus o chamou, junto com outros três
companheiros de jornada (Mc 1,16-20). E eles, abandonando tudo, o seguiram. Tornaram-se
“discípulos”, aprendizes do mestre Jesus, na escola da vida. Pedro tinha uma
personalidade forte. Homem decidido, falava as coisas com clareza e sinceridade.
Mas era lento para compreender tudo o que Jesus lhe ensinava (Lc 9,45). Certa vez,
Jesus perguntou quem ele era, para além do que os outros diziam. Pedro respondeu
com firmeza: “Você é o Cristo” (Mc 8,27-29)!. E Jesus o parabenizou, por ter
dito isso, inspirado por Deus (Mt 16,17). O mestre logo alertou que, se as
coisas continuassem como estavam, ele deveria sofrer e até ser assassinado
pelas autoridades judaicas. Então, Pedro “escorregou” na fé, e não aceitou isso
de forma nenhuma. Como podia o ungido de Deus passar por tamanha provação? Em
resposta Jesus o censurou, mostrando que tais pensamentos não eram de Deus (Mc
8,33).
Este homem tão corajoso teve também seu momento de extrema
fraqueza. Foi justamente na hora que Jesus mais precisava dele. Com medo de ser
condenado, Pedro negou a Jesus três vezes. Depois se arrependeu, e desatou a
chorar (Mc 14,66-72). E Pedro aprendeu com o erro. Depois da ressurreição de
Jesus, ele e os outros discípulos enfrentaram as autoridades judaicas, sabendo
do risco que corriam. Quando lhes proibiram de falar ou ensinar em nome de
Jesus, Pedro e João responderam: “Não podemos calar a respeito daquilo que
vimos e ouvimos” (At 4,21). Juntamente com Paulo, ele se tornou a principal
liderança na origem da Igreja.
O caminho traçado por Maria se cruza com o de Pedro. Como
ele, Maria recebeu um chamado divino e respondeu logo, com prontidão (Lc
1,28.38). Embora vivesse tão pertinho de Jesus, ela não compreendia logo tudo o
que Jesus falava e fazia, como aconteceu no desencontro no Templo (Lc 2,50).
Por isso mesmo, Maria conservava os fatos no coração e meditava sobre o seu
sentido (Lc 2,51). Por um bom tempo, Maria foi a educadora de Jesus, junto com
São José. Quando o
filho se torna adulto
e começa a anunciar o Reino de Deus, Maria se faz discípula, aprendiz. Faz parte
da comunidade dos seus seguidores, da qual faziam parte Pedro, os outros
discípulos e algumas mulheres (At 1,14).
Mas, onde está a grande diferença em
relação a Pedro? Na hora mais difícil da Cruz, Maria não fugiu. Permaneceu de
pé, com o discípulo amado e outras mulheres (Jo 19,25). Perseverou na fé. Enquanto
Pedro era o líder da comunidade, Maria era a mãe (Jo 19,26) e guia, que
recordava aos discípulos: “Façam tudo o que ele lhes disser” (Jo 2,5)
Ambos são exemplos de vida para nós. Pedro aprendeu com os acertos e erros e deu a
volta por cima. Assim, animou e dirigiu a comunidade cristã. Maria não vacilou.
Renovou constantemente o seu “sim” no correr da vida e como nossa mãe,
acolhe-nos ternamente na Família de Jesus.
(Material de uso popular - Publicado na Revista de Aparecida, junho de 2014)