domingo, 3 de maio de 2009

Imaculada Conceição: sentido do dogma

Para entender o dogma da Imaculada Conceição é preciso refletir antes sobre quem é o ser humano diante de Deus. A partir daí, ver o que Maria tem em comum conosco e o que ela tem de especial.

Uma graça original
Cada bebê que vem a esse mundo nasce com uma bênção divina. O Senhor nos cria para sermos felizes e colaborarmos na felicidade dos outros. Todos nós fomos criados em Cristo. Estamos marcados pelo sopro de vida do Criador e por uma Graça Original. Como nos diz São Paulo: Antes da criação do mundo, Deus nos escolheu em Cristo, para sermos, diante dele, santos e imaculados (Ef 1,4).
Cada um se desenvolve com o tempo, constituindo-se como pessoa no correr da existência. Aprende a amar e a ser amado, recebe a fé de outros e a assume como sua. É fascinante ser, até a morte, “aprendiz da arte de viver”. Somos limitados no tempo e no espaço e condicionados pela cultura onde nascemos e vivemos. Neste processo de aprender com a vida, até os erros são importantes. Muitos limites são reassumidos no futuro, como oportunidade de superação e crescimento.
No útero da mãe, o feto está recebendo, em doses distintas, amor e desamor, acolhida e rejeição, afeto e violência. Somos todos solidários no bem e no mal. Ninguém começa sua vida a partir do nada. Pela fé, reconhecemos que somos parte de um grande projeto amoroso de Deus, que estamos marcados por sua Graça e pela corrente positiva de amor de tantos seres humanos que vieram antes de nós. Mas o mundo também tem violência, mentira e maldade, que contagiam cada pessoa que nasce. Ao começar a existir, já estamos sob ação de forças positivas e negativas, de vida e de destruição, e interagimos com elas.
Há algo na nossa história pessoal, comunitária e planetária que danifica os belos projetos do Senhor. Não vem de Deus e é difícil localizar sua origem. Nós o chamamos: “Mistério do Mal e da iniqüidade”. Ele está espalhado na humanidade e repercute dentro de cada um. Pois não só somos seres finitos, chamados a evoluir com o Universo. Mas muitas vezes freamos este processo e nos negamos a crescer.

O ser humano dividido
Cada ser humano tem dentro de si muitos desejos, tendências e impulsos. Eles são bons, desde que integrados num projeto de vida. Por exemplo, cada um de nós necessita acreditar em si e exercitar sua liberdade, de forma a ser aceito e respeitado pelos outros. Esta é a forma básica do poder. A pessoa fraca, impotente, contribui pouco nas relações. De outro lado, o poder é perigoso. Um pai autoritário pode deixar muitas feridas nos filhos. Um político poderoso e corrupto prejudica a nação e faz aumentar a exclusão social. Outro exemplo: todo ser humano busca prazer, ao se relacionar, ao comer, ao se divertir. Uma das formas mais intensas de prazer é o sexual. A relação entre homem e mulher é bela e querida por Deus. Mas o sexo desequilibrado, sem afeto e respeito, produz individualismo e violência. Outro exemplo ainda: gostamos de nos vestir bem, ter as coisas para usar, possuir os objetos que tornem a vida mais prática. Mas quando esse desejo desordenado se torna consumismo, cria pessoas dependentes e apegadas às coisas, que chegam a arruinar a vida para comprar tudo o que encontram.
Temos dificuldades de integrar nossos desejos e pulsões, e colocá-los a serviço de um projeto de Vida. Os impulsos do poder, do ter, do prazer e tantos outros, atraem a pessoa para baixo e podem afastá-la de Deus. A teologia chamou essa divisão interna de “concupiscência”. Ela tem dimensões individuais, coletivas e culturais. Sabemos que a nossa liberdade está comprometida pelo pecado e precisa ser libertada. São Paulo lembra essa divisão interna que a gente vive, dizendo que muitas vezes nosso coração quer fazer o bem, mas acabamos fazendo o mal que não desejamos (Rom 7, 14-24). Somos seres fragmentados. Mas nós cremos na vitória da Graça de Jesus Cristo, que nos liberta de todas as cadeias (Rom 5;8 e 8,1-4). A “graça original” de Deus, que nos cria e nos salva, é mais importante e mais forte do que o Pecado Original, e nos ajuda a superar nossos pecados e falhas.
O “Pecado Original” não é um pecado em sentido estrito, mas em sentido analógico. Ou seja, não é um ato cometido livremente, contra Deus e o seu Reino, relacionado com a orientação fundamental e as atitudes da pessoa. Com esta expressão, reconhecemos que existe uma ausência de mediação de graça em cada um de nós e nas nossas relações. O Pecado Original não faz parte da essência do ser humano, mas de nossa atual condição humana, que sofre a ação do mistério do mal e da iniqüidade. Que o ser humano seja limitado e aprendiz, isso faz parte de sua essência de criatura. Que ele se deixe arrastar pelo mal e se negue a crescer no bem, constitui um paradoxo de sua condição atual.

A originalidade de Maria
O dogma da Imaculada Conceição afirma que o segredo de Maria, a perfeita discípula de Jesus, que respondeu a Deus de maneira total, tem sua raiz na Graça. Ela recebe do Senhor um dom especial. Nasce mais integrada do que nós, com maior capacidade de ser livre e acolher a proposta divina. O fato de Maria ser Imaculada não lhe tira a necessidade de crescer na fé, pois isso faz parte da sua situação de ser humano, que necessita aprender e evoluir.
Maria não nasce prontinha. Também é aprendiz da existência. Há momentos em que ela não entende o sentido pleno dos fatos e das palavras (Lc 2,49-50). E no correr da vida, Jesus a surpreende muitas vezes (Mc 3,31-35). Mas, diferentemente de nós, Maria trilha um caminho sempre positivo, sem falsos desvios ou atoleiros. Maria realiza sua vocação pelo caminho humano da fé, em meio a crises e dificuldades. Ela também teve que fazer correções de rota no correr da vida. Experimentou processos de mudança, de conversão. Não do mal para o bem, mas do bem para um bem maior.
Maria é pré-redimida pelo Verbo de Deus. Ela recebe sua graça salvadora numa intensidade maior do que nós, o que lhe dá forças para integrar tendências e pulsões. Conquista assim uma inteireza admirável. Exerce melhor sua missão de perfeita discípula, educadora e mãe do Messias. Com maior liberdade interior, Maria desenvolve profundamente suas qualidades humanas e espirituais, tornando-se criatura santa, não fragmentada, dona de si, aberta a Deus. Portanto, o fato de ser imaculada não a torna menos humana. Ao contrário. Ela realiza a utopia da “nova humanidade”, do ser humano evoluído espiritualmente. A imagem de Maria imaculada necessita ser completada com a da peregrina na fé.

Maria imaculada e nós
Para alguns cristãos, que provam a fragmentação, a força do mal que os domina, a reincidência no pecado, a inconstância na fé, pode ser que Maria Imaculada não seja um modelo operativo próximo. Neste caso, eles podem recorrer ao exemplo de outros santos, que trilhando caminhos tenebrosos, fizeram esforços enormes de conversão e experimentaram uma mudança radical de vida. Para eles, Maria Imaculada não é ponto de partida, mas de chegada. Pois o Deus que cria do nada também recria a partir do caos e das trevas.
Maria Imaculada subverte nosso conceito de “privilégio”. Uma pessoa especialmente dotada, com beleza estonteante, inteligência invejável, saber conquistado, poder ou fama, tende a se distanciar dos outros, a subestimá-los, e a olhar orgulhosamente para si. O privilegiado se torna narcisista: “Espelho meu, existe alguém melhor que eu?” Maria, ao contrário, nos ensina que tudo o que recebemos é dom e se destina a ampliar a rede do Bem, a estender o Reino de Deus sobre a terra. O singular privilégio da Imaculada Conceição é um dom especial, ao qual Maria respondeu com maior intensidade ainda, colocando-o a serviço de Jesus e da humanidade. Tudo o que somos, temos e conquistamos de especial, visa contribuir na construção da “teia da vida”, na qual todos os seres estão intimamente relacionados e são interdependentes.

Fonte: A. Murad, Maria Toda de Deus e tão humana. Paulinas.
Quadro: Imaculada, de Murillo.

66 comentários:

Ervane- Dehoniana disse...

IMACULADA DO COTIDIANO
Maria, principalmente para os dias atuais tem esse singular papel no mistério da encarnação e no seguimento de Jesus como imaculada do cotidiano, pois é na vivência do cotidiano que temos a conseguencia para o reconhecimento e as glória do céu, imacula-se primeiramente na vivência é já ser maculada aos olhos de Deus. É ter resposta firme e agir segundo o espírito! eis aqui a serva do senhor". Torna-se imaculada a partir de Cristo.

É uma identidade que por ser tão humana preenche-se do mais divino. Recompensa que podemos dizer eu teve na sua assunção. Parece-nos que quanto mais aprofundamos no mistério da humanidade mais divino nos tornamos. A célula do amor de Deus na criação do homem fica a cargo do próprio homem senti-la e para esse identificar-se é necessário, como Maria a abertura e acolhimento ao Espírito de Deus. Como mãe e discípula imaculada, Maria nos ensina que devemos ouvir os apelos do tempo e lugar em que vivemos e preocuparmos em dar a vida ao mundo e mostrar o Pontífice, aquele que é capaz de unir o mistério divino e o humano. Nasceu da mesma humanidade. É comunhão de um Deus amor, indiviso, que toma a nossa forma para que semelhante tomemos a sua. Lembrar de Maria que foi em sua pequenez uma mulher normal, escolhida aos olhos de Deus e que aceita, não se vangloria, vai além, seguindo a quem quando jovem seguiu seu exemplo de educadora e mãe do lar, não é exaltá-la acima de Cristo, a partir de Cristo. Reconhecer que aqueles nos quais o amor de Deus faz maravilhas, que muitas vezes confunde a nossa razão humana, a ponto de vermos a presença de Deus na face humana, são pessoas que se põem e serviço de Deus. Dom e tarefa.
A Virgem Maria Mãe de Deus no mistério da Igreja leva-nos a reflexão da Igreja Família, que responde ao chamado de Deus, à sua missão, educando filhos ao seguimento a Jesus, mas que ao mesmo tempo é também discípula e esta a serviço do Reino.

Ó Maria, mulher da correspondência viva da Palavra do Espírito e exemplo de perseverança na fé. Que saibamos nas necessidades do nosso tempo a escutar a voz e a sentir a presença de Deus em cada momento de nossa vida.

Douglas Waismann - Dehoniana disse...

Todo ser humano é concebido de certa maneira desintegrado da comunhão com Deus pelos desejos que muitas vezes os leva a serem instrumentos para o Mal sob suas diversas formas (poder, ter, prazer). Essa inclinação ou tendência humana a teologia chama de “concupiscência”.
Quando a Igreja proclama o dogma da Imaculada Conceição quer afirmar que Maria recebe de Deus uma graça especial que a faz nascer mais integrada do que todas as pessoas, com mais capacidade de ser livre e acolher a proposta divina.
Pastoralmente falando deve-se evitar usar esse dogma com pessoas que fizeram esforços enormes de conversão, superando caminhos tenebrosos como por exemplo aqueles que passaram pela dependência química, visto que terão dificuldades em identificar-se com Maria, distanciando-a dela. Isso posso afirmar por experiência, visto que sou consagrado da Comunidade Bethânia e nosso carisma é acolher dependentes químicos. É muito mais eficiente usar as devoções de Santo Agostinho ou de São Paulo, pois foram pessoas que passaram por experiências semelhantes as quais nossos acolhidos passaram.

José de Menezes - Dehoniana disse...

O que significa Imaculada Conceição?

O titulo de Imaculada é um dos invocados na história social dos povos do Ocidente.
O processo de afirmação do dogma da Imaculada foi marcada por disputas acirradas no campo da teologia, com repercussões, às vezes graves, na área social e política. A polemica ganhou a vigor pelos fins do século XIV entre franciscanos, defensores da Imaculada e dominicanos, que apoiados em Santo Tomás, a ela se opunham.
A inquisição continuava inclinada em favor da tese tomista e perseguia os imaculatista (...). Mas foi a coroa espanhola que, entre todas, mais se envolveu na Imaculada.
Os documentos do Magistério e dos pastores em geral relativos ao dogma da Imaculada enfatizam a devoção que o fiel deve ter para com a Santíssima Virgem, (...). Neles funciona mais o “modo de devocional” que o “modo ético”.
Mesmo assim, deve-se reconhecer que o dogma da Imaculada teve um importante impacto histórico.
Algumas linhas de aplicação do dogma da Imaculada para os desafios sociais de hoje: a Imaculada como fonte de inspiração para independência política.
▪ A Imaculada como expressão da graça, enquanto anterior e superior a toda desgraça do pecado.
▪ A Imaculada como inspiradora da “santidade política”.
▪ E, por fim, a Imaculada como a realização efetiva dos mais elevados ideais da humanidade.
A iconografia Cristã se compraz em mostrar a imaculada como mulher terna e do mesmo tempo guerreira, que esmaga a cabeça da serpente. Essa imagem combina traços da Mulher vista de sol (AP.12,1-2) e traços da mulher do proto-evangelho (Gn1,15).
A Virgem Maria é a imagem esplendida da conformação ao projeto trinitário que se cumpre em Cristo. Desde a sua concepção Imaculada até sua Assunção, recorda-nos que a beleza do ser humano está no vinculo do amor com a Trindade, e que a plenitude de nossa liberdade está na resposta positiva que lhe damos.
Deus escolheu Nossa Senhora para ser a Mãe de Filho Jesus. Por isso, Nossa Senhora, nasceu sem o pecado original, ela é Imaculada. Nossa Senhora é também nossa Mãe e nos acompanha.

Frater Ricardo disse...

Maria, o dogma da Imaculada Conceição e cada um de nós!

Maria é ser humana, criatura criada e pensada por Deus. Nós também somos!
A ela foi conferido o dogma de Imaculada. A nós não!
O que isso significa? Pode significar muitas coisas, depende do ponto de vista de cada um e da experiência que fazemos conosco mesmo e a partir dessa com o transcendente.
Dos evangelhos, o que mais nos faz conhecer a figura de Maria é o evangelho de Lucas. Nele aprendemos que mais do que mãe, Maria foi discípula perfeita e obediente, foi serva fiel e em tudo se preocupava para que o plano de Deus e Sua vontade estivessem em primeiro lugar.
Podemos dizer que ela “recebeu do Senhor um dom Especial”. Mas isso não fez com que ela nascesse prontinha e soubesse de tudo o que iria acontecer. Ela precisou percorrer o caminho, fazer experiências que talvez tenham lhe custado caro. Mas mesmo assim, ela as fez e as encarou com coragem e qualidade. Se nós precisamos dar saltos do pecado e das maleficências das quais somos acometidos por conseqüências da nossa própria condição, em Maria vemos que ela saltava de coisas boas para coisas melhores ainda.
Precisamos admitir, olhando para nós mesmos, que Maria em relação a nós era mais estruturada e equilibrada, porque recebeu de Deus uma “porção” maior de Sua graça. Isso só fez com que ela assumisse com maior grandeza de coração o sonho e projeto de Deus pensado para cada um de nós. Ela foi mais serva, mais discípula, mais fiel e mais filha do que nós conseguimos ser. Por essa vertente, aceitamos melhor e com menos barreiras o dogma dado a ela como sendo Imaculada. E por que não dar? Esse título não à torna menos humana, pelo contrário, torna-se antecipadamente aquilo que todos nós somos convidados a alcançar.
Para alguns, Maria como Imaculada pode ser ponto de partida, para outros, ponto de chegada. O importante é que de uma forma ou de outra, todos aqueles que se abrem e acolhem o testemunho dessa mulher que na sua condição de criatura, mãe, serva e discípula deixou sua marca na história e assim perpassa todas as gerações que até hoje a proclamam como sendo “bem-aventurada”!

Marcos César - Dehoniana disse...

Imaculada Conceição de Maria e nossa situação de irmãos e peregrinos

Como têm sido boas as aulas de Mariologia com Ir. Afonso Murad: estão nos ajudando a conhecer melhor a figura de Maria e o lugar que teve e deve ter em nossa vida de cristãos.
Ao estudar os dogmas, que bom sermos iluminados com a verdade ou esclarecimento dos mesmos. Quantas vezes fomos questionados ou criticados e por não conhecer não fomos capazes de dar uma palavra iluminadora. Quantas vezes também acreditamos sem conhecer ou entender o que de fato queriam dizer.
Em se tratando do dogma da Imaculada Conceição de Maria fica-nos a alegria de saber que Deus nos criou em Jesus Cristo e antes da criação já havíamos sido escolhidos para sentir, conhecer e viver o Amor.
Deus de fato privilegia Maria com uma Graça especial, ela nasce mais integrada, com mais capacidade de ser livre e por isso mesmo mais aberta à acolhida de Deus em sua vida. Deus a cumula de bênçãos, mas não lhe tira o esforço de ser peregrina na fé, de lutar no dia a dia e enfrentar o mal e os problemas.
E justamente por estar mais aberta ao seu Deus e com um coração cada vez mais humano e livre é que sua vida se torna serviço.
E o bom de tudo isso é saber que somos tão amados por Deus quanto Maria foi e que sua Graça age também em nossa vida nos convidando a uma abertura cada vez maior. Deus nos convida a sermos livres, integrados e totalmente humanos.
E quanto mais humanos e livres vamos também aprendendo cada vez mais a difícil arte de amar, de sermos solidários e misericordiosos. Assim vamos sendo despertados para a abertura aos outros, ao serviço alegre e desinteressado.
Somos convidados também a gerar Jesus em nossa vida e entregá-lo ao mundo. Que Maria, mãe escolhida e agraciada, humana e perseverante, livre e serviçal nos ajude a encontrar ou reencontrar o caminho: Jesus Cristo!!!!!!

UBIRAJARA SALAZAR-DEHONIANA disse...

Discordo quando o Douglas diz que Todo ser humano é concebido de certa maneira desintegrado da comunhão com Deus pelos desejos que muitas vezes os leva a serem instrumentos para o Mal sob suas diversas formas (poder, ter, prazer). Penso que apesar de nascermos com tais desejos, somos nós que optamos por uma vida desintegrada ou não. Assim como a concupiscência é inata, também a liberdade é inata para nós. Não são os desejos que nos tornam maus ou bons, mas o modo como lidamos com eles. Como nos diz o professor Murad: Temos dificuldades de integrar nossos desejos e pulsões, e colocá-los a serviço de um projeto de Vida. Os impulsos do poder, do ter, do prazer e tantos outros, atraem a pessoa para baixo e PODEM afastá-la de Deus. A teologia chamou essa divisão interna de “concupiscência”. Ela tem DIMENSÕES INDIVIDUAIS, COLETIVAS E CULTURAIS. Sabemos que a nossa liberdade está comprometida pelo pecado e precisa ser libertada. Temos, portanto de nos colocar em processo de conversão, buscando o nosso aperfeiçoamento. E Maria Imaculada, não por méritos, mas por aceitar a missão que lhe é confiada por Deus, torna-se para nós esse modelo de aperfeiçoamento. Mas, diferentemente de nós, Maria trilha um caminho sempre positivo, sem falsos desvios ou atoleiros. MARIA REALIZA SUA VOCAÇÃO PELO CAMINHO HUMANO DA FÉ, EM MEIO A CRISES E DIFICULDADES. Ela também teve que fazer correções de rota no correr da vida. Experimentou processos de mudança, de conversão. Não do mal para o bem, mas do bem para um bem maior (Murad). Nosso processo só poderá ser verdadeiro e nos trazer a unidade que tanto ansiamos quando formos capazes de ouvir e pôr em prática a principal lição que Maria Imaculada, a perfeita discípula de Jesus nos ensina: FAZEI O QUE ELE VOS DISSER (Jo 2,5).

Diomar Romaniv - Dehoniana disse...

Maria, a Imaculada

Refletir sobre o dogma da imaculada Conceição é uma oportunidade que temos para redescobrir o projeto de vida de Deus para a humanidade: a da integridade da vida!

Maria não é exceção no mundo por ser Imaculada. Nós é que somos exceção. Isso porque o sonho de Deus é a vida pura e imaculada e não a vida ferida pelo mistério do mal.

Assim, o dogma da Imaculada Conceição de Maria é para a humanidade o sinal profético, o testemunho mais eloqüente da vida sonhada por Deus para cada pessoa.

Maria é sinal profético e testemunha não porque nasceu completa e pura, mas porque fez seu caminho de fé e direcionando sua vida sempre para este dom especial que Deus lhe concedeu.

Roberto - Ista disse...

Imaculada conceição
A devoção a N.S. da Conceição nasce junto ao povo, bem antes de ser proclamado dogma da Imaculada Conceição. A. Mudar, em seus escritos fala de Maria analogicamente como bebê, que antes de nascer já recebe “doses distintas, amor e desamor, acolhida e rejeição, afeto e violência”. Maria em seu exemplo de mãe, não se faz essencial para nossa fé, mas através dela somos chamados a contemplar e repensar a experiência Cristã. Em Maria Imaculada o conceito de “privilégio” se faz ao perceber nela, uma pessoa completamente iluminada por Deus, seu corpo se fez templo onde o pecado não entra, e habita a graça. E esta graça ela estende a todos que pedem sua intercessão junto a Deus.

Francisco disse...

Para muitos cristãos o dogma da Imaculada Conceição coloca Maria em uma “atmosfera sobrenatural”. Pois a apresenta como uma santa separada da condição humana. E isto desde a sua concepção. A graça que ela recebeu de Deus foi em virtude da missão que desempenharia. Mas segundo Ef 1,4 a santidade foi dada ao ser humano, antes da fundação do mundo, por Deus. Para que todos pudéssemos, no amor, a viver. É graça que ajuda todo o ser humano a ter força para superar as dificuldades e as suas deficiências, para corresponder a sua vocação na construção de uma humanidade nova em Cristo. É força que ajuda no crescimento pessoal na arte de viver e buscar construir uma vida digna. Vencendo os impulsos humanos que não são bons. Desenvolvendo atitudes boas que ajudam na construção de um homem novo e de uma sociedade nova. É todo um processo de aprendizado, como o processo desenvolvido por Maria no seu discipulado junto a Jesus. Que a exemplo de Maria possamos nos abrir a esta ação de Deus para construirmos no já de nossa história o reino anunciado por Jesus Cristo.

Francisco ISTA

Valdenir Cunha - Faculdade Dehoniana disse...

Valdenir Cunha – Faculdade Dehoniana.


O dogma da Imaculada Conceição diz algo sobre Maria e sobre nós. Tanto Maria, quanto nós, somos criaturas especiais de Deus. Maria é uma criatura de Deus que fez uma entrega total à obra da Trindade para a humanidade. Ela não nasceu prontinha. Isso quer dizer que Maria foi tão humana quanto nós. Somos todos pecadores e necessitamos da graça salvadora de Deus. E é nesta condição que ela é a mãe do Filho de Deus encarnado. A partir disso, todos nós somos selados por uma “graça original”: “Deus nos escolheu em Cristo, para sermos, diante dele, santos e imaculados” (Ef 1,4). Somos criados para sermos felizes e promover esta felicidade em nossos relacionamentos. De certo que na vida nem sempre conseguimos realizar somente o bem. Temos forças positivas e negativas. Quantas vezes temos atitudes de destruição do projeto divino e nem sempre sabemos da origem? Essa atitude de destruição está presente na humanidade. Podemos chamar de pecado original.
A graça original citada no texto acima é maior que o pecado original. Pois essa graça nos cria e nos salva. Desta forma, o fato de Maria ser Imaculada não tira o esforço dela de ser peregrina na fé, sendo que isso é próprio da dinâmica da humanidade: crescer e aprender. O que difere Maria de nós é que ela faz um caminho sempre positivo. Maria recebe sua graça salvadora numa intensidade maior de que nós, o que lhe dá forças para integrar tendências e impulsos e enfrentar o mal. Por isso consegue crescer nas qualidades humanas, sendo mais santa, dentre tantas criaturas santas que temos atualmente: Santa Teresinha, São Domingos e outros que marcaram a história da humanidade. De certo que Maria Imaculada já nasceu mais integrada do que nós, com maior capacidade de ser livre e acolher a proposta divina. Logo, a Imaculada Conceição, conforme seu chamado, sua resposta e sua missão, foi livre do pecado enquanto nós somos perdoados. O certo é que a mesma graça que atua em Maria, atua em nós, e esta graça é Cristo. Vale-nos conscientizar pela oração do Pai-Nosso que sempre rezamos: “não nos deixes cair em tentação, mas nos livre de todo mal”. Pedimos que nos livre de todos os males da mesma forma que a Imaculada Conceição. O dogma de Maria Imaculada nos ensina a acreditar em Deus e em nós mesmos para exercitarmos a liberdade em nossos relacionamentos. Com isso é graça sermos imagem e semelhança de Deus que implica no dom e tarefa contínua na vida. Pedimos a intercessão de Maria para integrar os nossos desejos, pulsões, tendências e afetos para sermos humildes e servidores da Palavra de Deus como ela foi.

Sedney - ISTA disse...

Dogma: Imaculada Conceição.

Este é um dogma difícil de compreender, pois não apresenta bases sólidas para que seja sustentado e compreendido pelos fiéis. Portanto, boa parte das pessoas, por mais piedosas que sejam não compreendem bem o que seja um dogma, ou tem medo de dizer algo sobre esse “mistério” escondido e não compreendido. É muito comum ouvir das pessoas: “dogma agente não entende e nem compreende, mas aceita”.
Este dogma da Imaculada Conceição não tem base bíblica, não veio de uma polêmica sobre a identidade da fé cristã, não foi decidido em Concílio Ecumênico. Portanto, não expressa algo de universalidade, mas de um triunfalismo mariano contaminados pelo maximalismo. Há, portanto, uma sobrecarga de dogmas por parte da Igreja, dificultando assim o diálogo ecumênico.
O fato de Maria ser Imaculada está justamente na sua disposição em colaborar com o projeto de Deus para a encarnação do verbo e na renovação do seu sim a cada dia. Acredito que Maria nunca se esqueceu daquela saudação do anjo no seu ouvido: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!” (Lc 1,28). Esta saudação transforma a vida simples da jovem de Nazaré para a Mãe do Senhor, mas isso não acontece de maneira mágica, como se fosse um conto de fada. A resposta a esse convite se faz no cotidiano da vida, permanecendo fiel a escuta da Palavra e colocando-a em prática.
Portanto, Maria se abre ao imenso amor do Senhor, e pela encarnação se torna a Mãe do Filho de Deus. Não é simplesmente mérito, mas o desenvolvimento de traços do amor materno que foi aprendendo no decorrer da sua vida como discípula. Tudo isso revela e faz de Maria, a Imaculada Conceição.


Sedney - ISTA

Joao Carlos disse...

Imaculada Conceição......

Maria e a imaculada conceição representa o ser humano tal como Deus o deseja. Deus agraciou a todos. Maria é a professa do futuro projetada no passado como realização de Deus: Maria é espelho da Igreja e da humanidade. Maria é todo ser humano que realiza a maternidade divina, enquanto fonte da presença divina. A profecia do paraíso se realizou em Maria e se realiza em todos nós. O que Maria fez corporalmente, nós podemos fazer espiritualmente. A imaculada conceição se insere dentro da santidade de Maria.
O ser humano é mediador de liberdade para o outro, porque criado em, por e para Cristo, em vista da encarnação mediadora de salvação. A graça de Cristo está presente desde sempre, porque a criação desde o início está envolta na vontade salvífica de Deus. Mas, pelo pecado original, os seres humanos são capazes de mediar a graça. Pela ação e pelos méritos de Cristo, tornam-se capazes de mediá-la. A preservação do pecado original em Maria significa que ela não mediou pecado, nem foi influenciada por essa mediação. Maria não é mediadora do pecado, mas do autor da graça. A Imaculada Conceição não torna Maria menos humana, nem a arranca da história. Sendo afirmada a partir da escatologia, a eleição de Maria não nega que, na sua história, mesmo sem o pecado original, tinha possibilidade de pecar e não o fez (K. Rahner).
João Carlos Paschoalim de Castro – FACULDADE DEHONIANA

Adilson disse...

ISTA
Na visão de alguns intérpretes, o dogma da Imaculada Conceição afirma que Maria foi agraciada, recebeu do Senhor um dom especial. Nasceu mais integrada do que nós, com maior capacidade de ser livre e acolher a proposta divina. É sabido também, que sua vida foi marcada por um crescimento na fé. Mas, como compreender Maria diferente das outras pessoas que tem a mesma cultura e professam a mesma fé? E se Maria não fosse assim, o Verbo não teria encarnado?

Carlos José da Silva disse...

ISTA
Imaculada Conceição.
Ao estudar o tema da Imaculada Conceição o que mais me chama atenção é o fato da graça de não ser um privilégio somente concedido a Maria. Pelo contrário a graça de Deus foi dada a todos nós sem nenhuma distinção. Ao entender esse aspecto da graça concedida a todos podemos nos libertar de antigas concepções a respeito do ser humano. Refiro-me em especial a questão do pecado original. Conhecido como mancha que marca todos os seres humanos, por causa dos pecados de nossos pais. Ele alimenta uma visão muito negativa de ser humano, que nasce no pecado e pelo pecado. Essa visão limita e impede a nós de desenvolvermos nossas potencialidades na direção do bem, pois se já nascemos fruto do pecado o mais correto viver pautados pelo pecado.
Uma vez, entendido que nascemos portadores da graça original e que essa graça é maior que o pecado original, podemos nos conscientizar que somos portadores de grandes potencialidades. A nossa abertura a Deus é a mais importante deles. Todos nós somos portadores dessa abertura a Deus, talvez em maior ou menor grau, dependo da condição existencial de cada um.
Portanto, Maria é nesse contexto para nós um exemplo de discípula que se abre plenamente a graça de Deus. Por isso, ela merece de nós uma especial atenção. Não para colocá-la como deusa, mas no intuído de seguirmos o seu exemplo de vida.

Eduardo Dalabeneta - Dehoniana disse...

O dogma da Imaculada Conceição necessita ser reinterpretado para que possa comunicar ao mundo contemporâneo a riqueza da graça de Deus que “sopra em todo lugar” (1Cor 12, 11).
O dogma da Imaculada pode ser melhor compreendido se for iluminado pela teologia paulina dos dons e carismas. A condição de imaculada é dom de Deus na vida de Maria. Dessa forma, por ser dom, ele contém uma dimensão mistérica (1Cor 12, 18). Ao mesmo tempo, ele contém uma dimensão de serviço, ou seja, ele não confere privilégio para quem o recebe, pelo contrário, “a cada um é dada uma manifestação do Espírito para o bem comum” (1Cor 12, 7). Compreendendo a realidade teológica da imaculada como dom de Deus, Maria se torna mais próxima de nós e se torna ainda exemplo de quem frutificou o dom dado por Deus para o bem dos irmãos. A fonte dos dons é a mesma embora sejam muitas as formas dele se manifestar. O dom da imaculada torna Maria especial da mesma forma que os dons que Deus nos dá nos tornam especiais. Paulo recorda que os dons estão a serviço do Corpo de Cristo, da realização do plano da Salvação no interior das pessoas e da sociedade. O dom da imaculada, acolhido, vivido e partilhado por Maria é um dos meios pelo qual ela contribui com o plano da Salvação. Da mesma forma, cada um de nós é convidado a por os dons a serviço desse projeto de amor. Vale para nós o mesmo conselho que Paulo deu aos Coríntios: “Aspirai aos dons mais elevados” (1Cor 12, 31). Os dons não retiram de nós a necessidade de se por a caminho, pelo contrário, são para nós sinal da presença amorosa de Deus, que permanece conosco na caminhada e nos consola, seduz e desperta.

Edson (ISTA) disse...

Aquilo que no princípio foi de definição de cristológica, tendo em vista assinalar a humanidade de Jesus, posteriormente, elementos não essenciais a fé cristã passam a ser desenvolvidos. Assim, é o dogma da Imaculada Conceição. Quem mais contribuiu para o desenvolvimento desse dogma foram os franciscanos. Porém, um elemento importante se deve destacar é que houve posições contrárias a sua formulação por parte de alguns franciscanos e outros teólogos do período medieval. Exemplo disso é São Boaventura. Ele tinha suas restrições a essa festa. Considerava a encarnação motivo maior para a veneração de Maria.Assim, considero que nossa Igreja precisa trazer certas reflexões à tona, em especial, aqueles ligados a certos dogmas, em especial, da Imaculada. Essas reflexões visariam uma melhor adequação de linguagem para nossos dias, resgatando o essencial para a fé. A experiência de Maria como aquela que caminha e faz todo processo como pessoa humana é importante e não trás ambigüidades.

Frater Silvio disse...

Particularmente, o dogma da Imaculada Conceição de Maria é de difícil aplicação pastoral, pois a catequese que muitos têm recebido em pregações equivocadas tende a vestir Maria de privilégios, o que gera distância astronômica entre real e ideal.
A afirmação da “graça original” em contraposição ao “pecado original” é uma excelente chave de leitura e de aproximação àquilo que Maria viveu. De fato, Deus a encheu de graça não para que ela fosse uma exceção, mas a visão daquilo que queremos ser: todos inteiros de Deus, para que O deixemos realizar maravilhas em nós. Ela é a vitrine do projeto que Deus tem para a pessoa humana.
Maria Imaculada é, também, a peregrina da fé que nos ensina a trilhar o caminho sempre novo do encontro com Cristo. A cheia de graça deixou-se surpreender pelo Senhor e assumiu isso de modo dinâmico sem se deixar estagnar.
Fr. Sílvio José,scj - Dehoniana/Taubaté

João Ricardo disse...

Uma letra musical composta por J. Thomaz Filho (musica: Fr. Fabretti) expressa, de modo simples e sem muitas complicações, em que consiste o fato de Maria ser Imaculada. Em poucas palavras a canção nos diz que ela é um coração que era sim para a vida, para o irmão e para Deus. Imagem de quem soube viver de modo livre e responsavel sua humanidade. Ou seja, aquela que fez uma linda caminhada de fé ao longo de sua vida, a ponto de ser um sim para o Amor em todas as suas implicações. Principio básico de uma vocação realizada na verdadeira liberdade interior, cuja decorrência é da total abertura a graça. Assim é a imaculada, Maria de Deus. Assim deve ser entendida sua figura de imaculada.

Célio Alves DEHONIANA disse...

Certamente quando refletimos acerca do Dogma da Imaculada Conceição podemos nos imaginar na seguinte situação: como que uma mulher como nós pode viver uma vida sem mancha?
Sem dúvidas é graça de Deus. Mas todos são chamados ser parecidos como Maria. Ela soube ouvir a voz do Senhor. Num mundo tão “conturbado” como o nosso, o silêncio torna causa de irritação, ainda não somos capazes de silenciar nosso interior e ouvir a voz do Senhor.
O convite feito a Maria para gerar o Senhor em seu ventre, também hoje é um convite a cada cristão, cada cristã a gerar Jesus para o próximo, a Imaculada nos ensina que ao gerar a Vida aos irmãos e irmãs é gerar salvação para o próximo.
A humanidade de Maria não tira seu prestígio de ser mãe do Redentor. Porque mesmo a sua condição de vulnerabilidade Maria não hesitou em viver sob a graça de Deus.
Que seu modelo de vida seja perseguido pó nós, homens e mulheres de boa vontade, que trazem no coração o desejo de tornar-se semelhante a Imaculada!

Victor disse...

Nas nossas aulas de História da Igreja, descobrimos que o dogma da Imaculada Conceição foi proclamado pelo papa Pio IX, em 1854, num contexto bem específico. Pio IX julgava que a crise de valores por que passava o mundo moderno, com as idéias liberais advindas da Revolução Francesa, era decorrente de um esquecimento do sobrenatural. Assim, a proclamação do dogma da Imaculada Conceição é uma tentativa da Igreja de resgatar o sobrenatural na mentalidade das pessoas do século XIX: a concepção miraculosa de Maria era sinal da ação sobrenatural de Deus na humanidade.
Hoje, percebemos que o contexto em que é compreendido o dogma é bem outro. Infelizmente, a mariologia de “privilégios” ainda está muito incultida na mentalidade de nosso povo quando nos referimos à imaculada concepção de Maria. E acabamos por distanciar a imagem da Mãe de Jesus da imagem da nossa humanidade, como era a intenção original do dogma. Precisamos resgatar a idéia de que a graça sobrenatural que agiu em Maria, no momento da sua concepção, é a mesma graça divina que atua em nós, ainda que Maria tenha acolhido mais perfeitamente essa graça. O fato de Maria ser Imaculada não lhe tirou o esforço de ser peregrina na fé, de ser discípula. Também Deus nos concede a sua “graça original”, que é muito maior que a ação do “pecado original” em nós, para que façamos o nosso caminho de fé, como Maria, através do serviço.
A Imaculada Conceição não é privilégio de Maria. É, antes, sinal da sua humanidade plena. Como disse o nosso colega Diomar Romaniv, no comentário que postou anteriormente aqui no blog, Maria realiza aquilo que é o projeto de Deus para cada ser humano, realiza o sonho da “nova humanidade”. Com Maria, acolhamos o dom que Deus nos dá e o transformemos em serviço: também nós somos chamados a realizar o projeto de Deus.

Victor de Oliveira Barbosa (Faculdade Dehoniana – Taubaté/SP)

Diogo Silvério - Faculdade Dehoniana disse...

Sabemos,que Maria foi a perfeita discipula de Jesus.Ela responde de maneira total a vontade de Deus.O que a faz Imaculada. Ela da seu sim para que o projeto de Deus aconteça. E isso é realizado através da Graça de Deus, uma Graça especial.O dogma afirma isso. Mas, Maria tem que fazer um processo de crescimento, pois, "o fato de Maria ser Imaculada não lhe tira a necessidade de crescer na Fé, pois isso faz parte de sua situação humana, que necessita aprender e evoluir".Assim, "Maria desenvolve profundamente suas qualidades humanas e espirituais, tornando-se criatura Santa, não fragmentada, dona de si, aberta a Deus". No entanto, o fato de ser Inaculada não a torna menos humana, Ela ensina-nos que como cristãos temos que estar sempre em busca de nossa santidade, pois, cada um de nós, recebemos a graça e a benção de Deus para sermos bons cristãos e estarmos à disposição do Pai, como Maria Imaculada o fez.

Tiago Vituriano - Dehoniana disse...

Todos nós nascemos em vista da santidade, não para a concupiscência. E Maria nos mostra, em sua vida, que é possível viver a vocação à santidade. O dogma de Maria Imaculada deve ser modelo para o cristão da realização de Ef 1,4: “Antes da criação do mundo, Deus nos escolheu em Cristo, para sermos, diante dele, santos e imaculados”.

Fabrício disse...

Pensar o dogma da Imaculada Conceição de Maria, a partir do que vimos no texto acima e em sala, para mim se tornou mais fácil e abriu-me o horizonte. Se antes eu pensava Maria como uma SANTA (única) que foi concebida sem pecado de modo que a tornou alguém muito diferente de nós, agora penso mais em Maria como exemplo, modelo de uma relação de amor que Deus quis estabelecer desde o início com todos nós e que por causa do pecado se tornou difícil. Ou seja, em Maria Deus nos apresenta o ideal de seu projeto inicial, o protótipo de uma relação de amor entre o Criador e sua criatura integrada, como um dom a ser acolhido em vista da perfeição que se realiza em Jesus.

Fabrício disse...

O comentário acima é de Fabrício - Faculdade Dehoniana

Jacqueline - Dehoniana disse...

O processo histórico do Dogma da Imaculada Conceição é essencial para sua compreensão. E para mim foi de grande valia visto que sempre tive por esse dogma certa aversão por não compreender o que realmente significava. Quando perguntava para pessoas mais instruídas do que eu ninguém conseguia me responder.
O que eu sabia é que se tratava de uma característica específica de Maria, um privilégio só dela. O que vimos que não é. Ela nasce mais integrada do que nós, com mais capacidade de ser livre e acolher a proposta divina, e isso deve ser levado em conta. Agora o fato de Maria ser imaculada não lhe tira o esforço de ser peregrina na fé.
O mais bonito é que ela nos ensina que tudo o que recebemos é dom que deve ser compartilhado e não retido.
Como disse o Diomar não nos esqueçamos: não é Maria que é exceção, nós é que somos por não realizar como ela a vontade de Deus.

Miguel da Silva- Faculdade Dehoniana disse...

IMACULADA CONCEIÇÃO
O dogma da Imaculada Conceição sempre foi muito discutido, criticado e, por vezes, desacreditado ao longo dos séculos. É um dogma que sempre causou polêmica dentro da Igreja, por falta de explicação e pouca compreensão. O que agravou as discussões foi que não temos textos bíblicos que afirme diretamente este dogma.
Quando foi afirmado este dogma, a compreensão do pecado era diferente da visão de pecado que temos hoje. O pecado era visto como mancha. Maria teria sido a mulher privilegiada por Deus, nascida sem essa mancha original. Hoje, a visão de pecado mudou. Somos criados no Cristo, marcados pela graça, essencialmente bons. Somos filhos de Deus no Filho, mas sujeito a falhas por sermos criaturas, portanto, de natureza finita. Devido a esta criaturalidade, o mal entra em nós e, com ele, o pecado.
Esse pecado não impede a ação da graça. Em Maria foi onde a graça de Deus atuou com mais plenitude. Nasce mais integrada a Deus do que nós. Teve mais abertura, mais capacidade de, em sua liberdade, acolher a proposta divina. Maria é pré-redimida, mas isso não lhe tira o esforço de ser peregrina na fé. Aprimorar-se na função até chegar a ser a perfeita discípula de seu filho. Também mãe e educadora de seu Filho Jesus.
Esse dom da Imaculada não faz de Maria uma deusa, mas uma pessoa mais humana, pois não diminui em nada a humanidade de Maria. Ela é o início da nova humanidade que Deus sonhou para todos nós, seus filhos.
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Franco Allen - ISTA disse...

“O fato de Maria ser Imaculada não lhe tira a necessidade de crescer na fé, pois isso faz parte da sua situação de ser humano, que necessita aprender e evoluir”. Isso possibilita melhor reflexão acerca da contínua doação de cada pessoa qdo almeja algo de suma importância em sua vida. Maria sabia da sua missão. E pra isso precisava de uma constante entrega. Ela ñ desanimou perante as dificuldades. Sua missão de perfeita discípula educadora e mãe de Jesus é desenvolvida com exime qualidade humana e espiritual, tornando-a ainda mais próxima de nós. O que deve permanecer em nossa constante caminhada é aquilo que está por traz do dogma da imaculada, não apenas a ausência do pecado, é importante a idéia postada neste blog de que Maria realiza a utopia da “nova humanidade”, do ser humano que evolui, principalmente no campo espiritual, e é a constante peregrinação de Maria na fé que nos impulsiona a sermos eternos peregrinos.

Matheus - Faculdade Dehoniana disse...

Contemplando a figura de Maria nota-se uma grande acolhida da Graça que vem de Deus. Maria é sobretudo acolhedora da Graça divina, na qual acolhe de maneira plena o chamado divino. O fato de Maria acolher a Graça a faz ser peregrina na fé, ser mais humana, onde nos revela o progeto de Deus em relação a "nova humanidade".
Mediante a obra realizada em Maria de Nazaré percebemos a realização do projeto original que Deus tem para cada um de nós; e que nessa certeza de agraciados de Deus possamos expressar seu amor no serviço para o bem de todos, a exemplo de Maria.

Matheus Vicente Xavier. Faculdade Dehoniana.

Alessandro de Assis. Dehoniana disse...

O dogma da Imaculada Conceição de Maria nos convida a olhar para a grandeza de Deus manifestada em sua criatura; e acolher a graça de Deus em nossa vida, assim como fez Maria ao projeto de Deus.
Ela encontrou graça diante de Deus e fez de sua vida inteira, resposta de amor ao plano da salvação dos homens.
Devemos como cristãos venerar o sim desta mulher que nos convida a respondermos ao chamado de Deus do jeito que somos fragilizados e limitados, porém não perdendo de vista a graça de Deus que trabalha em nós. É preciso estar aberto à graça que bate à porta de nosso coração, pois Deus quis precisar destes instrumentos para manifestar seu Reinado entre os homens. Maria é a seta que nos aponta para o Redentor, seu Filho verdadeiro Deus e verdadeiro Homem.
Como descreve o frade capuchinho Raniero Cantalamessa em seu livro “Maria um espelho para a Igreja” apresenta-nos justamente Maria como aquela que acreditou e assumiu sua entrega completamente a Deus. A Igreja é chamada a olhar para este espelho que reflete a nova criação no novo Adão.
Maria tendo uma fé viva e confiante no Deus de Israel se amolda a uma atitude interior e pessoal. No sim de sua criatura Deus toca a “carne humana” no mistério da encarnação. Somos chamados a ver além dos questionamentos para assumir nossa missão de discípulos de Cristo, filho de mulher que respondeu sim a este tão grande mistério.

Alessandro de Assis msj - Faculdade Dehoniana

DIRCEU PACIFICO disse...

E se ela fosse mãe solteira, teria sentido esse dogma?
Um dos grandes problemas no dogma é que desumaniza a Maria, pois este ao pretender que Maria tenha sido imaculada em sua conceição e necessariamente em sua vida também, quer dizer que ela nunca chegou a ser, propriamente falando, uma criatura humana nem viveu uma verdadeira vida humana. Este dogma erradica a virgem da família humana, e faz de sua vida um fantasma. A despoja, realmente, do fundamento de sua verdadeira grandeza, qual seja a de que, sendo ela uma criatura como todas, embelezou, no entanto, seu caráter e imortalizou seu nome com as virtudes de sua abnegação, de sua piedade e de sua obediência.
O grande problema é que às vezes ou quase sempre temos uma visão concepcionista a Maria, pois ao pretendermos que ela tenha sido imaculada em sua conceição e necessariamente em sua vida também, quer dizer que ela nunca chegou a ser, propriamente falando, uma criatura humana nem viveu uma verdadeira vida humana.
Os Evangelhos nos apresentam uma Maria humana, santa e humilde por esforço próprio, o que reclama admiração e respeito, e não uma Maria divinizada e artificialmente sem pecado. A meu ver só Jesus achou-se isento da lei do pecado, mesmo tendo nascido de uma mulher sujeita ao pecado.

Sandro disse...

IMACULADA,UM CRESCIMENTO NA GRAÇA!
A compreensão do dogma da Imaculada precisa levar em conta, principalmente o aspecto da graça. A graça é o auxílio que de Deus recebemos para que possamos crescer na fé, na vivência cristã e construir comunhão. A vida é a maior expressão da graça que o ser humano pode receber de Deus. O nascimento de uma criança traz aos pais a alegria e ao mesmo tempo a preocupação com a educação da criança. Ninguém nasce pronto, mas é preciso crescer em todas as dimensões da vida para que possa ser humanamente realizado.
Se pensarmos o dogma da Imaculada como este crescimento humano na graça de Deus, então fica mais fácil a sua compreensão. Maria recebeu de Deus uma graça especial, mas em momento algum esta graça suprimiu a necessidade de esforço humano de Maria para que ela pudesse viver aquilo que Deus lhe havia reservado. Deus deu a graça e Maria perseverou nela. Se assim não fosse ficaria difícil entender a humanidade de Maria. A confusão seria ainda maior, pois pareceria que ela seria uma “deusinha” criada por Deus.
O dogma está a serviço da fé, mas não é o fundamento da fé. O fundamento é Jesus Cristo. Como afirma Paulo VI “em Maria tudo se refere a Cristo e dele depende”. Assim, a Imaculada precisa ser uma seta que aponta o caminho. Este modelo é mais eficaz e inspirador para todo cristão. Não nascemos prontos. Necessitamos da graça de Deus para que possamos crescer e desenvolver nossa fé. Até Jesus precisou crescer (Lc 2, 52).
SANDRO LUÍZ CHARNOSKI – FACULDADE DEHONIANA

Odinei P. Magalhães (ISTA) disse...

Ao falar sobre o Dogma da Imaculada Conceição, é necessário ressaltar a figura humana de Maria. Os dogmas marianos refletem sobre a humanidade de Maria, pois, ela, agraciada e privilegiada por Deus, se tornou um serviço para o bem de todos. Em Maria se realiza o sonho da “Nova Humanidade”, ou seja, o projeto original de Deus para cada um de nós. Íntima de Deus, discípula fiel, Maria acolhe no seu interior o imenso dom do Senhor, tornando-se a mãe do Filho de Deus encarnado. Mãe amorosa e dedicada, ela nos ensina a desenvolver os traços do amor materno presentes na totalidade do nosso ser. Toda de Deus e plenamente humana, ela nos ensina como ser um autêntico seguidor de Jesus Cristo. “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós”.

Luis Paulo - Fac. Dehonina disse...

Estava pesquisando algo mais sobre o dogma da Imaculada Conceição e acabei achando a Bula Ineffabilis Deus. Onde o Papa Pio IX, no dia 8 de Dezembro de 1854 diz: "Declaramos, pronunciamos e definimos a doutrina que sustenta que a Santíssim Virgem Maria no primeiro instante de sua concepção, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em Vista dos méritos de Cristo Jesus, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original, foi revelada por Deus e, por isso, todos os fiéis devem assim crer firme e constantemente".
Por isso que devemos acreditar em tal dogma. Maria foi e sempre será aquela mulher que sobre confiar nos desegnios de Deus.

Luis Paulo - Fac. Dehonina disse...

Estava pesquisando algo mais sobre o dogma da Imaculada Conceição e acabei achando a Bula Ineffabilis Deus. Onde o Papa Pio IX, no dia 8 de Dezembro de 1854 diz: "Declaramos, pronunciamos e definimos a doutrina que sustenta que a Santíssim Virgem Maria no primeiro instante de sua concepção, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em Vista dos méritos de Cristo Jesus, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original, foi revelada por Deus e, por isso, todos os fiéis devem assim crer firme e constantemente".
Por isso que devemos acreditar em tal dogma. Maria foi e sempre será aquela mulher que sobre confiar nos desegnios de Deus.

Antonio Marcos - Dehoniana disse...

Olhando para a figura de Maria, podemos notar uma grande acolhida da graça de Deus, Ela soube acolher essa graça em sua vida. Pela própria natureza feminina, podemos adotar para nós o ser de Maria, isto é, Maria foi um “ser para o outro”, ser de servidão, de ternura, de silêncio.
“Ao proclamar o dogma da Imaculada Conceição, podemos dizer que ele abrange dois pólos importantes: 1° preservada do pecado original desde o principio de sua conceição; e no 2° vê-se que tal privilégio não era devido por direito. Foi concedido na previsão dos merecimentos de Jesus Cristo”. http://www.lepanto.com.br/dados/ApMariaIC.html#Imac
Contudo, Maria se abre ao imenso amor de Deus, e pela encarnação se torna a Mae do filho de Deus.

Claudinei Francisco diz.... disse...

Sempre causa polêmica entre os teólogos quando se fala do dogma da Imaculada Conceição. Porém para o povo simples, o dogma da Imaculada Conceição ajuda a rezar e superar muitas dificuldades que a vida lhe impõe.
Este dogma nos ensina que cada ser humano vem ao mundo com uma bênção divina. Cada pessoa é criada em Cristo com o sopro de vida e com a Graça Original. Assim, Deus chama para sermos santos e imaculados. Isso aconteceu também com Maria.
Deus concedeu a Maria um dom especial, o que não significa que ela não precisou crescer na fé, vivendo e respondendo seu sim. Ela também passou pelo aprendizado da vida, e foi nesta busca de aprender que ela se tornou exemplo para todos nós.

Claudinei Francisco de Oliveira – FACULDADE DEHONIANA

Célio Alex - ISTA - V Teologia disse...

“Maria é toda de Deus e caminhante na fé”.

No horizonte bíblico todos somos chamados a sermos inteiros, cheios de Graça, como nos lembra o apóstolo Paulo na sua carta aos Efésios: “Como também nos elegeu Nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante Dele em amor”.
Assim sendo, perguntamos: qual é o sentido do dogma da Imaculada Conceição hoje? Pois bem, de acordo com o projeto de Deus, Maria é a nova proposta de Deus apresentada como nova criatura, novo Adão. O dogma da Imaculada Conceição vem confirmar a perfeição de Deus numa nova criação através de Cristo, feito homem, e de Maria, que por Graça Divina acolheu a vontade de Deus. (Lc 1,26-38). Ela contribuiu para que o amor de Deus fosse revelado aos pequenos por meio de seu sim.
Maria foi livre, por graça de Deus, em acolher a proposta divina mesmo sem entender. Assim, podemos dizer que Maria é “modelo” de fé e discipulado. É verdade que Ela não entende tudo. Tem que rever esquemas e comportamentos, mas cresce, no bem, e é redimida pela graça de Cristo, que lhe confere forças para integrar tendências e enfrentar o mal. Maria é discípula educadora e mãe de Jesus. Ela é a nova proposta de Deus para a humanidade.

Claudinei Ramos - ISTA - V Teologia disse...

Imaculada Conceição

O dogma da Imaculada Conceição aparentemente parece ser muito simples de compreensão. Sobretudo, no meio das devoções populares onde Maria é vista como Santa, Imaculada toda de Deus.
Todavia, o dogma da Imaculada Conceição gerou sérias controvérsias com os protestantes por não ter nenhum fundamento bíblico. Esta questão ainda hoje dificulta o diálogo ecumênico com as demais Igrejas cristãs.
Por outro lado, temos que reinterpretar o dogma da Imaculada Conceição visto que este surgiu em meio a devoções populares e visões teológicas que colocam Maria como sendo aquela que foi privilegiada por Deus frente o pecado. Esta imagem de Maria do privilegio nos faz pensar em uma mulher do alto, toda pronta, porém como sabemos não é assim que nos relata os evangelhos. Maria é mulher como todas as outras, porém soube fazer de sua vida uma profunda entrega ao projeto do Reino. Soube renunciar o pecado, pois este não faz parte de nossa essência humana, mas de nossa condição. Maria soube cultivar a essência do ser humano se preservando do egoísmo e tantos outros elementos que nos distancia de nossa verdadeira essência e nos rebaixa a condição de pecadores.
Portanto, só compreenderemos o dogma da Imaculada Conceição quando olharmos para Maria como aquela mulher que soube viver plenamente a essência humana. Isto a fez Imaculada e não privilegiada.

Edvaldo-Dehoniana disse...

Concepção Imaculada de Maria
Falar de nossas mães nem sempre se torna um papel fácil e tranquilo. Podemos cair num profundo sentimentalismo e esquecer o verdadeiro papel que elas representam em nossas vidas. Digo isso, pois, ao falar do dogma da Imaculada Conceição, simplesmente podemos aceitar que Maria fora uma pessoa completamente iluminada por Deus e por isso sua concepção sem pecado, nem mancha. Isso seria privilégio e, conseqüentemente, excludente. Mas como falar em privilégios, sendo que ela também se colocou aberta à graça de Deus para desempenhar seus desígnios em sua vida?
Todos, criados à imagem e semelhança de Deus, somos convidados a caminhar rumo a nossa felicidade. E nesse projeto ninguém está pronto. Pois, somos seres de esperanças e projeções. Por isso, somos pessoas que nos colocamos no processo de sempre estarmos aprendendo com a vida. Buscas, conquistas e realizações são frutos inerentes nesse projeto.
É assim que concebo o dogma da Imaculada Conceição de Maria. Não como receptora passiva de privilégios, mas, ao contrário, sendo aquela que soube acolher a graça de Deus em seu bojo para evoluir, entender e crescer na sua fé. “Maria não nasce pronta, mas percorrendo o caminho da sua existência abre vários horizontes para exercer melhor sua missão de discípula, pedagoga e mãe do Messias.”(Afonso Murad, Maria, Toda de Deus e Tão Humana,p.124).

Ó mãe, discípula amada que se colocou como peregrina no projeto de seu Filho. Sabemos que tu não és a fonte, mas como caminhante és aquela que pode nos mostrar e nos auxiliar no projeto de salvação; ajuda nos a percorrer fielmente, esse caminho com coragem, empenho e dedicação; para, como filhos e filhas de Deus, testemunharmos que somente Ele é o nosso caminho, a nossa verdade e a nossa vida. Amén.

Cesar Facultad Dehoniana disse...

Cesar Ruben Gomez Dehoniana.
Es mas que interesante pensar, refleccionar sobre Maria Inmaculada.
Es mas que fasinante ver a traves del velo que cubre este echo.
Y descubrir en el, el magnifico don de la vida.
¿Y me nacia la siguiente pregunta?
Hoy en cada madre , en cada niño que nase, en cada ser que se asoma a este mundo: ¿no nase tambien una esperanza nueva, un sueño nuevo, un alma libre.? Sin duda alguna.
¿Es que cada madre, en cada ser que nase no trae en si marcas de Dios, Marca de pureza?.
Al contemplar un bebe, al ver a una madre cuidando a su hijo, acarisiandolo, besandolo: ¿no se ve en ellos el amor de Dios?. Sin duda alguna.
Hablar de Maria Inmaculada es hablar del jesto mas marabilloso de amor, y no es magia, no es algo solamente misterioso, es algo bien concreto, algo real. Es hablar de brazos que protejen, hablar de un corazon alerta a las necesidades de un hijo que esta cresiendo, es en esto que el dogma de Maria Inmaculada cobra sentido. Si maria no hubiera amado con corazon de mujer con corazon de madre con corazon de una mujer simple, de barrio ser Inmaculada no tendria sentido alguno; no es el titulo que ase de maria una mujer especial, es el amor de madre que la torna especial, igual que desir mamá: no son las palabras “mamá” que convierten a una mujer en madre, si no el jesto concreto de amor.
El pecado original no es mas que simplemente el propio limite humano, y no ser alcansado por el pecado es algo que se construye, auque paresca increible, no es a travez de una ascesis terrible, es simplemente aprender a amar, y es este un magnifico desafio a enfrentar: aprender a amar.
Pienso que un Titulo no ase a la persona, a la persona le ase ser sus jestos concretos de ser, de hacer, de amar. El Titulo no hace a la persona, a la persona hace su jestos concretos de vida.
Maria en esto es testimonio, como tantas otras Marias anonimas, en silencio no dudarian dar sus vidas por amor.

Marcelo Martins Dehoniana disse...

Falar da Imaculada Conceição de Maria é afirmar que Ela acolheu e cultivou a Graça que recebera de Deus. Cremos também que Ela soube entregar-se totalmente a Deus como peregrina exemplar na fé. Uma Mulher como Ela só teria a capacidade e coragem de fazer o que fez porque certamente sua vida estava voltada a fazer o bem ao próximo e também ter uma vida intensificada na oração. Assim, percebemos o quanto essa mulher se torna servidora, não só para o povo ao seu redor, mas para toda humanidade. Cremos que sua Imaculada Conceição está ligada com sua responsabilidade de manter-se fiel na caminhada. É claro que para Ela chegar a esse patamar de “glória”, com certeza muitas lágrimas foram derramadas e talvez muitas noites mal dormidas, mas tudo isso para que se mantivesse na integridade filial de uma verdadeira mulher.

alexandresjs disse...

O dogma da Imaculada Conceição quer dizer muito a nós cristãos da atualidade. Vivemos uma época em que a sexualidade é banalizada. Famílias nascem de repente, sem planejamento. Tudo isto revela a crise da estrutura familiar. E são a estes problemas que o dogma podem iluminar.
O dogma da Imaculada Conceição nos dá uma luz no fim do túnel. Ele apresenta-nos Maria com um modelo final que devemos alcançar. O fato de Maria ser Imaculada nos da um modelo ideal, e cabe a nós, vivenciar o real (santos) e buscando sempre este ideal de pureza (Maria), e liberdade na graça. A graça de Deus quer nos santificar, nos tornar santos. Maria é este modelo de santidade.
Para Maria ser Imaculada não é uma isenção de erros. Isto nos revela que Maria também teve corrigir e compreender ao certo sua missão e a missão de seu Filho. Assim sendo ser Imaculada, mais do que um privilégio, é uma vocação à responsabilidade. Responsabilidade de tutelar pela infância de Jesus. Ela em sua pequenez e humildade acolhendo Jesus.

Marcelo Marins - ISTA disse...

O dogma da Imaculada Conceição tem sérios problemas! Ele não tem uma base bíblica direta, não surgiu a partir de polêmicas, nem foi decidido em Concílio. Expressa uma Mariologia maximalista e sobrecarrega a Igreja de dogmas, não contribuindo para o diálogo ecumênico. Surge de uma compreensão do pecado original como uma mancha inata no ser humano. Com todos estes entraves fica difícil aceitação dele, a não ser por puro abandono da reflexão teológica.
Em nossas aulas, o professor Murad, tenta construir uma resignificação desse dogma. Olhá-lo sob uma nova óptica, uma nova interpretação. Ele diz: Maria é pré-redimida pelo Verbo de Deus. Ela recebe sua graça salvadora numa intensidade maior do que nós, o que lhe dá forças para integrar tendências e pulsões. Conquista assim uma inteireza admirável. Exerce melhor sua missão de perfeita discípula, educadora e mãe do Messias. Com maior liberdade interior, Maria desenvolve profundamente suas qualidades humanas e espirituais, tornando-se criatura santa, não fragmentada, dona de si, aberta a Deus. Portanto, o fato de ser imaculada não a torna menos humana. De fato, com essa interpretação o dogma fica mais aceitável, compreensivo e menos autoritário. Aliás, cabe aqui uma reflexão: a Igreja não pode mais continuar, autoritariamente, forçando os fiéis a crer em afirmações que não tem fundamentos bíblico-teológicos coerentes. A fé não pode ser um amontoado de afirmações, só sustentáveis por força de autoritarismos e de medidas disciplinares. Aquelas verdades religiosas que se valem das fragilidades da razão para introduzir suas doutrinas não tem mais lugar. Nas palavras de Karl Hahner: chega de dogmas!

Adriano Marques (Dehoniana) disse...

Sobre a imaculada conceição e sobretudo sobre o texto proposto para leitura destaco quatro pontos interessantes que destacam a importância deste dogma.
O primeiro ponto é a afirmação de que Maria não nasce prontinha. Como nós ela também se desenvolve humanamente e espiritualmente. Mas seu desenvolvimento se desenrola num caminho que culmina no bem supremo. Daí vem o segundo ponto que é a afirmação de que Maria trilha um caminho sempre positivo, sem falsos desvios ou atoleiros. Maria realiza sua vocação pelo caminho humano da fé, em meio a crises e dificuldades. Ela também teve que fazer correções de rota no correr da vida. Desta forma, segundo o texto, Maria realiza a utopia da nova humanidade, do ser evoluído espiritualmente e nos ensina que tudo o que recebemos é dom e se destina a ampliar a rede do Bem, a estender o Reino de Deus sobre a terra.
Diante destes quatro pontos que ressaltam a importância de Maria encontramos a importância deste dogma. É importante notar que este dogma é muito questionável por causa das compreensões errôneas. Mas diante de tal apresentação percebo que este dogma revela o caminho que deveria ser percorrido por todo aquele que deseja entrar na dinâmica de fazer da vida um itinerário que tenha como causa final o supremo bem, uma humanidade ordenada, uma sociedade integrada e uma fé inteligente e madura.

João Machado Faculdade Dehoniana disse...

Sobre a questão do dogma da Imaculada Conceição gostaria de dizer que, ao fazer a reflexão sobre primeiramente quem é todo ser humano diante de Deus, percebi que Maria foi sim, uma mulher privilegiada, porém uma mulher que correspondeu de forma madura este privilégio que Deus lhe concedera.
Outro ponto que gostaria de partilhar é a questão da Graça Original. Não havia prestado tanta atenção, ou talvez ainda não tivesse escutado este termo, mas agora ao estudar este tema com relação ao dogma da Imaculada Conceição, este ponto me chamou atenção e por isso gostaria de dizer que achei muito interessante e ao mesmo relevante. E isto muda de maneira radical a compreensão sobre todo ser humano, seja ele batizado ou não, uma vez que todos são predestinados em Cristo desde toda a eternidade.
Termino por dizer que, a aula foi maravilhosa e peso que Maria interceda para que todos nós, assim como ela correspondamos a esta “Graça Original” de filhos no “Filho”.

Márcio Fraga - Dehoniana disse...

Interpretar o dogma da Imaculada, sobretudo na emergente necessidade de respostas para os que crêem na Fé revelada e proclamada e aos que não crêem é muito propício e oportuno. Atualizar ou meramente olhar a definição dogmática provoca uma curiosidade, espanto,estranheza ou apenas aquela que foi meramente privilegiada. Mas ir além, de olhar para Maria como expressão vísivel da ação de Deus através da sua humanidade, á figura do discípulo e missionário de Jesus Cristo de nossos dias é perceber que o dogma de nada acresenta ou amenta a importância de Maria para a História salvífica.
Apenas deve realçar a sua missão e seu caminhar de fé, discernimento, perseverança a mulher ouvinte e praticante da Palavra. Que o dogma nos ajude a progredir na fé como "a toda de Deus" permitiu-se fazer.

Djalmir Ananias - Ista disse...

O dogma da Imaculada Conceição é a expressão da graça de Deus na criatura humana. Maria nada mais foi do que criatura humana, assim como é cada um de nós humanos. Ela foi toda de Deus, viveu a dimensão humana. Porém foi agraciada por Deus, ela se abriu, se entregou ao plano de amor de Deus. Como mãe, ouvinte, discipula, peregrina na fé. Portanto o segredo do dogma da Imaculada é que: Maria de tanto ser humana e de ser toda de Deus, viveu e praticou a Palavra em sua missão.

Anônimo disse...

IMACULADA CONCEIÇÃO E ASSUNÇÃO
Este dogma, tende ser entendido a luz da Ressurreição de Cristo, e da exemplaridade de vida de Maria. A começar pela Anunciação; a Anunciação mostra a Virgem Maria, dialogando com o grande “emissário” de Deus como uma pessoa perfeitamente autônoma e responsável; os Evangelhos da Infância, desenham uma figura de Maria com estes traços: pobre (ver cena do Natal), especialmente o símbolo do presépio ou o cocho para os animais); corajosa na perseguição (cf. a fuga para o Egito); desconhecida , vivendo a sorte obscura das maiorias: um cotidiano feito de muito trabalho e de muita luta (lembrar a perda de Jesus no Templo e a volta à vida ordinária de obediência e serviço em Nazaré); e meditativa, procurando perceber na vida os sinais da presença e da vontade de Deus; a cena em Caná destaca a solicitude de Maria, que Poe sua mediação materna em favor da alegria do povo, passagem pedagógica para a fé no Cristo e em sua gloria messiânica; a vida publica de Cristo põe em evidência o discipulado de Maria, segundo o qual o que conta acima de tudo não é os laços de sangue (ser mãe carnal de Jesus), mas os laços do espírito (ser mãe de Jesus por uma fé operante); o relato de Maria aos pés da Cruz mostra a prova extrema, tanto física como espiritual (a “noite escura da alma), a que Ela foi submetida pelo fato de partilhado o destino do Messias, seu Filho. Podemos até fazer um paralelo do NT com o AT, na Anunciação, Maria é, como “Filha de Sião” dos Profetas, o Povo de Deus que acolhe na alegria o Messias há muito esperado; no Magnificat, Maria é a Igreja dos anwim que canta a libertação plena trazida por Cristo; na Visitação a Isabel e também na visita dos Magos, a Virgem emerge como Rainha-mãe (Gebirah), que, ao lado de seu Filho, o Senhor e Rei, cuida da sorte de seu Povo; Junto à Cruz, Maria é a Igreja-mãe que gera a nova humanidade, nascida da cruz gloriosa. Portanto dentro deste contexto não fica difícil de entender estes dogma. Não tem o que falar diante de um testemunho de vida como este de Maria, o mais que podemos dizer é que ela está de fato na Glória de Deus Pai, com seu Filho Jesus Cristo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
MURAD, Afonso. Maria, toda de Deus e tão Humana. Paulinas - São Paulo, 2004.
REB, FASC.250 – Abril – 2003. Artigo: Visão social da figura de Maria. Clodovis Boff.

Adilson F. Chaves - Faculdade Dehoniana.

Adilson F.Chaves - Dehonina disse...

IMACULADA CONCEIÇÃO E ASSUNÇÃO
Este dogma, tende ser entendido a luz da Ressurreição de Cristo, e da exemplaridade de vida de Maria. A começar pela Anunciação; a Anunciação mostra a Virgem Maria, dialogando com o grande “emissário” de Deus como uma pessoa perfeitamente autônoma e responsável; os Evangelhos da Infância, desenham uma figura de Maria com estes traços: pobre (ver cena do Natal), especialmente o símbolo do presépio ou o cocho para os animais); corajosa na perseguição (cf. a fuga para o Egito); desconhecida , vivendo a sorte obscura das maiorias: um cotidiano feito de muito trabalho e de muita luta (lembrar a perda de Jesus no Templo e a volta à vida ordinária de obediência e serviço em Nazaré); e meditativa, procurando perceber na vida os sinais da presença e da vontade de Deus; a cena em Caná destaca a solicitude de Maria, que Poe sua mediação materna em favor da alegria do povo, passagem pedagógica para a fé no Cristo e em sua gloria messiânica; a vida publica de Cristo põe em evidência o discipulado de Maria, segundo o qual o que conta acima de tudo não é os laços de sangue (ser mãe carnal de Jesus), mas os laços do espírito (ser mãe de Jesus por uma fé operante); o relato de Maria aos pés da Cruz mostra a prova extrema, tanto física como espiritual (a “noite escura da alma), a que Ela foi submetida pelo fato de partilhado o destino do Messias, seu Filho. Podemos até fazer um paralelo do NT com o AT, na Anunciação, Maria é, como “Filha de Sião” dos Profetas, o Povo de Deus que acolhe na alegria o Messias há muito esperado; no Magnificat, Maria é a Igreja dos anwim que canta a libertação plena trazida por Cristo; na Visitação a Isabel e também na visita dos Magos, a Virgem emerge como Rainha-mãe (Gebirah), que, ao lado de seu Filho, o Senhor e Rei, cuida da sorte de seu Povo; Junto à Cruz, Maria é a Igreja-mãe que gera a nova humanidade, nascida da cruz gloriosa. Portanto dentro deste contexto não fica difícil de entender estes dogma. Não tem o que falar diante de um testemunho de vida como este de Maria, o mais que podemos dizer é que ela está de fato na Glória de Deus Pai, com seu Filho Jesus Cristo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
MURAD, Afonso. Maria, toda de Deus e tão Humana. Paulinas - São Paulo, 2004.
REB, FASC.250 – Abril – 2003. Artigo: Visão social da figura de Maria. Clodovis Boff.

Adilson F. Chaves - Faculdade Dehonina.

Jaime - Dehoniana disse...

O Dogma da Imaculada Conceição é entendido muitas vezes de forma superficial e de modo especial inclinado para a afirmação de que Maria foi concebida sem mancha de pecado original apenas. É de suma importância, ressaltar que o Dogma vem ilustrar outras faces como o amor profundo de uma mãe, sua identidade, sua personalidade, seu amor, sua ternura e carinho que muitas vezes ficam desapercebidas no nosso cotidiano. O Dogma foi proclamado pelo Papa Pio IX, no dia 8 de dezembro de 1854, na Bula Ineffabilis Deus.
“Declaramos, pronunciamos e definimos que a doutrina que sustenta que a Santíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua concepção, foi por singular graça e privilégio de Deus onipotente em previsão dos méritos de Cristo Jesus, Salvador do gênero humano, preservada imune de toda mancha de culpa original, foi revelada por Deus, portanto, deve ser firme e constantemente crida por todos os fiéis” (Papa Pio IX ). Diante dessa afirmação quero ilustrar como muitas vezes damos um acento a determinadas ideias como: “imune de toda mancha de culpa original” e deixamos o essencial de lado. O fato de Maria ser Imaculada não lhe tirou o esforço de ser peregrina na fé, de ser discípula. Ela deve ser entendida antes de tudo como aquela que realiza o projeto de Deus, ou seja, cumpre aquilo que somos chamados a realizar como pessoa na humanidade. A nossa vida deve ser entendida e compreendida como dom e tarefa, ou seja, tudo é dom de Deus, mas cabe a cada um realizar o seu trabalho, a sua tarefa para termos uma humanidade mais cordial, solidária e fraterna.

Vanderlei Alves dos Reis -ISTA disse...

Cada dogma nos fala que Maria é uma pessoa humana como cada um de nós. Maria é especialmente agraciada por Deus, cheia de graça. Ela é pré-redimida pelo Verbo de Deus. Ela recebe sua graça salvadora numa intensidade maior do que cada um de nós. Mostra algo de mistério, que nós não percebemos com um olhar superficial. Sabemos que Deus assumiu e transformou tudo de bom que Maria construiu na terra. Olhando para Maria, ressuscitada e glorificada, que seguiu os passos de seu filho Jesus, nos anima a lutar pelo bem, pela justiça e pela fraternidade. Deus assume de tal modo sua pessoa e sua missão que Maria hoje está glorificada junto do seu filho e dos santos. Eis aí o segredo dos dogmas de MARIA. Só assim podemos compreender o dogma de MARIA.

Cláudio - ISTA disse...

É de suma importância termos consciência de que o dogma da imaculada conceição tem sua raiz na graça. Ela é a “agraciada por Deus”. É importante para compreendermos que Maria também fez uma caminhada na fé. O fato de ser imaculada não a torna menos humana. O que a torna uma pessoa especial, é a graça de Deus que agindo nela, torna-a pré-redimida. É necessário redescobrir Maria como aquela mulher simples de Nazaré, dona de casa, mãe, esposa, que acreditou plenamente no projeto de Deus e colocou-se a disposição dele, e, por isso, recebeu a plena graça de, sendo a genitora do Verbo, ser imaculada. O problema que surge deste dogma é justamente o de imaginá-la como uma mulher com uma essência não-humana, alguém que não precisa fazer esta peregrinação na fé.

Renato Marques disse...

O texto é convidativo a uma boa leitura e me levou a uma melhor compreensão do dogma da Imaculada Conceição ao levar a refletir sobre quem é o ser humano diante de Deus. Olhando quem é o ser humano diante de Deus, vemos aquilo que Maria tem de especial, a graça que ela recebeu e isso para mim, não desmerece nenhum de nós. Se cada um possui uma graça ou uma bênção divina original precisa desenvolvê-la no dia-dia, não guardar somente para si, mas colocar a serviço dos outros, Maria colocou a sua graça a serviço da humanidade toda.
A afirmação: ninguém começa sua vida a partir do nada, me leva a pensar neste projeto amoroso de Deus, nesta graça original que somos chamados a desenvolver mesmo em meio aos desafios de nossa história, ter equilíbrio em nossas ações, fazer um projeto de vida. Em Maria vemos que ela recebe um dom especial, mas que não nasceu diferente de nós, também não estava “pronta”, foi desenvolvendo a sua graça “original”, nisto foi crescendo na fé a tal ponto de no momento do anúncio se espantou, mas logo, aceitou o projeto de Deus em sua vida. Maria se colocou a serviço da obra de Deus e soube em meio aos desafios e dificuldades corresponder aos apelos de Deus, não em um outro mundo, mas neste, desenvolvendo as suas qualidades e seu dom original.
As aulas de Mariologia têm me ajudado nestes aspectos a compreender que Maria não viveu uma “realidade” fora de nós, mas acolheu esta graça original que a ela foi dada com mais intensidade, não por um “privilégio” somente a ela, mas soube ampliar este dom para toda a humanidade sendo fiel ao projeto Salvador.
Renato Marques - Dehoniana

evando, faculdade dehoniana disse...

O dogma da Imaculada Conceição consiste no sentimento de que Maria é uma pessoa completamente iluminada por Deus. No seu corpo encontra-se a graça. As suas virtudes existenciais levaram o povo a cultuá-la antes do Dogma. Não é fácil falar do dogma da Imaculada porque muitas pessoas pensam que Maria Imaculada nasceu e viveu de tal forma Santa, que não teve dificuldade ou crise. Ao contrário! Ela questionou, passou por dificuldade e foi uma pessoa concreta na história. O problema é que as pessoas, a idealizam, de maneira gloriosa desligando-a da realidade do mundo cotidiano. “O povo intui, sem ter estudado teologia, que Maria é toda Santa, toda de Deus”. A mensagem positiva da Imaculada Conceição é que Maria é agraciada e cheia de graça [cf. Lc 1,28]. “A ‘graça original’ de Deus, que nos cria e nos salva, é mais importante e mais forte do que o pecado original e nos ajuda a superar nossos pecados e falhas”. O pecado original é um pecado em sentido ontológico. Faz parte de nossa atuação condição humana, que sofre a ação do mistério do mal e da iniqüidade. Que o ser humano seja limitado e aprendiz, isso faz parte de sua essência de criatura.
Assim, Maria é pré-redimida pelo Verbo de Deus. Ela recebe sua graça salvadora numa intensidade maior do que nós... Conquista em si uma inteireza admirável. Com maior liberdade interior, a mesma desenvolve com profundidade suas qualidades humanas e espirituais. O fato de Ela ser Imaculada realiza a utopia da “nova humanidade”, do ser humano evoluído espiritualmente. A imagem de Maria imaculada não está completa. Só é possível completá-la por meio da imagem de Maria peregrina na fé.

Evando, Faculdade Dehoniana.

JOSE ALBERTO - DEHONIANA disse...

O dogma da Imaculada Conceição
Para entender o dogma da Imaculada Conceição é preciso refletir antes sobre quem é o ser humano diante de Deus. A partir daí, ver o que Maria tem em comum conosco e o que ela tem de especial. Parto do principio de que Maria é igual a nós em tudo, porem, compreendeu desde muita nova que viemos ao mundo para fazer o bem, ou seja, Maria aprendeu a amar e por isso que é tão amada por nós. O dogma da Imaculada Conceição quer afirmar que Maria recebe de Deus uma graça que a faz nascer mais integrada do que todas as pessoas, com mais capacidade de ser livre e acolher a proposta divina. Porem este fato não tira de Maria a necessidade de crescer na fé, pois isso é da pessoa humana, que precisa evoluir. A Imaculada é também a mulher que caminha como o Povo de Deus, que participa da vida da comunidade, é mulher peregrina. “Maria mãe, Maria mulher, como é bonita a tua fé”. Este é um dogma difícil de compreender, pois não apresenta bases sólidas. Portanto, boa parte das pessoas, por mais piedosas que sejam não compreendem o que seja um dogma. Porem é fato que Maria não se apega a essa graça especial, mas responde com maior solicitude a essa graça, quando se coloca a serviço dos irmãos. “Faça se em mim a tua vontade”.
Por José Alberto – Dehoniana.

Arildo Silva - ISTA disse...

Estudando o Dogma da Imaculada Conceição nos sentimos um pouco como peixe fora da lagoa, pois é de difícil compreensão.
A razão última da imaculada conceição contiua sendo o amor gratuito de Dues,o fundamento próximo da mesma e a prerrogativa de mãe de Jesus, que histórica e logicamente inclui uma santidade proporcionada à sua unição íntima com o Filho.

MauricioVaz-Faculdade Dehoniana disse...

Eu trabalho na Paroquia Imaculada em Ubatuba-SP. Este texto é excelente para compeeder o dogma da imaculada...

Anônimo disse...

Regiane Vieira, faculdade dehoniana
A devoção popular sobre Maria sempre me levou a questionamentos. Acreditava diferente do povo e por isso sempre me vi diante de criticas. A visão sobre a Imaculada que aprendi nunca me convenceu e sempre questionei isso em casa,mas como aprenderam errado nunca conseguiram entender o meu ponto de vista,e acreditava estar errada ou compreendendo errado.
Hoje descubro que estava e estou no caminho certo. Agora posso além de me sentir aliviada ajudar as pessoas que me ensinaram isso que não é bem lá como elas pensam. E com muito cuidado aos poucos vou apresentando esta Maria pra minha mãe e outras mulheres da família. E não é que dá certo? É uma revolução.
Algumas ainda preferem a Maria fora da terra, sobrenatural, perfeita, que nada fez por conta própria. Minha mãe já começa a compreender a Maria humana e discípula.
Esta visão de Maria (Imaculada) mulher que recebeu uma graça maior, mas que na vida foi discípula é muito melhor do que a visão de Maria como mulher nascida prontinha e perfeita.
Crer em Maria sobre este ângulo é mais bonito e me leva a um caminho de fé muito mais profundo, pois consigo vê-la com os olhos adiante. E adiante está Jesus.

Anônimo disse...

Gostei muito da apresentação que fez neste texto sobre a Imaculada conceição, quando realça a importãncia de Maria, cujo segredo não está simplesmente no ser a mãe do Verbo encarnado, mas principalmente, no exemplo de seguimento a Cristo para todos nós, como Perfeita discípula, que se coloca a caminho como a fiel aprendiz e peregrina da fé, em busca da compreensão do mistério de Deus em sua vida, para que da especialissima graça divina na terra, nasça uma "nova humanidade" redimida e alicerçada em Jesus. LAURINDO/ISTA

Bienvenu Liabwenda Dehoniana disse...

A contribuição dos documentos Lumen Gentium do vaticano II e Marialis Cultus de papa Paulo VI que me marcou muito e que sem dúvida ficará sempre gravada na minha mente é a seguinte:
1. Lumen Gentium
Reconhecimento a Maria como aquela que trouxe a Vida no mundo pela encarnação do Verbo. Isto se deixa explicar pela sua submissão a Palavra de Deus (Segundo Santo Irineu, obedecendo, Maria se fez causa da salvação tanto para si como para todo o gênero humano). Não é apenas mãe de Jesus, mas a mãe de Deus e também a mãe dos homens, fies a Cristo. Maria não é apenas mãe biológica de Jesus, mas também serva e discípula. A intercessão materna de Maria não diminui a mediação única de Cristo, mas ostenta sua potencia. Ela é o modelo da mãe e virgem. Intimamente ligada a Jesus, tão perto de Jesus que nenhuma outra criatura e ao mesmo tempo perto de nós. A virgem perfeita e sem mácula, sem ruga, imagem da Igreja, esposa de Cristo. Maria cooperou na obra da salvação pela sua obediência, fé, esperança e caridade. Nisso Maria é segundo Santo Ambrósio na perfeita união com Cristo. Ela merece um culto especial na nossa Igreja pelo fato dela estar presente no mistério de Cristo. No início e no fim da sua vida.
2. MARIALIS CULTUS
O que tocou o meu coração neste documento é antes de tudo a volta à Palavra de Deus, o culto a Maria deve ser fundamentado pelos grandes temas da mensagem cristã. Também a sensibilidade Ecumênica: no culto a Maria se deixar transparecer a dimensão eclesial da Igreja, preocupada pela união dos cristãos, isto também tem fundamento na Palavra de Deus: ‘’ Que todos sejam um... ’’A preocupação de Paulo VI de proteger a doutrina da Igreja contra todos os exageros no culto a Maria que podem induzir em erros outros cristãos. Enfim, a orientação antropológica para o culto a Maria mostrando as características de Maria presentes nas mulheres modernas atuais: virgem, mãe e esposa. Porém, Maria não se pode falar de Maria como modelo porque as experiências e contextos de vida são totalmente diferentes. Paul VI já falava o que nos deixou há pouco o falecido papa João Paulo II: a necessidade de conciliar a fez e a razão quando fala de considerar as aquisições da ciências humanas. Portanto, Maria foi sempre proposta pela Igreja a imitação dos fies.

Frei Rosinaldo 3º de teologia ITESP disse...

A questão é que, esquecemos que a Imaculada Conceição venerada nos altares é a pobre Maria de Nazaré, serva do Senhor, mulher do povo, desimportante na estrutura social do seu tempo. Figura prototípica onde se fazem realidade as bem-aventuranças do Sermão da Montanha, a bem-aventurada Maria – assim chamada por Isabel e por todas as gerações (Lc 1,42-43) – carrega em si a confirmação das preferências de Deus pelos mais humildes, pequenos e oprimidos. O assim chamado “privilégio mariano” é, na verdade, o “privilégio dos pobres”. A graça da qual Maria é cheia é patrimônio de todo o povo. Maria – a “tapeinosis” de Nazaré – sobre quem se pousa com predileção o olhar do Altíssimo constitui, mais do que nunca, para a Igreja, um modelo e um estímulo para tornar-se, cada vez mais Igreja dos pobres e com isto mais Imaculada a exemplo de Maria de Nazaré.

Ricardo Geraldo de Carvalho - ITESP disse...

Maria não era um ET e, por isso, não estava imune aos desafios próprios de seu tempo. O Dogma da Imaculada nos ajuda a compreender o processo existencial de Maria, visto que ela teve sabedoria em suas escolhas de vida, às quais lhe iluminaram em um seguimento coerente ao Deus da Vida. Neste ínterim, podemos ousar em dizer que Maria caminhava “ombro a ombro” com seu fiel amigo Javé, sem medo, receio ou mesmo vergonha deste Deus que libertou seus antepassados da escravidão. A grande liberdade de consciência demonstrada por Maria, fazia dela uma mulher capaz de sentir no íntimo do seu ser os apelos e angústias de seu povo. O coração daquela frágil judia se entrelaçava com os corações esperançosos de inúmeros homens e mulheres que tinham um sonho de liberdade do regime totalitário que minava as forças das pessoas daquela região. Concluímos, pois, que Maria correspondeu à graça oferecida por Deus em sua vida. Sua audácia deve inquietar-nos, a fim de comprometermos com o Projeto do Reino em nosso contexto histórico, suscitando-nos um desejo incomensurável de comunhão no que tange à justiça, à verdade e o Amor.

Vagner - ITESP disse...

Destaco este dogma em quatro pontos:

1.Maria é toda de Deus -> Morte do “eu” e centralidade em Deus, constante presença em Deus.

2. Fragilidade do ser humano: somos seres fragmentados, divididos, fazemos o que não queremos.

3. A graça = gratuidade de Deus, dom. É mais importante que o pecado original, pois nos recria a cada instante.

4.Maria convoca-nos a romper com o pecado estrutural e social e a vivermos de forma Ética, num um mundo sem exploração, sem violência, sem dominação.

Reginaldo Marinho disse...

Ao se falar em imaculada concepção podemos trazer ao centro das atenções a questão biológica de fecundação e da gestação. Entretanto, creio que este é um caminho que jamais teremos uma resposta satisfatória a quaisquer tendências. Seria mais interessante pensarmos que um caminho viável seria o de imaginarmos que ela é imaculada, sobretudo, no que se refere à fidelidade ao projeto de Deus. Maria como aquela que é iluminada por Deus e que dele recebeu graça diante da humanidade. No coração humano é comum encontrar a concepção de Maria como a santa e a pura, como aquela que alcançou em plenitude as virtudes heroicas do seguimento de Cristo, na radicalidade.
Não pensar e não reforçar a ideia de “sem mácula”, “sem pecado original”, “a sem ação que espera tudo cair do céu”, pois, esta perspectiva pode não nos ajudar a compreender o mistério mais profundo que é a própria Encarnação Verbo, do Filho de Deus feito homem (Cf.: Jo 1).
Assim como nós, Maria era necessitada da graça de Deus. Se pensarmos que ela era a perfeita discípula, não porque fosse infalível, mas porque tinha seu coração ligado em estreita relação com Jesus, aí sim, poderemos entender com o nosso coração filial, a maternidade dela e que ela nos aponta para Ele.

Unknown disse...

Quando se fala em dogma, logo vem a mente: verdade imposta e que não se pode questionar. Isso é um pouco complicado nos nossos tempos em que o acesso às informações é mais fácil, e a liberdade de expressão é defendido por todos os lados e às vezes até deliberadamente. Contudo, para os cristãos católicos, compreender a beleza do sentido do dogma da Imaculada Conceição nos faz refletir e pensar em Maria de uma forma mais inteira e sem receio.
Todo ser humano teve sua natureza afetada por um mal, que age na sua liberdade. Maria recebe de Deus um do especial de não se desviar da graça. Maria é mais integrada que todos, mas nem por isso deixou de ter dúvidas, medo, tristezas. O dogma da Imaculada, compreendido a partir da figura de Maria, peregrina na fé, me enche de alegria por afirma mais que nunca a humanidade redimida. Em Maria esse dom especial não serviu para ensoberbecê-la, mas para elevar a sua humildade, torna-la colaborador numero um de seu filho. Assim que devemos compreender, deixando de lado toda a fantasia do extraordinário e sobre humano, pois é justamente da humanidade que Jesus realizou a redenção da humanidade da qual Maria se tornou a primeira contemplada, podendo estar juntos com todos os santos que também responderam com suas vidas o sim ao Reino de Deus.
Heliomarcos Costa Ferraz - 3º ano Teologia FAJE.

Fabián Tejeda Tapia disse...

A bula Ineffabilis Deus, que proclama o dogma da Imaculada Conceição de Maria foi escrita numas circunstancias históricas na qual a Igreja adotava uma postura apologética que cada vez mais a distanciou do mundo. Parece-me que a proclamação do dogma da Imaculada Conceição foi a arma utilizada pela Igreja para combater o racionalismo e secularismo que acontecia na Europa na metade do século XIX.
A sociedade moderna proclamava a liberdade do homem como o princípio base da sociedade. O capitalismo liberal gerou que a práxis religiosa se realize no âmbito privado. O homem não precisava de ajudas externas nem de poderes heterônomos ao próprio homem para alcançar sua realização. O socialismo, desse tempo, fruto do capitalismo, estava próximo a anunciar o materialismo histórico.
Diante desse contexto, a Igreja assume uma posição antimodernista que condena os erros modernos. A prioridade do indivíduo diante do Estado e da Igreja leva a esta última a utilizar o dogma da Imaculada Conceição como uma muralha defensiva diante de um mundo moderno que ataca a Igreja. A figura de Maria é vista como a guerreira que acaba com as forças inimigas da Igreja. Ela também é vista como a restaurado da Igreja, pois nesse contexto estava em crise a legitimidade dos Estados Pontifícios.
Assim, a proclamação do dogma da Imaculada Conceição foi realizado com um claro fim apologético da Igreja e não fruto de um aprofundamento da Revelação divina. A declaração do dogma mariano esteve caracterizado por uma série de peculiaridades. À diferença da proclamação de outros dogmas não foi realizado por um concílio ecumênico. Além disso, o dogma da Imaculada Conceição opõe-se ao princípio base cristão da harmonia das doutrinas. Já no medievo, grandes teólogos, como Tomas de Aquino, rejeitavam essa doutrina.
Infelizmente, a Igreja do século XIX se valeu deste dogma para colocar a figura de Maria como alheia de toda a humanidade, pois ela teria uma graça singular, diferente à humanidade. Hoje, é preciso, mais do que nunca, reafirmar e reinterpretar este dogma à luz da mariologia eclesial e cristológica do Vaticano II. Maria, a mãe de Deus, nossa irmã na fé, compartilha a mesma graça de que compartilhamos todos os crentes. Os teólogos marianos têm neste dogma um grande desafio ecumênico. Maria nossa companheira, na caminhada escatológica, rumo a Deus pode nos animar, fortalecer. Mas não podemos esquecer que tanto Maria como nós devemos colocar nossa esperança só em Deus.