O Evangelho de João narra uma cena pouco conhecida. Filipe encontra Natanael e lhe diz que encontrou o “Escolhido de Deus” (messias), Jesus de Nazaré. Natanael lhe responde, com descrédito: De Nazaré pode vir alguma coisa boa? (Jo 1,45). Em outra cena, os chefes dos sacerdotes e o grupo dos fariseus afirmam: “Examine, e você verá que da Galiléia não surgiu nenhum profeta” (Jo 7,52). Nazaré e Galiléia estavam foram do centro das atenções.
No tempo de Jesus, a palestina estava dividida, do ponto de vista cultural e política, em três regiões: ao Norte, a Galiléia; ao centro, a Samaria; e ao Sul a Judéia. Embora tivesse uma situação melhor que a Samaria, habitada por um grupo religioso não-judeu, a Galiléia não era vista com bons olhos pelos judeus da religião oficial. O Norte da Palestina esteve ocupado por outros povos, durante o exílio. Então, naturalmente, quando os judeus voltaram a habitar na região, foram incorporando alguns elementos culturais ali presentes. O povo da Galiléia não era considerado pelas autoridades de Jerusalém como aquele que seguia plenamente a lei judaica da pureza. A palestina também era tida como uma região politicamente efervescente. De lá haviam saído vários grupos rebeldes ao poder romano, como aquele comandado por uma tal Judas, o Galileu (At 5,37). Por isso, Pilatos manda colocar sobre a cruz de Jesus uma frase cheia de ironia: “Jesus Nazareno, rei dos Judeus” (Jo 19,19).
No entanto, é na Galiléia que Jesus vive grande parte de sua missão. Lá amadurece seu projeto de vida. Percorre vilas e povoados durante três anos, anunciando o Reino de Deus. Forma seus discípulos nos caminhos empoeiradas da Galiléia, nas montanhas e nos lagos. E, quando ressuscitado, volta glorificado para lá, chamando os seus seguidores para virem ao seu encontro (Mt 28,10.16).
O que significa tudo isso para Maria? Quando Lucas descreve a vocação dela, faz questão de situar: O enviado de Deus foi enviado à Nazaré da Galiléia, e uma moça prometida em casamento a José (Lc 2,4). Nazaré faz parte da identidade de Maria. Ela vem de uma cidade simples e desconhecida, próxima à Fenícia (hoje, o Líbano), num ambiente de diversidade cultural e religiosa e esperanças de mudanças. O evangelho a apresenta assim: Maria de Nazaré. Mais tarde, escritores incomodados com essa simplicidade de Deus, pintarão a anunciação no templo de Jerusalém. Colocarão Maria ao lado dos sacerdotes, quase como uma monja. Mas isso não traduz o anúncio do evangelho.
Hoje, em tempo de celebridades, de supervalorização dos centros urbanos, da cultura do sucesso e da imagem, é bom se lembrar desta expressão: “Maria de Nazaré”. Para Deus, não importa a aparência, o lugar de proveniência, os títulos. Conta sobretudo a qualidade do gesto. E nisto, Maria de Nazaré tem muito a nos ensinar. Amanhã veremos....
domingo, 2 de maio de 2010
sábado, 1 de maio de 2010
O ventre de Maria
O que houve com Maria foi algo além do que poderíamos sequer ousar imaginar.
Deus Filho se encarnando no ventre de uma jovem mulher? E Deus tem um filho? Como? Então, não é um só Deus? E se Deus, segundo algumas religiões é só uma pessoa, como pode Deus ter um filho, que é Deus como Ele?
Aí aparecem os cristãos dizendo que Deus é um só ser, mas este ser não é só uma pessoa e sim três pessoas num só ser! Maria também não sabia disso! De repente um anjo lhe aparece e ela fica com medo. Medo do quê? Pergunta o anjo. – Você foi escolhida e Deus, o altíssimo vai se encarnar como pessoa humana, dentro do seu ventre. Você vai abrigar o Filho do Altíssimo..
É claro que Maria não entendeu. -Se você que vem de lá, está falando isso, que seja como você falou! Que aconteça o que Deus quer que aconteça! Disse ela. E ficou com aquilo na cabeça e no coração. Como assim? Vou ser mãe de um modo como virgem alguma jamais foi? A cada momento ela aprofundava mais aquele fato. Todas as gerações irão discutir isso até o fim dos tempos. E muitos vão dizer que Deus fez coisas incríveis em mim e dirão que sou feliz. Mas eu sei o que me espera!
Guardou silêncio e só falou com quem fosse capaz de entende-la, porque também tinha passado por uma gravidez fora do comum: sua parenta Izabel. Nem com José ela falou. Entregou o noivo aos cuidados de Deus. E foi o céu que disse a José para não ter medo da gravidez de Maria. Ele a levou para a sua casa, tornando-se cúmplice daqueles fatos. Filho especial, mãe especial, gravidez especial, paternidade especial...
Hoje, alguns crentes cristãos de outras Igrejas e de outras religiões, e mais ainda os ateus acham difícil crer na virgindade de Maria. Há versículos da mesma Bíblia, deixando claro que aqueles que são citados como irmãos de Jesus têm outra mãe. Judas, Simão, Tiago e José que eram filhos de Maria de Alfeu. Em várias passagens são citados como irmãos entre si e também como irmãos do Senhor, que porem era filho de outra Maria, a de José. Então não eram irmãos de sangue nem do mesmo ventre. Mas os versículos estrategicamente nunca são lidos nem lembrados. Então, muitos deles insistem que Maria teve outros filhos logo, só foi virgem até Jesus. Depois deles foi mãe como outra mãe qualquer.
Vai ser sempre difícil crer que Deus é três pessoas divinas, Pessoa-Pai-Santo, Pessoa-Filho-Santo e Pessoa-Espírito-Santo e que as três pessoas são um só ser. Alguém sempre reduzirá Jesus Cristo, o ungido, no máximo à condição de profeta porque e um absurdo dizer que alguém é Deus de Deus. Nós que o vemos como Filho Eterno do Pai Eteno, com o Espírito Santo Eterno formando um só ser Deus Eterno, mas afirmando sua encarnação, seremos vistos como impostores, confusos, enganadores, ignorantes, fanáticos ou pouco inteligentes.
Para eles, inteligente é quem conclui ou crê ou nega como eles. Para nós, inteligente é quem lê dentro dos acontecimentos.Maria inteligentemente praticou o “intus-legere”. Leu dentro, guardou-os no coração e foi aprofundando, sem nada afirmar, passo a passo com o filho, do nascer ao morrer, ao ressuscitar e ao voltar ao céu. Ela mais pensou do que falou. Fez o contrário de milhões de pregadores que mais falam do que pensam e acham que quanto mais marketing usarem e quanto mais falam do que Deus fez neles mais serão de Deus. O que houve com Maria foi fora de qualquer cogitação humana.
Jamais conseguiremos explicar que Deus-Pessoa-Filho existe e se fez homem. Maria também não saberia e nem inventar, nem prever isso. Teve que ir assimilando; a cada golfada de leite; a cada roupa dele que lavava; a cada papinha que lhe pôs na boca; a cada palavra que lhe ensinou; a cada brincadeira, choro e riso e... mais tarde a cada palavra que disse e a cada golpe que levou. Acreditou na medida em que meditava. Isso também fez Maria diferente. Ela pensava! Era pensadora. Por isso, assimilou! Poderíamos aprender com ela porque o mundo está superlotado de pregadores e de fiéis que preferem mais sentir do que pensar. O mundo será mudado pelos que conseguem fazer as duas coisas.
Padre Zezinho
Deus Filho se encarnando no ventre de uma jovem mulher? E Deus tem um filho? Como? Então, não é um só Deus? E se Deus, segundo algumas religiões é só uma pessoa, como pode Deus ter um filho, que é Deus como Ele?
Aí aparecem os cristãos dizendo que Deus é um só ser, mas este ser não é só uma pessoa e sim três pessoas num só ser! Maria também não sabia disso! De repente um anjo lhe aparece e ela fica com medo. Medo do quê? Pergunta o anjo. – Você foi escolhida e Deus, o altíssimo vai se encarnar como pessoa humana, dentro do seu ventre. Você vai abrigar o Filho do Altíssimo..
É claro que Maria não entendeu. -Se você que vem de lá, está falando isso, que seja como você falou! Que aconteça o que Deus quer que aconteça! Disse ela. E ficou com aquilo na cabeça e no coração. Como assim? Vou ser mãe de um modo como virgem alguma jamais foi? A cada momento ela aprofundava mais aquele fato. Todas as gerações irão discutir isso até o fim dos tempos. E muitos vão dizer que Deus fez coisas incríveis em mim e dirão que sou feliz. Mas eu sei o que me espera!
Guardou silêncio e só falou com quem fosse capaz de entende-la, porque também tinha passado por uma gravidez fora do comum: sua parenta Izabel. Nem com José ela falou. Entregou o noivo aos cuidados de Deus. E foi o céu que disse a José para não ter medo da gravidez de Maria. Ele a levou para a sua casa, tornando-se cúmplice daqueles fatos. Filho especial, mãe especial, gravidez especial, paternidade especial...
Hoje, alguns crentes cristãos de outras Igrejas e de outras religiões, e mais ainda os ateus acham difícil crer na virgindade de Maria. Há versículos da mesma Bíblia, deixando claro que aqueles que são citados como irmãos de Jesus têm outra mãe. Judas, Simão, Tiago e José que eram filhos de Maria de Alfeu. Em várias passagens são citados como irmãos entre si e também como irmãos do Senhor, que porem era filho de outra Maria, a de José. Então não eram irmãos de sangue nem do mesmo ventre. Mas os versículos estrategicamente nunca são lidos nem lembrados. Então, muitos deles insistem que Maria teve outros filhos logo, só foi virgem até Jesus. Depois deles foi mãe como outra mãe qualquer.
Vai ser sempre difícil crer que Deus é três pessoas divinas, Pessoa-Pai-Santo, Pessoa-Filho-Santo e Pessoa-Espírito-Santo e que as três pessoas são um só ser. Alguém sempre reduzirá Jesus Cristo, o ungido, no máximo à condição de profeta porque e um absurdo dizer que alguém é Deus de Deus. Nós que o vemos como Filho Eterno do Pai Eteno, com o Espírito Santo Eterno formando um só ser Deus Eterno, mas afirmando sua encarnação, seremos vistos como impostores, confusos, enganadores, ignorantes, fanáticos ou pouco inteligentes.
Para eles, inteligente é quem conclui ou crê ou nega como eles. Para nós, inteligente é quem lê dentro dos acontecimentos.Maria inteligentemente praticou o “intus-legere”. Leu dentro, guardou-os no coração e foi aprofundando, sem nada afirmar, passo a passo com o filho, do nascer ao morrer, ao ressuscitar e ao voltar ao céu. Ela mais pensou do que falou. Fez o contrário de milhões de pregadores que mais falam do que pensam e acham que quanto mais marketing usarem e quanto mais falam do que Deus fez neles mais serão de Deus. O que houve com Maria foi fora de qualquer cogitação humana.
Jamais conseguiremos explicar que Deus-Pessoa-Filho existe e se fez homem. Maria também não saberia e nem inventar, nem prever isso. Teve que ir assimilando; a cada golfada de leite; a cada roupa dele que lavava; a cada papinha que lhe pôs na boca; a cada palavra que lhe ensinou; a cada brincadeira, choro e riso e... mais tarde a cada palavra que disse e a cada golpe que levou. Acreditou na medida em que meditava. Isso também fez Maria diferente. Ela pensava! Era pensadora. Por isso, assimilou! Poderíamos aprender com ela porque o mundo está superlotado de pregadores e de fiéis que preferem mais sentir do que pensar. O mundo será mudado pelos que conseguem fazer as duas coisas.
Padre Zezinho
domingo, 11 de abril de 2010
Sete alegrias de Maria
A tradição cristã forjou, no correr dos séculos, a imagem das “7 dores” e “7 alegrias” de Maria. O número 7 é inspirador. Evoca perfeição, completude. O sete evoca dois símbolos: 3 + 4. Para nós, o “três” sinaliza a unidade na diversidade (a trindade), enquanto que o quatro faz lembrar a abrangência do mundo e os quatro elementos básicos (água, terra, energia, ar). Felizmente, não existe nenhuma definição sobre o número e a denominação das dores e das alegrias de Maria. Portanto, a tradição viva da Igreja pode modificar, com liberdade, esta lista.Há uma conjugação bela entre “dores” (ou tristezas) e “alegrias”. Todo ser humano, na medida em que faz uma opção de vida e persevera nela, enfrenta oposição e passa por dificuldades. Assim aconteceu também com Maria. Por outro lado, quem escolhe o caminho do Bem, mesmo que siga um caminho pedregoso, experimenta belos momentos de consolo, prazer, contentamento e confirmação interior. A pessoa, que se faz aprendiz da vida, aprende tanto com as alegrias quanto com as dores.
No entanto, a tradição católica deu muito mais ênfase às dores de Maria do que às suas alegrias. É momento de resgatar com intensidade as suas alegrias. A partir dos Evangelhos, lidos com o olhar de hoje, podemos identificar ao menos sete alegrias de Maria.
(1) O contentamento na anunciação (Lc 1,26): A primeira palavra dirigida a Maria é exatamente esta. O anjo de Deus a convida a alegrar-se em Deus. Aliás, todo o relato da infância em Lucas está encharcada por este sentimento de alegria. Quando o messias vem, o povo se alegra. Maria prova uma imensa alegria ao receber o convite de Deus. Sente-se de fato agraciada e envolvida num convite encantador.
(2) A alegria do encontro com Isabel: Maria se dirige às pressas para visitar sua parenta. Quando se encontram, Isabel é tomada de euforia. Proclama que Maria é “bendita entre as mulheres”, título no qual ecoa a participação de Maria no projeto salvífico de Deus. Que cena linda a ser contemplada: o encontro das duas mulheres, o cuidado cotidiano de uma com a outra, os sonhos e as esperanças em torno ao filho que vai nascer. Maria experimenta a alegria de ser missionária, de partilhar seu tempo e suas energias com alguém que necessita de proteção e ajuda. De fato, há mais alegria em dar do que em receber!
(3) O cântico alegre de Maria: Lucas coloca nos lábios do Maria um belo cântico, durante a visita a Isabel. Este canto de louvor de Maria foi chamado de “Magnificat”, primeira palavra da sua tradução latina, que significa “engrandecer”, ou “cantar as maravilhas”. Maria está cheia do Espírito Santo e proclama as grandezas de Deus na sua história pessoal e na história de seu povo. É um cântico de alegria e de consciência profética. Maria nos ensina a exercitar a ação de graças, a reconhecer e a proclamar com alegria os sinais de Deus na existência pessoal e nas práticas coletivas.
(4) O nascimento de Jesus: Lucas nos diz que o nascimento de Jesus foi motivo de alegria para todo o povo, a começar dos mais pobres, representados pelos pastores. Há alegria no céu e na terra! Todas as pessoas do Bem sentem-se amados por Deus, no momento em que o Filho assume a natureza humana. Maria participa desta alegria de maneira única, como protagonista. Ela é a mãe do filho de Deus encarnado. Gerou, gestou e deu à luz à Jesus. O natal é festa de alegria!
(5) Alegria na missão de Jesus: Pouca gente descobriu este contentamento especial que Maria provou, ao ver seu filho anunciar o Reino de Deus, curar os doentes, acolher os pobre e marginalizados, formar os discípulos e discípulas. Esta alegria não está descrita nos evangelhos, a não ser na cena de Caná. Maria e os discípulos experimentam um imenso prazer, quando percebem que Jesus é o vinho novo! Ele realiza as grandes esperanças de seu povo. Quanta alegria Maria viveu, ao acompanhar a missão de seu filho, como a perfeita discípula!
(6) Euforia da ressurreição: Depois de viver a decepcionante e trágica experiência da morte de Cruz, Maria e os seguidores de Jesus provaram uma alegria sem par. Jesus está vivo! Ele nos dá a paz. Ele venceu a morte! A ressurreição fez a comunidade de Jesus compreender que este Homem de Nazaré é o Filho de Deus! Com este novo olhar, compreenderam tantas coisas que Jesus fez e disse. Maria participa da ressurreição de Jesus de forma original: refaz lembranças, ilumina fatos, nutre sua fé, está presente como mãe da comunidade.
(7) Alegria de Pentecostes: O mesmo Espírito de Deus, que fecundou Maria e acompanhou Jesus, agora fecunda a comunidade cristã. Cria a comunhão na diversidade, reúne o novo Povo de Deus para além das fronteiras do judaísmo. Maria, que junto com outras mulheres e os familiares de Jesus, esteve em oração com os onze discípulos, acompanha a comunidade de forma discreta. É o tempo da história! A alegria de Maria e dos outras seguidores de Jesus se transforma na nossa alegria.
Ao percorrer as sete alegrias de Maria, cada cristão se reconhece nelas. Nossa vida de fé está marcada por estes sinais de Deus que nos consolam, nos fortalecem e nos estimulam. Com Maria, cantamos alegres: “O Senhor fez em nós maravilhas, Santo é o seu nome”.
Ir. Afonso Murad
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Maria das dores
A tradição católica enfatiza na semana santa as “Dores de Maria”. Recorda o sofrimento da mãe de Jesus ao ver o filho percorrer o triste caminho do calvário. Em algumas regiões do Brasil, faz-se na quarta-feira santa a “procissão do encontro”. Os homens vêem em procissão com a imagem de Jesus, e as mulheres, com a estátua de Maria. Com o nome sugere, os dois grupos se encontram ao final, para celebrar o trágico momento no qual Maria e Jesus convergem na trilha pública que o leva à morte.Na sexta-feira da paixão multiplicam-se as vias sacras, os teatros da “paixão do Senhor”, na qual o drama encontra seu ápice na cena da cruz. Lá está Jesus, à beira da morte, acompanhado pelos dois ladrões (o bom e o maldoso), Maria e o discípulo amado. E, por fim, a terrível cena da “pietà”, na qual Maria sustenta nos braços o corpo morto de Jesus. Ao menos três dores do Maria no mesmo dia.
Maria, a mãe de Jesus, provavelmente viveu tal sofrimento, também partilhado pelos discípulos. A devoção popular, estimulada pelo clero e pelas correntes maximalistas, viu nestas cenas o fundamento de “Maria corredentora”. A idéia era muito simples. Dizia-se que Jesus nos salvou pela intensidade de seu sofrimento na cruz. Por isso, quanto mais sangue e mais sofrimento, maior seria a redenção. E Maria, como sofreu com Jesus na cruz, participou deste processo como ninguém, padecendo com seu coração de mãe.
Esta forma de refletir sobre as dores de Maria capta algo real: a solidariedade no sofrimento. Maria, a serva de Deus, está em profunda sintonia com Jesus, o Servidor da Humanidade, aquele no qual a comunidade cristã viu realizada a profecia do “Servo Sofredor”, anunciado por Isaías. Mas a reflexão deixa na sombra algo vital. A redenção trazida por Jesus não se realizou somente devido à morte na cruz. A salvação, oferecida em Jesus, é um longo processo. Começa na noite de natal, com a encarnação. Acontece em cada gesto de Jesus, quando anuncia o Reino de Deus, cura, inclui os pobres e pecadores, e fala do Pai. O gesto salvífico encontra seu ápice na cruz, expressão máxima do amor, a ponto de dar a vida. E só encontra sua plena compreensão à luz da ressurreição. Por isso, é mais correto afirmar que Jesus nos salva pelo seu nascimento, pela sua vida, pela sua morte e pela ressurreição.
Maria faz parte dessa história salvífica de forma especial. É a mãe de Jesus, personagem importante no mistério da encarnação. Em certo momento da vida, compreende o apelo de Jesus e se põe humildemente no caminho de seguidora. É aquela que realiza o perfil do discípulo: escuta a palavra, guarda no coração e a frutifica. E, no momento da cruz, é perseverante na fé. Por fim, participa com a comunidade de Jesus da alegria da sua ressurreição e do dom do Espírito.
É importante ver todo o trajeto da vida de Maria, junto a Jesus e seus discípulos. Não somente o momento da morte de cruz.
Precisamos compreender o lugar de Maria junto a Jesus e à sua comunidade, que hoje somos nós. Com ela, seguimos silenciosos o caminho de Jesus do calvário, até a cruz. Com ela também cantamos vibrantes a alegria da ressurreição. Aleluia!
Marcadores:
Maria ao pé da cruz,
Nossa Senhora das Dores
quinta-feira, 25 de março de 2010
Anunciação
Hoje, dia 25 de Março, celebramos a festa da Anunciação.“O anjo entrou onde ela estava, e disse: Alegre-se, agraciada por Deus, o Senhor está contigo”. Ouvindo isso, Maria ficou perturbada e perguntava sobre o sentido daquela saudação (Lc 1,28s). E Maria disse: “Eis aqui a servidora do Senhor. Faça-se em mim segundo a sua palavra” (Lc 1,38).
A anunciação fala do encontro de cada ser humano com Deus. Em Maria acontece algo que é reservado, em intensidade diferente, para cada ser humano, quando entra em diálogo salvífico com Deus. À luz desse encontro único e original de Deus com Maria, celebramos os múltiplos encontros do Senhor com seus seguidores.
- Como Maria, recebemos a visita de Deus, que vem ao nosso encontro, na casa, na cidade, no lugar onde estamos;
- Ele nos convida a nos alegrarmos, pois com sua presença ficamos felizes e daí brota alegria no coração e nos lábios;
- Em Deus cada um se sente agraciado(a); e este encanto nos enche de graça;
- Como Maria, recebemos uma missão exigente. Por isso, o próprio Deus assegura que vai estar conosco, como esteve com Moisés, com os profetas e com os discípulos de Jesus.
- Ao receber as surpresas de Deus, quem não se perturba? Por vezes, a mensagem é tão original, que é preciso pensar muito sobre o seu sentido, até descobrir todo seu alcance.
- Por fim, ressoa no mais íntimo de cada ser humano que busca a Deus e quer colaborar na grande corrente do Bem, o gesto de Maria: ser servidora, deixar a palavra viva moldar sua existência. E assim, engajar-se num grande projeto que a extensão da humanidade e do mundo.
Hoje, com Maria, renovamos nosso SIM a Deus.
Texto: Ir. Afonso Murad
Imagem: Anunciação, Lorenzo di Credi.
sábado, 13 de março de 2010
terça-feira, 2 de março de 2010
Introdução à Mariologia
Iniciei um curso de Introdução à Mariologia, em Belo Horizonte. Desta vez, é destinado a jovens candidatos à Vida Religiosa Marista, etapa que se chama “postulantado”. Acontecerá a cada 15 dias, durante hora e meia, em dois semestres.A Introdução à Mariologia terá um enfoque mais existencial e pastoral. Favorecerá a tematização da experiência, as conexões com outros saberes e a preparação para a Pastoral, sobretudo com crianças e jovens.
Utilizaremos o blog como meio de estudo, partilha e discussão. Caminharemos, ao ritmo do grupo, subindo os três degraus do conhecimento sobre Maria: na Bíblia, na Tradição Viva da Igreja e no culto.
Que interesses e perguntas os participantes trazem consigo?
Assinar:
Postagens (Atom)