segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Quero dizer sim a Deus (Maria em canto-3)

Eu quero dizer sim ao Deus meu Criador,
meu coração se alegra ouvindo a vossa voz.

 Eis a minha vida, tomai meu coração,
as minhas mãos usai para acolher tantos irmãos;
Eis minha liberdade e o meu entendimento,
sejais Senhor a única razão do meu viver.

Fazei da minha vida um apelo a união
aos homens que se agridem e promovem a divisão.
A morte foi vencida e o amor triunfará:
o negro, o branco e o índio se abraçando como irmãos.

Não mais quero pedir senão a vossa graça
que todo o meu viver seja pra vossa imensa glória.
E a terra cantará e os homens louvarão
a vós Senhor o único Deus vivo e criador.
Lindberg Pires


sábado, 8 de novembro de 2014

Caná: a festa de novo

Se o evangelista João vivesse hoje, talvez ele contasse a história das Bodas de  Caná de outro jeito. Ele poderia dizer assim:

Aconteceu uma festa de bodas de ouro, numa cidade chamada Caná. Zélia e Antônio chamaram os filhos e cunhados(as), os netos e outros parentes para comemorarem juntos os 50 anos bem-vividos no amor e na fidelidade. Também vieram muitos amigos. Maria, a mãe de Jesus, que já conhecia os dois há muito tempo, veio ajudar na decoração da festa. Jesus e seus seguidores também foram convidados. Havia comida e bebida em abundância. Tudo parecia ir  bem.

No entanto, Ernesto, o filho mais velho do casal, era muito ambicioso. Ele comentou à mesa que, quando os pais morressem, iria entrar na justiça para conseguir a maior parte da herança. Achava que tinha este direito, pelo fato de ter ajudado os pais desde jovem. Ana, uma de suas irmãs, ao ouvir isso, ficou com muita raiva e se levantou rapidamente. Aliás, ela já tinha brigado com Ernesto outras vezes, e se considerava a filha rejeitada, que não recebia a atenção dos pais e dos irmãos. Foi para um canto, e chorava sem parar. A mãe de Jesus, que estava perto, viu tudo e logo percebeu que, desse jeito, a festa ia acabar!

Então, Maria procurou por Jesus, mas não o viu no meio dos convidados, pois ele estava do outro lado da casa. Pegou o celular e mandou uma mensagem de texto para Jesus:
- Eles estão brigando. Sem amor, não tem festa.
Jesus respondeu logo:
- O que nós temos a ver com isso? Minha hora ainda não chegou.
Maria ficou pensativa. Procurou uma forma de resolver o problema. Então, se aproximou de Ernesto, e falou com firmeza:
- Jesus está à sua procura. Vá ao encontro dele. Faça tudo o que ele lhe disser!
Depois, fez o mesmo com a irmã dele, Ana. E repetiu para ela:
- Faça tudo o que Jesus lhe disser.

Quando Jesus viu Ernesto e Ana se aproximarem, colocou-os um ao lado do outro. Tomou um copo cheio de água e derramou-o no jardim. Então, com o copo vazio, disse a Ernesto:
- De que vale ao ser humano ganhar o mundo inteiro, se perder o que tem de mais precioso? Abandone sua ambição, pois ela faz secar o coração humano.

Depois, Jesus tomou uma taça de vinho e mostrou para Ana:
- Olhe para seu pai e sua mãe. Eles chegaram até aqui unidos porque cultivaram o perdão e o carinho. O amor deles é como este vinho saboroso, provado no tempo. Deixe o rancor de lado, pois ele faz o vinho do seus sentimentos se tornar um vinagre azedo.

A mãe de Jesus observava tudo. Acompanhava as palavras e os gestos de Jesus. E ficou radiante de alegria ao ver os dois irmãos se reconciliarem. A festa se  transformou! Os discípulos de Jesus comentaram: “Isso é um milagre”.
Este foi o primeiro sinal realizado por Jesus. Ele começou a manifestar a sua glória e seus discípulos iniciaram o caminho da fé, crendo nele: Jesus é a água viva e o vinho sempre novo!


Experimente, você também, contar de outro jeito a história Bodas de Caná. Use fatos e imagens da sua vida. O que Jesus transformaria nela? Relembre os gestos de Maria e a ação de Jesus.
(Afonso Murad - Publicado na Revista de Aparecida)

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Viver as surpresas de Deus

Carlos e Luzia estavam conheceram-se no Grupo de Jovens. Naquele tempo, eram somente bons amigos. Carlos tocava violão, Luzia cantava muito bem. Depois, tornaram-se adultos e continuaram a atuar na Pastoral de Juventude, como assessores. Cada um fez seu caminho pessoal e profissional. Ela viveu uns namoros incertos. Ele gostava de “ficar com as meninas”, sem compromissos. Colecionava a lista das namoradas. Um dia, os dois se encontraram num passeio, sem esperar ou planejar, e se olharam de maneira diferente. Ele começou a tocar umas músicas, e ela cantou junto. Que surpresa! Um dueto lindo! Sintonia afinada. Daí começou um amor, que se consolidou no tempo. Para Luzia, o coração disparou. Carlos conta que naquele momento sentiu algo diferente, que nunca tinha experimentado. “Percebi que Deus veio ao meu encontro. Foi uma reviravolta. Renunciei a muitas coisas, refiz meus planos e hoje estou feliz”, diz ele. Do encontro inesperado e do encanto da música nasceu o amor intenso.

Maria, a mãe de Jesus também viveu momentos inesperados. Se a gente acompanha a vida dela, vê como Maria foi surpreendida por Deus. Soube acolher as surpresas e percebeu os sinais de Deus na vida. Tudo começou um dia em Nazaré da Galiléia. Uma cidade do interior, desconhecida para muitos. Talvez a jovem Maria nutrisse o desejo de ser mãe e ter muitos filhos. Ela conhecia o carpinteiro José. As famílias dos dois tinha já arranjado o casamento, como se fazia naquele tempo. Tudo parecia caminhar para o previsível. Então, vem um chamado de Deus, para ser a mãe do messias. No começo, Maria fica perturbada (Lc 1,29) e pergunta pelo sentido daquilo que ouve do enviado de Deus. Tudo parecia estranho e novo. Como iria acontecer isso? E os planos com José? (Lc 1,34). Maria acolheu a surpresa de Deus. Confiou e arriscou-se. Renunciou a muitos planos. Deus chegou para ela de maneira inesperada. E depois de questionar, pensar, escutar, ela assumiu inteiramente sua nova vocação.

Você pensa que foi somente esta a surpresa? Houve muitas outras. Imagine que ao encontrar a sua parenta Isabel, aconteceu algo imprevisto. Entre as duas há tamanha sintonia, que Isabel percebe que algo diferente está acontecendo em Maria. O Espírito Santo lhe revela, no coração, que ela tem uma fé enorme, é bendita entre as mulheres, e o fruto de seu ventre será o salvador! (Lc 1,41-45). Maria novamente acolhe esta surpresa de Deus. Encanta-se com aquele momento tão especial. Longe de se orgulhar ou se considerar mais importante do que os outros, louva a Deus com humildade: “Estou muito alegre e canto ao Senhor, que fez em mim maravilhas” (Lc 1,46-49).

Que Maria nos ensine a receber, com alegria e gratidão, as surpresas de Deus. Que ela abra os nossos olhos e nosso coração para reconhecer os momentos de Graça! Amém.

(Publicado na Revista de Aparecida, setembro de 2014)

domingo, 7 de setembro de 2014

Maria e a dor dos humildes (Maria em canto 2)



Maria, tu és a beleza dum céu feito estrelas que a noite desfaz.
Teu canto espalha a certeza que a dor dos humildes terá seu final.

Transforma, ó Mãe, dos aflitos, o grito de tantos irmãos
num canto de fé, esperança, num dia de dança feliz caminhar.

Acolhe em teu seio materno crianças famintas jogadas ao chão.
Qual chuva que fecunda a terra faz que a semente do amor brote em nós.

Maria, mulher escolhida, de todos querida, amada do Pai,
recebe o clamor de teus filhos que juntos suplicam a libertação.
Lindbergh Pires

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Maria Mãe da Igreja (Maria em Canto 1)



Toda a Igreja feliz canta o teu nome Maria,
rosto materno és do Pai que em Jesus nos convida a união.

És a imagem ideal da Igreja, pro mundo és sinal redentor. 
Qual Igreja no evangelizar, desperta em cada irmão 
Cristo Jesus, amigo fiel, presente nos corações.

És o modelo perfeito do homem que quer ser na vida cristão. 
Nos faz semelhantes, ó Mãe, ao Cristo teu Filho Jesus, 
Amigo fiel, presença de paz, presente nos corações.
(Lindenberg Pires, SJ)

domingo, 24 de agosto de 2014

Turma de Mariologia no ISTA (2014-II)

Alegria do Professor consiste em ter uma turma que lê os textos, reflete e questiona, trazendo questões existenciais, pastorais e teológicas! Foto dos alunos do curso de mariologia, da graduação em teologia no ISTA (Instituto Santo Tomás de Aquino) em Belo Horizonte.

domingo, 17 de agosto de 2014

Maria da Dores

Os vizinhos, parentes e amigos a chamam carinhosamente de “Dozinha”. Mas seu nome de batismo é “Maria das Dores”. Dozinha trabalha como vendedora de produtos de beleza. Gosta de usar alguns deles. “Fico mais bonita e cheirosa, diz ela”.
Faz muitos anos, Dozinha se casou com aquele que acreditava ser o homem de sua vida. Mas não deu certo. O marido era irresponsável, infiel e dependente de bebida alcoolica. Depois de alguns anos, ele a deixou sozinha, com três crianças para criar. “E a vida foi uma luta só”, conta Dozinha. Sem desanimar, ela aprendeu a ser pai e mãe ao mesmo tempo. E o tempo passou. Dozinha viu os filhos crescerem. Ela tinha uma especial afeição por Rodrigo, o filho mais novo. Este era carinhoso para com ela. Elogiava a comida que fazia, sabia dizer “muito obrigado, mãe!”. Nos dois últimos anos Rodrigo começou a ficar meio estranho. A mãe desconfiou que ele estava consumindo droga. Conversou com o filho, mas Rodrigo lhe respondeu que “tudo estava bem”.

Numa trágica sexta-feira, Rodrigo chegou em casa tarde, vindo do serviço. Comeu rapidamente, deu-lhe um beijo e disse para Dozinha que ia sair com os amigos. Seu coração de mãe sentiu um aperto. Veio uma dor forte, intensa, como nunca tinha acontecido. Dozinha começou a rezar umas Ave-Marias. Ela tinha a intuição que algo muito ruim iria acontecer. Escutou então uns estampidos de tiros. Logo chegou a vizinha e lhe disse: “Seu filho foi baleado”. Dozinha correu, rezando e chorando. Encontrou o filho ensanguentado. Segurou-o nos braços, já sem vida.

A morte do filho provocou uma crise de fé profunda em Dozinha. Primeiro, ela se sentiu anestesiada. Não podia acreditar naquilo. Parecia um pesadelo sem fim. Depois, veio a grande sensação de perda, sem volta. E a pergunta que não calava: “Por que Deus permitiu isso? Por que me tirou o dom mais precioso?” Ela começou a clamar, a brigar com Deus,. Toda sua longa vida de cristã, com muitas certezas, parecia ter se dissolvido rapidamente.


Então, um dia se lembrou de Maria, a mãe de Jesus. Imaginou as suas dores na hora da cruz, o abandono que ela também tinha passado. E pensou: “eu acho que Maria teve a mesma crise. Perdeu o filho amado, quase perdeu a esperança de viver”. Ela me entende. Assim, Dozinha passou a rezar para que Maria lhe desse a força para “sair do túmulo”.

Lentamente, Dozinha está fazendo o caminho de acolher a perda do filho. Repensa também as outras perdas que teve na vida, como a do ex-marido. Aprendeu a saborear as conquistas e a alegrias. “A vida de Maria não acabou na sexta-feira da paixão. A minha também não vai terminar desse jeito”, diz ela. Ao olhar para Maria, Dozinha vê a mulher forte, que não cedeu diante da dor e do sofrimento. Enfrentou-os com a cabeça erguida. Maria se tornou sua companheira de caminho, a mãe que lhe dá colo, a amiga entre as amigas. “As coisas ainda não estão resolvidas, mas fiz as pazes com Deus”.

Se a gente olha a vida de Maria nos Evangelhos, compreende porque a devoção popular desenvolveu o título de “Nossa Senhora das Dores”. Não pode ser uma forma de justificar as injustiças ou de criar nas pessoas aquele sentimento de passividade ou de resignação diante da dor. Ao contrário. Maria se mostra como uma mulher forte, que enfrenta com energia as adversidades, junto com José e com Jesus. Simbolicamente, os evangelhos nos falam destas dificuldades, como a matança das crianças inocentes, a fuga para o Egito, a vida em terra estrangeira, a perda do menino no templo. E, para terminar, a dor na hora da cruz.
A partir de Jesus, nos sentimos solidários com todos os homens e mulheres que padecem. Afirmamos que Jesus é nossa esperança, o vencedor. Maria testemunha esta vitória de Cristo. E ela nos acompanha como mãe amorosa. Como faz com Dozinha e tantas outras pessoas.

Afonso Murad - Publicado na “Revista de Aparecida”, agosto de 2014.