terça-feira, 8 de setembro de 2009

Maria em Lucas: síntese(2)

(Reproduzo aqui o texto já publicado no mês de março, para facilitar o acesso ao blog para os alunos do ITESP)Lucas apresenta o mais belo e diversificado perfil de Maria na Bíblia. Para o evangelista, o discípulo de Jesus é aquele(a) que ouve seu apelo, segue-o e aprende com ele no caminho (Lc 5,10s; 13,22). Ser aprendiz de Jesus significa também fazer parte de sua comunidade, peregrinar na fé e participar da causa de Jesus, que é o Reino de Deus. O seguidor de Jesus é aquele que “ouve a Palavra de Deus num coração generoso, conserva no coração e frutifica na perseverança” (Lc 8,15: explicação da parábola da semente e dos tipos de terra). Ora, a grande novidade de Lucas é apresentar Maria como a imagem viva do discípulo(a) de Jesus.
Podemos resumir as seguintes características de Maria no terceiro evangelista: a seguidora de Jesus, a peregrina na fé, o sinal da opção de Deus pelos pobres e a mulher contemplada pelo Espírito Santo.

(1) Seguidora de Jesus: Maria realiza as três qualidades básicas do discípulo fiel. Ela acolhe a palavra de Deus com fé (relato da anunciação: Lc 1,28-38), conserva a palavra no coração e a medita, confrontando-a com os fatos (Lc 2,19 e Lc 2,51) e frutifica esta palavra viva; sendo uma pessoa de intensa fé (“feliz de você que acreditou”: Lc 1,40) e a mãe do messias (“bendito é o fruto do teu ventre” em Lc 1,42). Somente Lucas relata a cena da mulher na multidão que grita: “Feliz o ventre que te gerou e o seio que te amamentou”, em claro elogio à maternidade biológica. Mas Jesus lhe responde: “Antes, felizes os ouvem a palavra de Deus e a realizam” (Lc 11,27). Antes de ser uma crítica à Maria, este texto revela sua real importância. A maternidade é conseqüência e expressão de sua fé. Neste sentido também, Lucas refaz a expressão final do (des)encontro de Jesus com os familiares, com a expressão: “Minha mãe e meus irmãos são os que ouvem a Palavra de Deus e a realizam”(Lc 8,21). Há portanto uma prioridade da fé, enquanto adesão à Jesus e à sua causa, sobre o simples fato de ser mãe de Jesus.

(2) Peregrina na fé: Somente Lucas relata as palavras de Simeão a Maria: “Quanto a ti, uma espada transpassará tua alma” (Lc 2,25). Não se trata de uma alusão ao sofrimento de Maria na hora da cruz, pois nos evangelhos sinóticos Jesus morre sozinho e Maria não está incluída entre as mulheres que o observam, de longe. A espada tem um sentido metafórico. Alude a Jesus, que é a palavra-gesto do Pai, conforme Hb 4,12s: "A Palavra de Deus é viva, eficaz e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes. Julga as disposições e as intenções do coração. E não há criatura oculta à sua presença". Maria, como os outros aprendizes de Jesus, não sabia tudo. Foi fazendo descobertas no correr de seu caminho espiritual. Neste sentido, o relato da perda no templo confirma que Maria e José não entendem naquele momento as palavras e os gestos de Jesus (Lc 2,41-50). Por isso mesmo, ela precisa refletir e buscar o sentido dos fatos. A interpretação nova que Jesus dá à Lei, ao sábado, ao templo e às tradições questionava seus seguidores, trazia conflitos e lhes provocava mudanças na sua visão religiosa. Era uma espada! Maria passou pelo crivo da espada da Palavra, e cresceu com isso.

(3) Sinal da opção de Deus pelos pobres: Lucas é o evangelista que mais desenvolve a dimensão social da Boa Nova de Jesus. Coerente com esta orientação, Maria é apresentada por ele como uma mulher pobre, da desconhecida terra de Nazaré da Galiléia. Jesus nasce num lugar sem recursos e é envolvido em faixas (Lc 2,12). Como são pobres, os pais de Jesus oferecem pássaros no templo, em vez do cordeiro (Lc 2,24). O cântico de Maria, chamado “Magnificat” resume, de forma poética, a proposta de Jesus nas Bem-Aventuranças (Lc 2,46-55 em comparação com Lc 6,20s). Sinaliza, com clareza, que a Boa Nova de Jesus propõe uma mudança nas atitudes das pessoas e nas estruturas sociais. Deus se volta sobretudo para os mais pobres, pois são os que mais necessitam. Sua misericórdia permanece para sempre.

(4) Mulher contemplada pelo Espírito Santo: Em Lucas, Jesus começa a missão recordando a profecia de Isaías: “O Espírito de Deus está sobre mim” (Lc 4,14). É o Espírito que age em Jesus e nos seus seguidores, após pentecostes. Maria é apresentada então como a mulher sobre a qual “a sombra do altíssimo” se estende, para possibilitar a concepção de Jesus. Ela também participa da comunidade que prepara a vinda do Espírito (At 1,14). Portanto, Maria é “contemplada” duplamente pelo Espírito Santo: no nascimento de Jesus e no nascimento da comunidade cristã, após a ressurreição de Jesus.

A partir de Lucas, descobrimos traços originais da figura de Maria. O “sim”, pronunciado com inteireza no início da juventude, se renova no correr da vida. Ela passa por crises e situações desafiadoras, que a fazem crescer e caminhar sempre mais na adesão ao Senhor. Maria nos recorda que Deus escolhe preferencialmente os simples e humildes para iniciar o Reino de Deus, esta recriação da humanidade e dos cosmos. A partir do Magnificat, ouve-se o apelo por novas relações interpessoais, econômicas, políticas, culturais e ecológicas. Maria simboliza o ser humano em construção, aberto a Deus, tocado pelo Espírito Santo, cultivando um coração solidário.
Essas características marianas inspiram atitudes de vida de cada cristão e da Igreja-comunidade. Sentimo-nos chamados a sermos discípulos fiéis de Jesus, ouvindo, acolhendo, guardando no coração e praticando sua Palavra. Renovamos o nosso “sim”, mesmo no meio das crises, pois sabemos que somos “bem-amados de Deus” (Ef 1,6). Alimentamos, como Maria, um coração agradecido a Deus, que O louva por todo o bem que Ele realiza em nosso meio e através de nós. E nos empenhamos pela solidariedade e pela cidadania planetária, construindo uma sociedade mais próxima do projeto de Deus.
Texto: Ir. Afonso Murad

sábado, 22 de agosto de 2009

Ícone de Maria, de Vladimir

O ícone é uma imagem feita em painel de madeira. Do grego, a palavra eikón significa imagem. Na cristandade oriental trata-se de um objeto de culto proposto pela Igreja à veneração dos fiéis; um instrumento didático, porque, por meio dele se torna presente o mundo invisível. A iconografia mariana transmite uma mensagem própria. Seu objetivo é louvar, glorificar e celebrar o Salvador do mundo. E Maria ocupa um lugar, junto com Cristo, todo especial na iconografia oriental.
Muitas destas imagens marianas se voltam para o mistério da encarnação do Cristo. Anunciam Maria como Theotokos, a Mãe do Filho do Deus encarnado, dogma declarado no Concílio Ecumênico de Éfeso, em 431. Um exemplo de ícone que apresenta o dogma da Theotókos é o da Virgem de Vladimir. Foi levado de Jerusalém para Constantinopla em meados do século V, passando então pela cidade de Kiev e daí para a cidade de Vladimir. Hoje se encontra na catedral de Uspenskii, em Moscou. Como o ícone tem uma finalidade didática, por cada traço tem um significado.

Este tipo de ícone é chamado de Eleúsa, e significa terna, misericordiosa. Trata da Maria que leva no braço o Menino Jesus. A postura deste é de se encostar afetuosamente na mãe. Face a face e com o braço em volta do pescoço dela. O menino parece acariciar o queixo da mãe com o seu rosto. É a imagem da Theotokos, que coloca em evidência o afeto que une mãe e Filho, exaltando a humanidade de Cristo e a Maternidade Divina de Maria.
Os rostos dos dois se encontram em gesto afetuoso. Uma das mãos da mãe, que está livre, aponta para o Filho, como a dizer que ele é “o caminho, a verdade e a vida” (cf. Jo 14,6). A imobilidade da imagem representa a paz. O ícone está imerso na luz que vem de Deus, representado pelo fundo dourado. O manto é adornado com elaborados desenhos. O branco da roupa do menino representa a luz mesma, obtida pela soma de todas as cores. Alude à nova vida da ressurreição do Cristo. A púrpura ou o roxo, característico dos ícones do Pantokrátor (Senhor Glorificado) da Theotokos, é a cor do poder divino que Cristo, e por extensão deste, de sua mãe.
A franja sugere a dignidade real. As estrelas no ombro e na testa representam a virgindade de Maria. As letras gregas, usualmente a primeira e a última de um nome, identificam Maria como mãe de Deus. E no que se refere ao menino, como Filho de Deus.

Conforme a cultura da época, a cabeça feminina é coberta por um manto, não deixando aparecer os cabelos. As cabeças de Cristo e de Maria estão circundados por uma auréola de cor dourada, representando a luz de Deus. O rosto é a alma do ícone. Com os olhos voltados para frente, significa a presença representada pela frontalidade. Nesta posição, estão em contato direto com quem o contempla. Na posição orante demonstra que o seu pensamento está voltado para Deus. Neste ícone da Virgem de Vladimir, o rosto de Maria está voltado para Jesus, e ao mesmo tempo o seu olhar se dirige a quem o observa. Os olhos vigiam e interrogam a alma do expectador, querendo conduzi-lo a contemplar o mistério que apresenta.

Neste dogma, representado no ícone, percebemos que Maria contribui para fazer a história da salvação acontecer. Os fracos podem gerar Deus no seio da história. Maria é a figura da pessoa que encarna a Palavra de Deus, gerando vida. Ela coopera para a salvação humana com livre fé e obediência (LG 144). Torna-se assim parceira de Deus, e colaborando ativamente e tomando consciência de sua missão. Uma mulher pobre, de Nazaré da Galiléia, foi escolhida para ser a mãe do messias. Mistério da opção preferencial pelos pobres!
No seu corpo a Palavra se fez carne e habitou entre nós de modo concreto. Nela se cumpriu o que foi dito da parte do Senhor (Lc 1,45). Por seu sim, a palavra eterna de Deus se fez Palavra histórica neste mundo. Ação afetuosa de Deus Pai, por seu Filho Jesus Cristo, na força do Espírito! O Deus Trino abraça toda a humanidade por meio da maternidade de Maria, vindo ao nosso encontro. Ela une divindade e humanidade no seu sim. É o ponto de união entre o céu e a terra, segundo o documento de Puebla (n. 301).
Assim, como na iconografia mariana, a mãe aponta para o Filho, caminho verdade e vida, como a dizer: “fazei o que ele vos disser” (cf. Jo 2,5 ). Ao mesmo tempo em que se coloca a caminho, como seguidora e discípula, escutando a palavra de Deus e a colocando em prática (cf. Lc 11,28; cf. 1,38.45).
Texto: Frei Chico Viana, ofm (Aluno de mariologia no ISTA)
Revisão: Afonso Murad

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Bibliografia básica sobre Maria

1. Livros
AGOSTINHO, St., A Virgem Maria. São Paulo, Paulus, 1996, 177 pp. (breves textos comentados).
BOFF, Clodovis, Mariologia social. São Paulo, Paulus, 2006, 716pp. (Exaustivo manual de mariologia).
BOFF, Clodovis, Introdução à mariologia. Petrópolis, Vozes, 2004, 121pp. (Excente trabalho de iniciação à Mariologia).
BOFF, Lina, Mariologia. Interperlações para a vida e a fé. Petrópolis, Vozes, 2007, 186 pp. (reflexões sobre Maria em Lucas, na Marialis Cultus e em Puebla).
BOFF, Leonardo., O rosto materno de Deus. Petrópolis, Vozes, 1979, 267 pp. (Ensaio polêmico e criativo: reler a figura de Maria à luz do arquétipo do feminino).
BOTELHO MEGALE, N., 112 invocações da Virgem Maria no Brasil, 1986, Petrópolis, Vozes, 376 pp. (Breve apresentação das principais “Nossas Senhoras”)
CALIMAN, C.(org), Teologia e Devoção mariana no Brasil. São Paulo, Paulinas, 1989, 152pp (pequenos artigos de mariologia, de vários autores).
CANTALAMESSA, R., Maria, um espelho para a Igreja. Aparecida, Santuário, 1992, 193 pp (Espiritualidade mariana).
DE FIORES, S., Maria en la teologia contemporanea. Sígueme, Salamanca, 1991, 603 pp. (Obra completa, de caráter programático e histórico-crítico. Retoma as principais correntes da mariologia e reflete sobre os dogmas marianos).
DE FIORES, S. et MEO,S. (org), Dicionário de mariologia. São Paulo, Paulus, 1995, 1350 pp (dicionário imprescindível para estudar mariologia).
FORTE, B., Maria, a mulher ícone do mistério. São Paulo, Paulinas, 1991, 248 pp. (Síntese original dos dados bíblicos e dogmáticos sobre Maria. Resgata elementos da trilogia simbólica mariana (virgem, esposa e mãe).
FRANCIA, A. e Sánchez, G., Maria@sempre. Uma mulher do nosso tempo. São Paulo, Paulus, 2007, 208pp. (catequese e celebrações marianas, com enfoque existencial).
GARCÍA PAREDES, J., Mariología. Madrid, BAC, 1995, 411 pp. (Manual atualizado e didático).
GONZÁLES, C.I., Maria, Evangelizada e evangelizadora. São Paulo, Loyola, 1990, 444 pp. (Manual de mariologia do CELAM, contemplando Maria no Novo Testamento, no dogma, no culto e nas "aparições", em perspectiva conservadora).
GONZÁLEZ DORADO, A., De María conquistadora a María liberadora. Mariologia popular latinoamericana. Santander, Sal Terrae, 1988, 142 pp. (Analisa o valor e a ambiguidade da "mariologia popular", em confronto com a reflexão bíblica e teológica sobre Maria, na perspectiva da teologia da libertação).
L. BINGEMER, M.C. et GEBARA, I., Maria, mãe de Deus e mãe dos pobres. Petrópolis, Vozes, 1987, 208 pp. (Mariologia na perspectiva da Teologia da libertação e feminista, de caráter teólogico-pastoral).
LAURENTIN, R., María, clave del mistero cristiano. Madrid, San Pablo, 1996, 160 pp (Sintese de mariologia deste famoso escritor francês).
MURAD, A., Quem é esta mulher? Maria na bíblia, São Paulo, Paulinas, 1996 (Mariologia bíblica, destinada a estudantes de teologia).
MURAD, A., Maria, toda de Deus e tão humana. São Paulo, Paulinas, 2004 (Manual de Mariologia de cunho teológico-pastoral)
MURAD, A., Visões e aparições. Deus continua falando? Vozes, 1997. (Análise do fenômeno das Aparições e critérios de discernimento)
NAVARRO PUERTO, M., Maria, la mujer. Ensayo psicológico-bíblico. Madrid, Publicaciones Claretianas, 1987, 292 pp. (Ensaio interdisciplinar bem-sucedido sobre Maria, destacando seu aspecto feminino).
PADRE ZEZINHO, Maria do jeito certo. São Paulo, Paulinas, 2008, 1994. (Livro pastoral lúcido, questionando os excessos marianos na Igreja)
PIKAZA, X., La madre de Jesús. Introducción a la mariologia. Sígueme, Salamanca, 1990, 411 pp. (Excelente trabalho, de cunho espiritual, exegético e especulativo, em diálogo com teologias contemporâneas).
PIKAZA, X., Amiga de Dios. Mensaje mariano del Nuevo Testamento. Madrid, San Pablo, 1996, 258 pp.
KUNG, H (org), Maria nas Igrejas. Número temático de Concilium 188, 1983, 134 pp.
SCHILLEBEECKX, E. e HALKES, C., Mary yesterday, today, tomorrow. SCM Press, 1993, 88 pp. (Há versão em espanhol).

2. Artigos em dicionários ou enciclopédias
L. BINGEMER, M.C. et GEBARA, I., María, in: Mysterium Liberationis. Vol II, p. 601-618.
LAURENTIN, R., María, in: Diccionario teológico interdisciplinar. Vol III, p. 413-431.
VV.AA, María-Mariología, in: Diccionario de Conceptos teológicos. Vol II, p.25-39.
VV.AA, Maria (número temático de RIBLA, 2004)
VV.AA. Maria, Mariologia, in: Dicionário de Teologia feminista.

3. Revistas de Mariologia
Ephemerides Mariologicae, Misioneros Claretianos, Madrid.
Theotokos, Ricerche interdisciplinari di Mariologia, Edizioni Monfortane, Roma.
Marianum, della Pontificia Facultas Theologica "Marianum", Roma.

4. Documentos do magistério
LUMEN GENTIUM 8: (A mariologia do Concílio Vaticano II).
PAULO VI, O culto à Virgem Maria (Marialis Cultus), 1974.
JOÃO PAULO II, A mãe do redentor (Redemptoris Mater), 1989.
CELAM, Conferência de Aparecida, 2008 (ver: parágrafos sobre Maria)

(Atualizada em 11 de agosto de 2009. Preferencialmente, livros em português e espanhol)

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Aparições de Maria (2)

Continuamos a responder as principais perguntas sobre as Aparições de Maria. Se você quer conhecer mais, leia: "Visões e Aparições. Deus continua falando?", A. Murad, Ed. Vozes.

1. Como distinguir se uma aparição é autêntica?
Não podemos afirmar com total certeza, mas alguns critérios nos ajudam:
* Equilíbrio mental do vidente: se a pessoa tem boa saúde psíquica. Indivíduos mentalmente desequilibradas podem ter visões de Nossa Senhora, que são apenas criação de sua imaginação e do seu desejo. Normalmente, os videntes que querem ser reconhecidos pela Igreja, são submetidos a uma junta de profissionais, psiquiatras e psicólogos, para avaliar sua saúde mental.
* Honestidade do vidente e de seu grupo: O vidente e seu grupo devem buscar, com simplicidade, a fidelidade à vontade de Deus, e não seus interesses próprios. Por vezes, a busca de fama, poder ou dinheiro, ou a pressão de parentes e amigos acaba produzindo aparições induzidas nos videntes. Em resposta a estes estímulos, eles passam a criar e repetir mensagens, para atrair o grande público.
* Qualidade da mensagem: a mensagem do vidente deve estar de acordo com o evangelho e a caminhada da Igreja no seu país e no mundo. Deve ser Boa-Notícia, atualização do Evangelho para nós. Se, ao contrário, o vidente só lembra do castigo e da ira de Deus, está esquecendo a mensagem de misericórdia do evangelho (Lc 15). Se o vidente veicula mensagens eivadas de julgamentos e preconceitos contra pessoas e grupos, é sinal que não vem de Deus, mas do engano, do orgulho e da vaidade.
* Frutos das aparições: se o movimento de uma aparição leva muitos cristãos a viver melhor a fé, a esperança e a caridade, é um bom sinal. Também as curas e milagres podem nos dizer que Deus está agindo ali de maneira especial.
Esses quatro critérios podem ajudar você a analisar se um movimento de suposta aparição é bom e digno de crédito.

2. Qual a diferença entre “visão” e “aparição”?
Aparição significa que Maria glorificada se manifestou a um ou mais videntes e lhes deixou uma mensagem, para ser transmitida aos outros. Visão é um tipo de experiência mística extraordinária, na qual uma pessoa afirma ter visto a mãe de Jesus. Normalmente a visão vem acompanhada de uma mensagem. Mas também há místicos que não vêem, mas ouvem vozes de Jesus, de Maria, ou de algum santo. Isso pode acontecer também com qualquer um, alguma vez na vida, em momentos de intensa experiência espiritual. Quando falamos em aparição, estamos qualificando o fenômeno do ponto de vista do Sagrado que provavelmente aí se manifesta. Se dizemos visão, estamos sendo mais cautelosos, pois só dizemos que uma pessoa experimentou algo extraordinário. De qualquer forma, um pretenso vidente necessita de acompanhamento espiritual e humano qualificados, para discernir o que está acontecendo nele e ajudá-lo na caminhada de fé.

3. Os católicos necessitam acreditar nas aparições?
Não. As aparições não fazem parte do credo e dos dogmas católicos. Temos a liberdade de aceitar ou ignorar essa experiência religiosa. As aparições têm seu valor espiritual, mas não são absolutas. Até os pedidos dos videntes - que eles consideram vindos de Maria - como rezar o rosário ou fazer penitência, são apenas conselhos para ajudar a nossa vida cristã. Ninguém é obrigado a segui-los. Se alguém sente que isso a aproxima de Deus e o ajuda a realizar Sua vontade, pode se servir deles. Mas ninguém tem direito de julgar os que não acreditam nas aparições e ignoram os pedidos dos videntes. Por outro lado, os que não crêem em aparições devem respeitar os que pensam diferente deles. O católico pode confiar na experiência e na mensagem de alguns videntes, mas será uma confiança humana, mesmo que haja muitos sinais maravilhosos.

4. Como a Igreja reconhece a autenticidade de uma aparição?
Trata-se de um processo longo e demorado. Abre-se um processo canônico, que começa na diocese onde acontece o fenômeno. Isso exige que o bispo esteja aberto para analisar o fenômeno e creia que pode haver algo “a mais” acontecendo com o vidente. Uma comissão de peritos analisa a situação psíquica do vidente. O mesmo acontece com o teor das suas mensagens. Analisa-se também a qualidade dos sinais extraordinários realizados, especialmente curas e conversões. Passada esta fase, toda a documentação é enviada a Roma, que pode nomear outras comissões para convalidar o processo diocesano. O reconhecimento oficial é muito moderado na sua linguagem. Declara-se que a mensagem do vidente “é digna de fé humana” ou seja, pode ser divulgada e acolhida pelos fiéis, mas não constitui algo original ou obrigatório para a experiência cristã. Aceita-se que no local seja erguido um santuário de louvor a Maria, com o nome que o vidente lhe conferiu. Em momento nenhum, o documento oficial da Igreja declara que Maria apareceu naquele lugar. Por isso, as aparições estão no campo devocional, e náo do dogma.

domingo, 26 de julho de 2009

Aparições de Maria (1)

Aqui estão centrais sobre o tema das Aparições, com breves respostas. Para saber mais, veja o livro "Visões e Aparições. Deus continua falando?", Ir. Afonso Murad. Vozes.

1. Para que existem aparições, se Deus deixou sua Revelação na Bíblia?
As aparições não são consideradas uma nova Revelação de Deus, para completar ou continuar o que Jesus Cristo nos deixou. Elas são simplesmente uma experiência mística, vivida pelos videntes na presença de Nossa Senhora, para recordar a única revelação de Deus em Jesus Cristo. Os videntes relembram alguns aspectos da vida de fé, como a conversão, a oração, a penitência, a renovação da opção pelo Evangelho. Embora seja uma forma de comunicação extraordinária, as mensagens das aparições não substituem nem a Bíblia nem o Espírito Santo, que fala no coração de cada cristão e da comunidade. Um vidente ou uma pessoa comum, que vive sua fé intensamente, ambos têm o mesmo direito de serem escutados e acolhidos pelos seus irmãos, quando pronunciam palavras inspiradas.

2. Existem aparições ou elas são projeções dos videntes?
A pergunta deve ser respondida concretamente para cada caso. Há ocasiões em que existem muitos indícios de uma forte presença de Deus, fazendo-nos acreditar que não há uma experiência religiosa autêntica, como em Guadalupe, Lurdes e Fátima. Em outras, o bom senso leva a crer que há algo errado, mesmo que apareçam sinais cósmicos e aconteçam milagres. O fato de haver curas, conversões ou mesmo mudanças na natureza não provam que uma aparição seja legítima. Pois muitas vezes estes fenômenos têm sua origem na fé e na força espiritual da multidão reunida, e não na presença de Maria e no testemunho espiritual do vidente. Quando aparecem videntes fanáticos, com mensagens apocalípticas e moralistas, que não estão em sintonia com o evangelho e a caminhada da Igreja, não devem ser aceitos como legítimos.

3. Maria fala realmente aos videntes? As mensagens dos videntes se originam de Maria?
As aparições não são uma comunicação de Deus direta, em estado puro. Na mensagem do vidente, vêm misturadas as suas experiências psicológicas e culturais, a visão que ele tem do mundo, a mentalidade da época e tantas outras coisas. Até nas aparições reconhecidas pela Igreja, há muitas mensagem dos videntes na qual afloram o inconsciente coletivo, as manifestações devocionais. Por exemplo, a descrição do purgatório e o devocionismo dos santos, em Fátima. Usando uma comparação: os videntes não são como antenas parabólicas, que captam uma mensagem, inacessível para nós. São, antes, “destiladores” de uma experiência mística pessoal. Eles sempre transmitem uma experiência religiosa que foi destilada pela sua subjetividade psíquica e espiritual. Impossível fugir disso. Até a bíblia necessita ser interpretada, pois é Palavra de Deus em linguagem humana. Imagine então a mensagem de um vidente! Por isso, as mensagens de aparições não podem ser tomadas ao pé da letra, como se fosse uma comunicação “diretinha” de Jesus ou de Maria. Na mensagem do vidente, é necessário discernir o que pode ser um apelo de Deus para nós. Tomar o que é bom e deixar fora o que não nos ajuda a viver “na liberdade dos filhos de Deus” (Gal 5,1).

4. Porque só algumas pessoas vêem Nossa Senhora? Elas têm mais fé do que nós?
O fato de ver ou ouvir Maria não significa que os videntes tenham mais fé do que nós. Para um cristão, o mais importante não é ver coisas extraordinárias, mas entregar o coração para Deus, buscar realizar sua vontade e esperar nEle. A fé não precisa de sinais, embora agradeçamos muito a Deus quando Ele nos deixa algum. As pessoas que vêem ou ouvem aparições são chamadas de “videntes” ou “confidentes”. Normalmente, elas têm um poder mental extraordinário, são “sensitivas” ou “para-normais”. Dessa forma, vivenciam e interpretam a presença de Deus de maneira mais intensa do que nós. No momento de uma provável aparição, elas entram em “êxtase”, um forma de alteração da consciência, atestada por muitos estudos científicos. Deus pode se servir dessa capacidade extraordinária das pessoas, para nos comunicar algo de seu amor, através de Maria. No entanto, os para-normais ou sensitivos captam, elaboram e transmitem sua experiência, de acordo com seu nível espiritual e o equilíbrio psíquico. Ou seja, pessoas pouco evoluídas espiritualmente podem entrar em êxtase, mas a sua experiência mística será de qualidade duvidosa. Além disso, há indivíduos com sérios distúrbios psíquicos, que têm êxtases simulados. Dando azo à sua loucura, podem atrair multidões e levá-las ao engano.

5. Por que hoje há tantas pretensas aparições?
O mundo de hoje está em crise, vive conturbado. A passagem do milênio deixou muitas perguntas sobre o futuro do nosso planeta. As pessoas, desesperadas, confusas, cheias de problemas pessoais e familiares, com medo, procuram na religião alguma coisa segura, na qual se agarrar. Buscam alívio, consolo e algumas certezas para viver. Elas ficam encantadas com as coisas maravilhosas e mágicas da religião. Todo esse ambiente de insegurança, crise e medo da sociedade moderna levou a um reencantamento com o sagrado. Isso cria um ambiente favorável para surgir e se desenvolver fenômenos místicos extraordinários. Quando se tem notícia de uma possível aparição, as multidões correm ávidas para o local, na esperança de encontrar o que buscam: a paz, a cura, o emprego, a felicidade pessoal, o sentido para viver.... E o fato se divulga logo, com a facilidade dos transportes e dos meios de comunicação.

6. Por que alguns videntes insistem sobre o fim do mundo e o castigo de Deus sobre a humanidade?
Esse é um exemplo típico de como se misturam, na experiência do vidente, a mensagem de Deus com as coisas humanas. No passado, muitos santos e videntes já erraram quando fizeram previsão do fim do mundo e da segunda vinda de Jesus (parusia). Sempre que há uma grande crise nas civilizações, como está acontecendo hoje, alguns prevêem a destruição como única forma de purificação, para recomeçar direito. Na verdade, nós não sabemos sobre o fim do mundo (Mt 24,36). O futuro do mundo está nas mãos de Deus, e depende também das atitudes da humanidade. De qualquer forma, a verdadeira conversão não nasce do medo da destruição, mas da certeza que Deus é bom, que ele exerce sua compaixão pela humanidade e nos chama a uma vida plena (Jo 10,10).

7. Como distinguir se uma aparição é autêntica?
(Esta e outras perguntas serão respondidas no próximo artigo do blog)

Fonte: Afonso Murad. Maria, toda de Deus e tão humana. Paulinas.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Maria nos Apócrifos

No início do Cristianismo, surgiu uma enorme diversidade de textos. Alguns deles foram incluídos no Novo Testamento (textos canônicos). Outros foram atacados, suprimidos e até mesmo destruídos. Muitos chegaram até os dias atuais e são conhecidos como textos apócrifos, entre os católicos; entre os evangélicos como pseudoepígrafos. Desses, somente em relação ao Novo Testamento foram classificados 60 livros, enumerados entre evangelhos, atos, epístolas, e apocalipses. Cada um deles nasceu num contexto histórico determinado, com intenções específicas, nos informado assim sobre as várias formas de fé e prática cristãs nos séculos II, III e IV. E mais. Também através desses textos é possível evidenciar o processo constitutivo de um grupo cristão primitivo que se estabeleceu como predominante na religião e determinado pelos séculos seguintes no que eles acreditariam, o que praticariam e o que leriam como textos sagrados.
Muitos desses textos apócrifos mostram detalhes peculiares, que os Evangelhos Canônicos não se interessaram: como por exemplo, os relatos da infância de Jesus, narrando como foi criado, que coisas fez quando criança, como viveu na Família de Nazaré, seu relacionamento com sua mãe, o convívio com seu pai. Outros tratam de temas ou personagens específicos, complementando informações e fatos que, nos Evangelhos Canônicos, não encontramos senão, citações bem lacônicas. Desses escritos, destacamos aqui, os textos sobre Maria, mãe de Jesus. Elucidam detalhes sobre sua vida ou se dedicam a ela especificamente. Alguns deles são bem antigos, datam dos meados século II. Existem ainda uns poucos que são datados na Idade Média, quando a devoção mariana ganhou novas cores e novo vigor. Cito os mais importantes.

1 – Evangelho do Pseudo-Mateus: datado do século IV conta o nascimento de Maria e a infância de Jesus, com elementos gnósticos.
2 – Proto-Evangelho de Tiago: datado do século II, é atribuído a Tiago, o Irmão do Senhor. Ressalta o aspecto divino da vida e participação de Maria como mãe de Jesus. Apresenta o nascimento de Maria como um fato extraordinário, filha de um casal estéril: Joaquim e Ana. Descreve a consagração de Maria no templo, o casamento com o ancião José (viúvo com vários filhos) e sua virgindade perpétua. Este texto apócrifo influenciou sobre maneira a tradição popular da Igreja. Como, por exemplo, a celebração do dia dos pais de Maria, no dia 26 de julho. No Oriente venerava-se Santa Ana no século VI, e tal devoção estendeu-se lentamente por todo o Ocidente a partir do século X até atingir seu auge no século XV. Influenciou a iconografia cristã, quanto ela apresenta José como um senhor idoso de barbas brancas. Contudo, nesse evangelho, numa tentativa de afirmar veementemente o parto virginal de Maria e assim sua virgindade perpétua, há o relato de um bizarro “exame ginecológico” que uma parteira chamada Salomé, faz em Maria constatando a intacta pureza de Maria.
3 – Proto-Evangelho da Natividade de Maria: do século III, tenta demonstrar como foi importante o papel de Maria na história do Cristianismo.
4 – História de José, o carpinteiro: possivelmente do século IV, este livro trata da história de José, contada por Jesus aos Apóstolos no Monte das Oliveiras. Entretanto, Maria aparece em vários relatos: a vida no Templo, o casamento com José, o natal em Belém, a fuga para o Egito, sua aflição diante da morte de José.
5 – Evangelho de Bartolomeu: do século III, neste relato Maria fala, a pedido dos Apóstolos, sobre como recebeu a anunciação do anjo e a concepção.
6 – Evangelho armênio da Infância: fala da relação de Maria com o Menino Jesus, e traz alguns detalhes sobre como ela concebeu do Espírito Santo pela orelha! Maria é colocada como a nova Eva e mãe da humanidade. Datado do século VI.
7 – Evangelho dos Hebreus: Este evangelho menciona alguns eventos da vida de Jesus. Incorporando idéias gnósticas, foi utilizado por cristãos judeus no Egito. Relata que Maria é uma força que desceu do céu. Datação: século II.
10 – Trânsito de Maria do Pseudo-Militão de Sardes: narra a morte, a ressurreição e assunção de Maria. Possivelmente do século IV.
11 – Livro de São João evangelista, o teólogo, sobre a passagem da santa mãe de Deus: do século IV este texto conta, principalmente os detalhes da morte de Maria e sua assunção num domingo. 12 – Livro de São João, arcebispo de Tessalônica: organizado em forma de homilia, o texto considera sobre a festa da Assunção de Maria, porém sem os exageros. Datação provável é do século IV. Ele deve grande influência na devoção mariana posterior.
13 – Livro do Descanso: provavelmente do século III, porém há estudiosos que dizem até o século VI. Além de narrar a assunção de Maria, comenta fatos da sua vida e dos apóstolos.
14 – Passagem da Bem-aventurada Virgem Maria: os códices usados para o texto são do século XIII e XIV. Sua datação exata é ainda duvidosa. No texto Maria se queixa com João por tê-la abandonado apesar do pedido de Jesus, e fala da sua assunção, apresentando também a incredulidade de Tomé por não ter presenciado a morte de Maria. Termina assim: Roguemos insistentemente àquela cuja Assunção é hoje venerada e honrada por todo o mundo que se lembre de nós nos céus diante de seu piedosíssimo Filho.
15 – Evangelho Apócrifo da Virgem Maria: diz a lenda que este texto ficou famoso pelo fato de ter sido citado no apêndice da obra de uma cristã espanhola do século IV, chamada Etéria. Ela teria entrado em contato com esse texto numa peregrinação que fez a Terra Santa de um monge grego companheiro de São Jerônimo. Estudos posteriores demonstram que se trata de uma obra da Idade Média onde a devoção mariana ganha ascensão.

Esses textos surgem como convergências, divergências e disputas entre os diversos grupos cristãos. Nessa época não é possível se falar de um cristianismo acabado, com seus dogmas definidos. Cada grupo tenta estabelecer suas verdades, suas práticas e cultos. Muitos são influenciados pelo Gnosticismo, doutrina pela qual a salvação se dá através do conhecimento. Essa corrente ideológica atraiu muitos que se sentiam estranhos no mundo e que tinham uma visão pessimista dele. Surgem as primeiras controvérsias cristológicas: Docetismo versus a valorização da vida terrena de Jesus; a questão da divindade e humanidade de Jesus; para os gnósticos Cristo é o ser perfeito que veio libertar o ser humano da sua condição inferior e levá-lo de volta a plenitude. Quem conhece Cristo se torna outro Cristo e não apenas um simples cristão. Por isso, o aspecto da divinização da mãe do Senhor é importante.

O conjunto dos textos apócrifos sobre Maria, apesar de terem muitos elementos, não desenvolvem um pensamento teológico elaborado, não defendem uma tendência específica, seja do Cristianismo proto-ortodoxo, gnóstico ou de quaisquer outras. Eles são uma mistura dessas correntes. Portanto, é possivel que esses textos tenham sido escritos, em sua maioria, para satisfazer curiosidade de alguma comunidade cristã, fruto da imaginação de seus autores, criando uma espécie de novela da vida e do cotidiano de Maria. Aproveitando, obviamente para reforçar idéias como a concepção virginal, a virgindade perpétua, sua participação na obra salvífica de Deus, a assunção aos céus, seu lugar entre os apóstolos, pintando com tintas bem fortes os aspectos extraordinários, para realçar seu lugar como a nova Eva e mãe de toda a humanidade.

Diferentemente, os textos dos evangelhos de Lucas e João apresentam Maria como peregrina na fé, que se entrega o projeto de Deus, mesmo não compreendendo. Contempla e medita atenciosamente os acontecimentos, portanto, é alguém que precisa caminhar, que está em processo, que vive as alegrias e as esperanças, as tristezas e as dores da vida; que não tem dons sobrenaturais, alguém que é humana, e não uma deusa. Maria é aquela que convive com os pobres e faz a opção por eles, pois aprendeu isso de seu Filho. Nos evangelhos canônicos, principalmente em Lucas, Maria é discípula, peregrina na fé, pobre com os pobres, mulher agraciada pelo Espírito Santo.

Hoje percebemos uma tensão, como aconteceu entre os apócrifos e os livros canônicos. Ou seja, uma tensão entre os muitos aspectos da religiosidade popular em relação à Maria, que em sua maioria, têm suas raízes apócrifas e o que propõem a teológica bíblica atual. Portanto, faz-se necessário encontrar um justo equilíbrio entre piedade popular e teologia bíblica. Construir uma piedade que reflita e questione, que tenha pés no chão e mãos operosas, e uma teologia que medite e faça rezar. Resgatando, assim, a Maria presente na Bíblia, sem desconsiderar o que a tradição popular conservou de mais poético e belo. Assim, acredito, é possível encontrar Maria, toda humana e toda de Deus.

Texto: Marcelo Marins Gonçalves

sábado, 11 de julho de 2009

Oração: em Caná


Mãe, se sentires que meu vinho vai acabar
- e há bocas sempre mais numerosas
e sempre mais sedentas a atender –
pede a teu Filho
que a água das minhas fontes
valha vinho e desperte sede da água-viva que é Cristo
.

Texto: Dom Hélder Câmara
Imagem: da Internet